A CCB em crise - novos fatos aprofundam crise vivida pela Congregação Cristã

A CCB está no epicentro de uma crise que se arrasta por quase 11 anos, e que tem como protagonistas Jorge Couri (atual presidente da instituição), Jeremias Guido (diácono e braço direito de Couri) e o motorista Sérgio. Do outro lado, encontramos José Nicolau - ex – presidente da CCB e vítima do que alguns chamam de “complô do clã Couri”.

Entre os que defendem o retorno de Nicolau à presidência, os sites CCB a Verdade e CCB a Realidade destacam - se não somente pela maneira como apresentam os fatos, mas também por serem os primeiros meios de comunicação a ventilarem de maneira transparente o que se passa por trás da CCB. Detalhe: ambos são coordenados por membros da Congregação Cristã no Brasil. É uma novidade, dada a aversão de alguns anciões ao conhecimento e a cultura de uma maneira geral.

A confissão de Sérgio (“o motorista”)

Sérgio Anísio Soares Alves (o motorista) foi o primeiro a confessar participação na trama, como fica depreendido de uma carta de cinco páginas endereçada a José Nicolau. Nela, revela em detalhes como tudo teria acontecido.

“Bem, tudo começou com um telefonema que eu não imaginaria um dia receber do irmão Jorge Couri, no mês de fevereiro... Ele me disse que chegou até mim porque alguns irmãos lembraram que eu trabalhava para o irmão José Nicolau e andava com ele. Me perguntou se teria acontecido alguma coisa e porque eu parei de andar com o irmão. Disse que não, porque? Porque o que levou-nos a tirar o ministério dele foi que apareceu dois irmãozinhos que disseram e provaram que ele tentou alguma coisa sexualmente com ele e nós. Achamos que podia ter acontecido a mesma coisa com você. Disse que não...”

Convidado para uma conversa em São Paulo, Sérgio foi convencido por Couri de que José Nicolau seria mesmo homossexual e que também estaria envolvido no desvio de verbas da CCB. No entanto – conforme revelou Couri ao motorista – as evidências ainda não seriam suficientes para emplacar uma punição definitiva a Nicolau e que o testemunho dele poria fim ao caso. Foi quando Jorge Couri lhe fez uma proposta indecente.

“Preciso de você porque este fato está consumado, mas tem alguns irmãos que não acreditam ainda. Como muitos viram você em vários lugares com ele, se você falar isto vai ficar encerrado de uma vez e não vai haver dúvidas com os irmãos do ministério (...) Você ficava na casa dele à tarde, não ficava? ‘Sim, eu ficava’. Então você faz isto que você não vai se arrepender. Então o que eu devo falar? É simples, você só vai falar que em uma tarde você estava no quarto descansando, esperando ele se banhar para ir para a igreja, quando ele saiu do banho e falou para você se aprontar e entrou no quarto quando você estava se arrumando e foi se ajoelhando em direção ao seu (...) para fazer sexo oral. Eu falei: Mas irmão, falar isto não é verdade. Eu sei, mas ele fez isto com mais dois e você falando acaba este impasse pelo bem da obra”.

Encerrada a conversa – tendo o motorista aceito prestar falso testemunho contra José Nicolau – Couri lhe ofereceu R$ 500,00 paras as despesas de viagem e afirmou que mais viria caso ele cumprisse com o combinado. Dois dias depois retornou a São Paulo para um encontro com Messias – que curiosamente teria sido seu ancião – e com o cooperador Marcilho. Como da primeira vez, o encontro foi realizado no apartamento de Couri.

“Peguei o ônibus aqui em Itápolis às 02h30 e cheguei 09h00 no Brás. Mais uma vez um irmão me levou até o apartamento dele e quando cheguei lá estavam os irmãos Messias e Marcilho que foram meu ancião e meu cooperador e me conhecem desde que eu era neném de colo e iriam ficar horrorizados ao saber aquilo que o irmão Jorge tinha pedido para mim falar. Então o irmão Jorge disse: Sérgio, conta para eles aquilo que você falou para mim no telefone, e então eu contei o que havia sido combinado, falei do mesmo jeito que ele tinha dito para mim falar. E mais uma vez quando fui me despedir ele me saudou e disse: Deus te abençoe, este é para sua viagem. E pôs no meu bolso e fui embora. O irmão Messias e o irmão Marcilho me levaram na rodoviária e eu fui contar o dinheiro na hora de comprar a passagem e tinha mais de R$ 500,00 e vim embora para Itápolis.”

Segundo o motorista, passada mais ou menos uma semana, Jorge Couri lhe telefonou e pediu que fosse para São Paulo para participar de uma reunião com os anciões. Ainda por telefone, lhe orientou que fosse curto e grosso e que revelasse seu desejo de deixar o Brasil por temer uma possível “represália”.

“Bem, falei para ele que faria aquilo. Fui para SP e fui para o Brás. Quando cheguei lá, estavam todos os anciões e fiquei esperando. Mais ou menos no meio da reunião fui chamado e no púlpito ele me pediu para que contasse para os anciões. Contei e sai. Quando estava vindo embora ligaram para mim e disseram para voltar que tinha outra reunião, fui para o prédio e em uma sala contei para um irmão que não o conheço e eles disseram que era monstruoso e o irmão Jorge disse que já fez isto no convento “Seminário” é por isso que saiu, para fazer aqui. É um lobo em pele de cordeiro.

Quando sai para ir embora, veio o irmão Jeremias Guido, me deu R$ 4.000,00 e falou que Deus tinha preparado e que Deus me abençoe. Vim embora, passados dois dias um irmão que não quis se identificar ligou e falou: vou dar as passagens e arrumar para qualquer lugar, qualquer país que você queira ir”.

O resultado é que o motorista não recebeu nenhuma passagem para o exterior e, mesmo após alguns depósitos feitos por Jeremias Guido, teve de fechar seu negócio – era proprietário de um pequeno restaurante em Itápolis – e entrou em uma grave crise financeira. Sem dinheiro e abandonado por Jorge Couri, o motorista decidiu enviar uma carta ao ex – presidente José Nicolau na qual pede desculpas pelo mal cometido e aponta os responsáveis.

“Irmão, escrevo está carta com lágrimas nos olhos e chorando peço que o irmão em nome do Senhor Jesus me perdoe. Apesar de eu ter sido só mais um quando o irmão Jorge Couri me procurou já tinham cometido a injustiça com o irmão José Nicolau (...)

Bem irmão, mais uma vez quero pedir perdão por tudo o que fiz o irmão passar mesmo de uma maneira indireta sendo usado para este fim aceitando o que me foi proposto pelo irmão Jorge Couri mais de uma vez. Espero que com esta o irmão consiga que seja feita justiça e já me proponho mais para frente ir ao Brás com o irmão e comprovar na frente detodos a verdade desta sujeira que foi feita contra o irmão (...)”

Jeremias Guido

Nove anos depois seria a vez de Jeremias Guido confessar participação no caso "Sérgio (o motorista)" em uma carta enviada aos anciões da CCB, no dia 05 de maio de 2009. Pede desculpas por ter participado das negociações que culminaram com o afastamento de José Nicolau e revela a existência de uma escuta telefônica na qual o motorista confessa ter recebido dinheiro de Jorge Couri.

"O que eu não posso deixar passar, é que somente meu nome fique em publico como a única pessoa que pagou ao Sérgio para acusar o irmão Nicolau, até porque no dossiê tem uma gravação do Sergio conversando comigo. Quando o Sergio diz que o irmão Jorge Couri colocou dinheiro no bolso dele, quando ele esteve na casa do irmão Jorge, isso realmente aconteceu, pois o próprio irmão Jorge Couri me disse que fez isso."

A retratação de Guido somente ocorreu após a abertura de uma investigação policial em 2008, que revelou detalhes da trama. A escuta telefônica – que narra conversas entre Sérgio e Guido – é uma das principais provas contra o atual presidente da CCB, seguida pela quebra do sigilo bancário e fiscal do motorista. Click aqui para ouvir a escuta telefônica.

Denúncias

Talvez uma das principais acusações que recaem sobre Jorge Couri, seja a de estelionato e falsidade ideológica – acusações essas investigadas desde 2008, pela Receita Federal e Ministério Público Federal. A carta enviada ao Conselho Nacional de Anciões - que pede a saída de Couri - traz detalhes surpreendentes da investigação.

“O caso Nicolau já está sob investigação criminal na Delegacia de Polícia do 8º Distrito de São Paulo - IP 343/2008, onde os três acusados, Jorge Couri, Jeremias Guido e Sergio Anísio Soares Alves, estão respondendo por crimes de estelionato, falsidade ideológica e crime contra a honra. Em não havendo retratação, certamente será mais um caso a ser levado a diante, às barras dos tribunais. Não é possível que em pleno ano de 2008, num país onde vigora o estado democrático de direito, um ancião que dedicou grande parte de sua vida a servir a Deus, venha a terminar seus dias sendo tão massacrado pelos próprios irmãos de fé e nenhuma decisão seja tomada para reparar os estragos.

Por envolver dinheiro sujo, o fato foi levado também ao conhecimento da Receita Federal e Ministério Público Federal, juntamente com outros episódios envolvendo irmãos de ministério, por desvios de dinheiro; tendo-se em vista sonegação fiscal e falsidade ideológica, infração administrativa e criminal de competência da Receita e Justiça Federal - cópias anexas.”

Não podendo mais criar mecanismos de defesa, Jorge Couri decidiu colocar sobre Jeremias Guido a responsabilidade pela quebra na receita da CCB. Na carta enviada ao CNA, fica claro.

“Para Jeremias Guido, que se apropriou de dinheiro da igreja, durante a vida toda (conforme ele mesmo declarou ao delegado), o tratamento foi diferente. Vejam as afirmações constantes da ata (cópia anexa), feitas por Jorge Couri: “... temos que levar ao conhecimento do ministério, com grande dor e muito pesar em nosso coração, a respeito do ministério do nosso irmão Jeremias Guido, diácono desta Congregação. Alguma coisa sucedeu, não na Obra da Piedade, mas na Distribuidora de Bíblias,...” – “...Oremos por este nosso irmão para que o Senhor o mantenha firme na Graça, ele e sua família...”

Teria Couri motivos plausíveis para justificar tanta dor e tanto pesar por afastar um diácono que comprovadamente furtou dinheiro da igreja, inclusive confessando? – Será que esse “amor” pelo amigo de todas as horas, inclusive para as falcatruas, dentre as quais respondem juntos a dois inquéritos na polícia, seria pelo dom de Deus? Se Nicolau fosse culpado e tivesse confessado seu pecado, merecia ser tratado com tanta crueldade?”

Teria sido essa uma tentativa de abafar o caso? Tudo é possível, desde que lembramos que Jorge Couri teve papel central no caso Sérgio (“o motorista”) que em poucas semanas embolsou cerca de vinte mil reais – cuja origem, ressaltemos, não foi definitivamente estabelecida. O fato é que com Couri na presidência o número de anciões e demais membros do Ministério presos ou acusados pelo Ministério Público mais que quadriplicou nos últimos anos. Jeremias Guido – que durante anos trabalhou ao lado de Jorge Couri – teria sido quem mais desviou dinheiro da CCB, conforme consta na carta enviada ao CNA.

“O ex-diácono Jeremias Guido, confirma ter se apoderado do valor de R$ 75.000,00, embora na contabilidade se tenha apurado depois da investigação policial, que se tratava de R$ 70.006,59 (Inquérito nº 38/2006; que deu ensejo ao Processo crime - DIPO 3 - Seção. 3.2.4 050.06.24064-4 - Proc. 1670/2006 - 16ª Vara Criminal de São Paulo).

Jeremias afirma em seu interrogatório na Delegacia de Policia: “... Quanto a alegação feita no histórico do boletim de ocorrência, esclarece que nesse setor bíblico, era um dos encarregados...” – “...e em razão disso acabou por locupletar - se da importância de R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais), e esse valor foi acumulando ao longo dos anos, num período de cerca de cinquenta anos...”

Jorge Couri, ao ser interrogado perante o delegado afirmou: “... Jeremias Guido, em razão deste desempenhar a função Supervisor do Fundo Bíblico na Igreja, pelo período de trinta anos, onde também trabalhava seu filho Rubens Guido, e este, sem o consentimento da administração da igreja fez vales num montante aproximado a R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais), ...” – “...apesar de haver se comprometido em ressarcir esses valores à igreja, até a presente data não o fez, desconhecendo o declarante os motivos pelo qual assim agiu. O declarante esclarece que a pessoa do Sr. JEREMIAS é uma pessoa idosa, e acha que ele tenha feito tal coisa em razão de suas dificuldades financeiras, e o esquecimento em resolver a situação, talvez tenha a ver com a sua idade, esclarecendo também que as pessoas dos anciães e diáconos que prestam serviços junto à igreja não são remunerados pelos trabalhos...” diáconos que prestam serviços junto à igreja não são remunerados pelos trabalhos...”

Além de Jeremias Guido, o documento cita pelo menos três outros casos de desvio de verbas da CCB, praticados por integrantes do Ministério.

Sorocaba - SP: O ex-diácono Rodolpho Affonso, confirma ter se apoderado do valor de R$20.052,85 (Inquérito Policial nº 51/06 - 10º Distrito - sendo denunciado - Proc. 1298/2006 - 2ª Vara Criminal)”.

Votorantim – SP: Foi instaurado inquérito contra o diácono João Valim dos Santos (IP 47-06 - 3º Distrito); o qual teria desviado todo o dinheiro que retirava mensalmente para ser entregue a uma viúva pobre, que faleceu meses depois. O dinheiro nunca chegou à destinatária; o que durou cerca de um ano. Aguardam-se novas diligências.”

Astorga - PR: O secretário da piedade José Aparecido Cruz, se apropriou do valor correspondente a R$ 19.959,09 (IP 16/05), sendo processado e condenado pela justiça de Astorga - PR, a pena de 03 anos e 04 meses de prisão - Proc. 71/2005.”

O documento aponta ainda o desaparecimento de quase R$ 800.000,00 da cozinha da sede (Brás) em uma única semana, acusações referentes a viagens no Brasil e exterior, uso de notas falsas e compras superfaturadas. Também merece nota a venda não – autorizada de templos da CCB, como a ocorrida em Cascavel (PR) cujo desvio do preço final foi de R$ 170.000,00.

A CCB está mudando

Além da crise financeira vivida pela CCB – que envolve desvio de altas somas de dinheiro -, há também uma crise de identidade. Não somente os grupos dissidentes, mas também um número cada vez maior de membros pedem uma reforma. Tal sentimento pode ser resumido pela carta de renúncia do ancião Joel Spina que, deve-se ressaltar, é primo de Jorge Couri.

Dallas, 15 de Agosto de 2008

Caros irmãos e irmãs, a paz de Deus esteja convosco

Desde a minha separação da Congregação Cristã (aqui referida como "CC") em Novembro de 2007, tenho o desejo de informar meus conservos, familiares e amigos mais próximos as razões dessa decisão. Em primeiro lugar quero esclarecer que essa decisão foi tomada depois de prolongada deliberação e muita oração. Não foi feita precipitadamente, de forma reacionária, nem resultado de um evento em particular. Os fatores que provocaram essa decisão se dividem em duas categorias: _ Pontos de doutrina e costumes que estou em completo desacordo com a maioria do ministério da CC;

O comportamento e posicionamento do ministério senior da CC. Há vários pontos de doutrina e fé que estou em total desacordo com a CC. Mencionarei aqui sòmente os que considero mais fundamentais, por razões de tempo.

1. Os membros da CC acreditam que ela é a graça de Deus na Terra. Como devemos todos saber, esse título e honra pertencem a Jesus Cristo, e somente a Ele. A CC iniciou há pouco mais de 100 anos entre imigrantes italianos nos Estados Unidos, e eventualmente se propagou para outros países como Brasil e Portugal. Considerar essa denominação como a manifestação exclusiva da misericórdia de Deus na Terra é simplesmente um absurdo. Essa hipótese nada mais é do que um desrespeito à Obra de Deus, e a dimensão do Seu poder. A CC é uma denominação cristã, entre muitas outras, na Terra. Uma denominação que infelizmente prima pelo espírito de exclusão, quando o exemplo deixado por Jesus Cristo é de inclusão. O impacto dessa falsa doutrina é muito mais destrutivo do que se pode imaginar inicialmente.

2. Os salvos gozarão vida eterna nos céus graças à misericórdia de Deus manifestada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, e não resultante do nosso esforço. Sem dúvida alguma, a Palavra nos ensina que os salvos produzirão frutos de honra, aceitáveis, obras que se aproximam cada vez mais do exemplo deixado por Cristo (somos varas da Videira). Tal aperfeiçoamento é resultante da Obra de Deus na vida dos escolhidos, e não decorrente da capacidade humana. O Espírito Santo que habita nos escolhidos é que produz obras e intenções santas na vida do ser humano.

3. A obra de salvação e santificação do ser humano é feita pelo Espírito Santo: essa é a Obra de Deus. Esse trabalho é feito individualmente, de acôrdo com o plano de Deus. O ministério da CC crê que é sua responsabilidade "santificar" o povo, mostrar o caminho à irmandade. Esse posicionamento totalmente errôneo, de caráter presunçoso, ocasiona a publicação frequente de "mandamentos", "ensinamentos", "tópicos" que tentam dar direcionamento à irmandade quanto ao seu comportamento, modo de vestir, comunicação, etc. Essa é uma manifestação do mesmo espírito que guiava muitos Fariseus na época de Jesus, fazendo com que eles tomassem a Lei, e a aplicassem de uma forma extremista no tratamento com o povo, afim de "santificá-lo". Esse espírito foi veemente e constantemente reprovado pelo Senhor e, no entanto ele é amplamente aceito e estimulado na CC.

Como ilustração do tópico acima, o ministério da CC vai buscar no livro de Deuteronômio uma passagem - numa interpretação completamente errada - para proibir as irmãs de usarem calça comprida;

No mesmo espírito, o ministério vai então até o Novo Testamento, nas cartas de Paulo, para proibir seus membros de praticar esportes, uma vez mais com interpretações totalmente fora de contexto. Isso prova a presença desse espírito farisaico que julga, condena e exclui.

Devemos ressaltar, entretanto, que esse mesmo ministério não aplica a lei do Sábado, dos sacrifícios, e muitas outras do Velho Testamento, tampouco o ensinamento de Paulo que dá preferência ao crentes permanecerem solteiros, entre outros. Se o ministério da CC crê que seremos salvos pela Lei, então pelo menos por consistência, deveria aplicar a Lei na sua totalidade, e não escolher os artigos dessa lei que agradam alguns homens da cúpula ministerial.

4. Os cristãos são alimentados espiritualmente pela Palavra de Deus, que é Jesus Cristo: o Caminho, a Verdade e a Vida. Os serviços religiosos na CC, como em qualquer outra denominação, devem promover reuniões onde Deus seja exaltado e o espírito e a mente dos seus membros seja edificada. Essa edificação é obtida através do conhecimento gradual de Jesus Cristo, isto é, das Escrituras.

A CC sempre foi contrária ao estudo da Bíblia. O princípio - outra vez, totalmente errôneo - é que se o ministério e o povo realmente "examinar" - a palavra estudar se tornou um tabu na CC - a Bíblia, Palavra de Deus, então estaríamos tomando o lugar do Espírito Santo; como se a Palavra de Deus, Jesus Cristo, o Pai, e o Espírito Santo fossem entidades diferentes!

5. Limitados por essa reconhecida ignorância das Escrituras, o que podem então os ministros - anciães e cooperadores - proporcionar à irmandade durante os serviços de culto? Só lhes resta ministrar promessas (erradamente referidas como profecias na CC), testemunhos espetaculares e fábulas, manifestações de emoção e ruído (erradamente atribuídos ao Espírito Santo), etc. Esse comportamento inadequado, baseado em falsas doutrinas, transformou a CC num dos grupos que menos conhece as Escrituras entre os Cristãos. Uma das sérias consequências de tal desconhecimento é a tremenda ênfase na aparência externa dos seus membros, em detrimento do fato fundamental de que a obra de Deus é uma obra de sentimentos, de intenções, espiritual.


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Johnny Bernardo

é pesquisador, escritor, jornalista, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.

É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.

Contato

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Introdução ao estudo do espiritismo

Segundo o Pequeno Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a palavra "espiritismo" tem sua origem no vocábulo francês espiritisme. É uma doutrina filosófico-religiosa baseada na "comunicação entre os vivos e os mortos". Ainda segundo o mesmo dicionário, é uma “doutrina baseada na crença da sobrevivência da alma e da existência de comunicações, por meio da mediunidade, entre vivos e mortos, entre os espíritos encarnados e os desencarnados”.

Origem

O espiritismo, enquanto tentativa de contato com os mortos, faz parte da tradição de vários povos, como os egípcios, caldeus, hindus, assírios etc. De acordo com o escritor Jefferson Magno Costa, em seu livro “Porque Deus Condena o Espiritismo”, pág. 20, “o espiritismo que hoje se expande pelo Brasil e no mundo nada mais é do que a continuação da necromancia e do ocultismo praticados pelos povos antigos”.

A origem do espiritismo moderno ocorreu em dois períodos distintos, começando por 1848 e estendendo-se até 1857, com a publicação do Livro dos Espíritos, por Allan Kardec. Vejamos os dois períodos separadamente.


A casa da família Fox, em Hydesville

A família Fox

Embora o espiritismo seja uma das heresias mais antigas já surgidas no mundo, o seu ressurgimento se deve a duas jovens norte-americanas, Kate e Margaret Fox, que nasceram em Hydesville, uma aldeia perto da cidade de Rochester, Nova Iorque. Era um lugar muito pobre, com casas de aspecto humilde, geralmente de madeira. Seus pais eram metodistas e tinham mais filhos.

A família Foz passou a residir nessa casa em 11 de dezembro de 1847, e tudo transcorria bem até meados de março de 1848, quando começaram a ouvir pancadas em diferentes pontos da casa onde moravam. A princípio julgaram que esses ruídos fossem produzidos por ratos e camundongos que infestavam a casa. Porém, quando os lençóis começaram a ser arrancados das camas por mãos invisíveis, cadeiras e mesas tiradas dos seus lugares, e uma mão fria tocou no rosto duma das meninas, percebeu-se que o que estava acontecendo eram fenômenos sobrenaturais. Certa noite, John Fox, sua esposa e as duas filhas, estavam a conversar sobre estranhos fenômenos de assombração. Catarina, então, produziu estalos com os dedos; notaram todos que alguém os repetia. Por sua vez, Margaret produziu estalos e encontrou eco. Apavorada, a sra. Fox perguntou: “é homem ou mulher que esta batendo?”, mas não obteve resposta. Insistiu então: “É espírito? Se é espírito, bata duas vezes”. Produziram-se duas breves pancadas. Concluiu, assim, que um espírito “desencarnado” estava em comunicação com a família.

Segundo se diz, os próprios espíritos indicaram às irmãs Fox, em 1848, nova forma de comunicação: que os interessados se colocassem em torno de uma mesa, em cima da qual poriam as mãos; às interrogações que fizessem aos espíritos, a mesa responderia com golpes e movimentos de letras do alfabeto e de palavras.

Essas meninas tornaram-se médiuns e durante trinta anos entregaram-se à produção de fenômenos que passaram a ser conhecidos praticamente em todo o mundo.

Uma fraude

As duas irmãs Fox, tidas como “médiuns”, confessaram posteriormente que recorreram a truques e fraudes para produzir as pancadas que a mãe, muito crédula, atribuiu a um espírito do além. No dia 21 de outubro de 1888, a sra. Margaret Fox Kane, realizou pela primeira vez seu intento de, com os próprios lábios, denunciar publicamente o espiritismo e seu séqüito de truques. Apresentou-se à Academia de Música de Nova Iorque perante uma numerosa e distinta assembléia e, sem reservas, demonstrou a falsidade de tudo quanto no passado fizeram – ela e a irmã – sob o disfarce da “mediunidade espírita”.

“A sra. Kane (Margaret) manteve-se de pé sobre o palco; tremendo e possuída de intensos sentimentos, fez uma aberta e extremamente solene abjuração do espiritismo, enquanto a sra. Catharine Fox (Kate) Jenchensen assistia de um camarote vizinho, dando, por sua presença, inteiro assentimento a tudo que a irmã dizia”.

O texto dessas confissões e retratações de Margaret e Kate Fox foi publicado pela imprensa norte-americana – no New York Herald de 27/5/1888 e 10/9/1888, assim como no The World de 22/10/1888. Acha-se tal texto reproduzido em fac-símile inglês e em uma tradução portuguesa no livro de frei Boaventura Kloppenburg, O Espiritismo no Brasil, Ed. Vozes, págs. 426-447.

Kardecismo

Apesar da confissão e retratação das irmãs Fox, o estrago já estava feito: propagaram-se sessões espíritas por toda a América do Norte e Europa. Na Inglaterra, porém, a consulta aos mortos já era muito popular entre as camadas sociais mais elevadas. Por consequinte, os médiuns norte-americanos encontraram ali solo fértil onde a semente do supersticionismo espiritista haveria de ser semeada.

Na França, a figura de Allan Kardec é a principal dos arraiais espiritistas. Ele passaria para a História sob o pseudônimo de Allan Kardec – que seria o nome de um druida, supostamente sua “encarnação” anterior. Kardec nasceu às 19h00 do dia 3 de outubro de 1804, na cidade de Lião (França), e era filho de um advogado. Em 1854, interessou-se pelo fenômeno então conhecido como “Mesa Giratória”. Nos salões elegantes, após os sarus, gente da alta sociedade costumava se sentar em torno dessas mesas para, segundo acreditavam, dialogar com os espíritos. Utilizando recursos supostamente mediúnicos dos presentes, as entidades desencarnadas se manifestariam. Segundo os historiadores, o fenômeno foi a coqueluche da sociedade francesa de 1853 a 1855. Os eventos das mesas giratórias ganharam dezenas de reportagens nos jornais europeus.

Kardec mergulhou nesse universo por três anos, até estruturar uma doutrina que, segundo ele, unia os conhecimentos cientifico, filosófico e religioso. Ele escreveu sua obra básica, O Livro dos Espíritos, em 1857. O livro é resultado dos diálogos que Kardec supostamente dizia ter estabelecido com espíritos desencarnados nas diversas reuniões mediúnicas de que participou. Ele dizia ouvir a voz de diferentes espíritos por meio de diferentes médiuns, para cotejar as versões. A obra se estrutura em 1.019 tópicos, no estilo pergunta e resposta. O Livro dos Espíritos serviu de base para mais oito obras de Kardec.

1) O Que é o Espiritismo (1859)
2) O Livro dos Médiuns (1861)
3) O Espiritismo em sua mais Simples Expressão (1862)
4) Refutação de Críticas ao Espiritismo (1862)
5) O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864)
6) O Céu e o Inferno (1865)
7) A Gênese (1868)
8) Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868)

Kardec também fundou A Revista Espírita, periódico mensal editado em vários idiomas. Ele mesmo assentou as bases da “Sociedade Continuadora da Missão de Allan Kardec”. Ele faleceu em 1869, aos 64 anos.

Subdivisões do Espiritismo

Embora consideremos o espiritismo igual em toda a sua maneira de ser, os próprios espíritas preferem admitir haver diferentes formas de espiritismo. Para efeito didático, o espiritismo pode ser classificado da seguinte maneira.

a) Espiritismo Comum

  • Quiromancia
  • Cartomancia
  • Grafologia
  • Hidromancia
  • Astrologia

b) Baixo Espiritismo ou Religiões de Possessão

  • Umbanda
  • Candomblé
  • Quimbanda

c) Movimentos Dissidentes

  • Racionalismo Cristão
  • Cultura Racional
  • Legião da Boa Vontade (LBV)
  • Renovação Cristã (também conhecida como Grupo Bezerra de Menezes)
  • Protestantismo de Oswaldo Polidoro
  • Ubaldistas

d) Espiritismo Histórico

  • Kardecismo
  • Roustainguistas
  • Científicos
  • Armondistas
  • Emmanuelistas
  • Ramatistas
  • Paganizantes
  • Dialéticos
  • Transcomunicadores
  • Espiritualistas

Principais crenças do espiritismo

Independente da existência de várias tendências no espiritismo existe uma doutrina básica (fundamental) presente em quase todos os grupos espíritas.

a) A ideia da evolução dos espíritos através de sucessivas reencarnações;
b) O progresso cósmico é regido pela Lei do Carma, segundo a qual toda ação, boa ou má, recebe
c) devida retribuição; o jogo da vida é tido como um jogo de dádivas em que se recebe na proporção que se dá;
d) Os médiuns são os intermediários entre os vivos e os espíritos desencarnados; a mediunidade pode se manifestar através de visões, incorporações, poder de cura, psicografia;
e) Crença na pluralidade dos mundos habitados, em que cada mundo constituiria uma etapa específica do progresso espiritual; a Terra é tida como um lugar de expiação;
f) O progresso depende de méritos pessoais, acumulados em várias encarnações;
g) Não há distinção entre o natural e o sobrenatural, entre a religião e a ciência.




por Johnny T. Bernardo
do INPR Brasil







Médica de SP afirma "curar" enfermos com ajuda de espíritos e ETs

Após sair de uma clinica de Santo André - onde passei por uma bateria de exames -, me dirigi a uma banca de jornal para adquirir o meu exemplar do Diário do Grande ABC e me inteirar das notícias da região. No entanto, o que me chamou a atenção ao chegar à banca não foi as falcatruas de alguns políticos conhecidos de nós mauenses, mas uma matéria de capa de um jornalzinho chamado Meia Hora. A matéria, cujo título "Médica Cura com ajuda de ETs e espíritos" faz referência a médica Mônica de Medeiros que, segundo o jornal, toda terça-feira, no número 75 da rua Guapiaçu, em Mirandópolis, zona sul de SP, atende centenas de pessoas que madrugam diante de um portão azul em busca de "cura". O portão azul é o endereço da Casa do Consolador, definido por Mônica como um Centro Universalista, sem religião definida, que atende cerca de 7 mil pessoas por mês com base no que ela chama de ‘fraternidade universal’. [1]

Na fila, à espera de um atendimento, há dezenas de pessoas, na maioria idosas. Uma reclama de problemas no pulmão e disse que descobriu o centro por causa de uma vizinha. Já outra deu a certeza de que tinha sido "curada" de um grave problema na coluna. Além de doentes, outras pessoas procuram o centro querendo ajudar parentes, amigos e até animais de estimação. [2]

Cirurgiã formada pela UNICAMP e com especialização nos EUA, Medeiros atende no centro com o pseudônimo de Shellyana, uma extraterrestre que "vive" na constelação de Plêiades. Ela afirma ser guiada por inúmeros espíritos, dentre os quais o "Dr. Espanhol" e também por extraterrestres. Há inúmeros vídeos na internet onde a médica apresenta a medicina extraterrestre.

Medeiros conta que começou a ter "contato" com ETs em uma viagem ao Arizona (EUA) em 2003. Tempos depois, em Peruíbe (SP), declarou a um grupo de 189 pessoas - que se reuniram para ouvir a médium na Casa do Consolador - que ela fazia "contato" com ETs. Foi quando que, segundo ela, o grupo teria "presenciado" um espetáculo aéreo feito por discos voadores. Após isso, decidiu abrir um centro em SP e atender gratuitamente crianças e adultos vítimas de doenças físicas e emocionais.

Segundo apurou o Jornal da Tarde, há quem diga que já tomou vacinas contra a gripe aviária produzidas por extraterrestres, distribuídas gratuitamente. Outros levaram suas crianças para passar por uma mudança de DNA, sob a promessa de adquirir imunidade contra todos os tipos de doenças. Devido a isso, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu em junlho uma sindicância para apurar a tal medicina extraterrestre. Questionada sobre a prática, a médica se defendeu ao dizer que jamais prometeu cura a ninguém, que incorpora o espírito do "Doutor Espanhol" e que as vacinas que foram doadas nada mais são do que "águas fluidificadas". Quanto à extraterrestre Sheillyana, não é feita uma incorporação, mas sim uma canalização de energia. “Não é possível incorporar seres de outras dimensões. O DNA é diferente”, justifica. [3]




Apesar de suas declarações, um vídeo obtido pelo Jornal da Tarde mostra a médica Mônica de Medeiros explicando o funcionamento e os benefícios do que ela chama de medicina extraterrestre. No vídeo da palestra – que foi dada em Cambuquira, Minas Gerais, há três anos – a médica diz que o atendimento com ETs passou a ser feito em 1º de janeiro de 2004.

Mônica de Medeiros diz no vídeo que a medicina extraterrestre cura mais rapidamente que o trabalho de incorporação com espíritos. “A cura é imediata porque eles mexem na energia do corpo astral e mental”, disse a palestrante.

Durante o vídeo, a médica faz comparação entre os atendimentos feitos pelo espírito de um médico conhecido entre os frequentadores como ‘Dr. Espanhol’, que também atende na Casa do Consolador, com os de Shellyana.

Segundo ela, a cura nos casos do espírito ficam em torno de 85% a 86% e as feitas pela extraterrestre têm índices de 97% a 98%. A palestrante conta que esses cálculos são feitos com base nos retornos dos pacientes.

Durante a palestra, a médica disse que os extraterrestres têm o poder de interferir no DNA humano e por isso conseguem tanta eficiência na cura de doenças autoimunes – entre elas, cita a aids. “Estamos com uns mil casos de aids com cura sorológica por causa dessa intervenção que eles fazem no DNA”. [4]

O dizer a respeito? O Centro Consolador, assim como o consultório da Vovó Júlia e as terapias de regressão promovidas em hoteis do estado pelo terapeuta Amadeu Wolf, mostram como quão alienadas as pessoas estão do verdadeiro Evangelho de Cristo. A vida atribulada da megalópole tende a levar muitas pessoas à busca de soluções não convencionais para seus problemas e transtornos. Assim acontece em Nova York e em inúmeras outras cidades do Brasil e do mundo.

Notas

1. Meia Hora, 23/12/20010, edição 6, número 1.903, pág. 10
2. Ibidem
3. Jornal da Tarde, 16/09/2010
4. Jornal da Tarde, 17/09/2010




por Johnny T. Bernardo
do INPR Brasil





A grandeza do Evangelho e o evangelicalismo brasileiro

A principal evidência de que uma comunidade cristã absorveu o espírito do Evangelho é quando sua mensagem começa a modifica a vida comum da sociedade.

Respondendo a pergunta sobre o fato dos cristãos estarem ou não remindo a cultura nacional, o escritor Valmir Nascimento Milomem respondeu: "Depende se esse crescimento dos “evangélicos” será simplesmente numérico ou também qualitativo. Depende se os “evangélicos” resistirão ou não aos apelos do relativismo moral e do pluralismo ideológico da pós-modernidade. Depende se os “evangélicos” manterão a identidade. Depende se os “evangélicos” utilizarão a fé somente nos finais de semana ou também em todos os aspectos da sociedade. Depende se os “evangélicos” professarão a fé por questão de convicção ou de conveniência. Em outras palavras, o crescimento numérico dos evangélicos provocará mudanças positivas dentro da sociedade somente se realmente for adotado uma postura de vida essencialmente alicerçada nos princípios imutáveis da Bíblia."

De fato muitas transformações dependerão da consciência e atitude da Igreja em relação ao Evangelho e a sociedade. O modelo bíblico da Igreja apostólica revela-nos uma comunidade cristã comprometida e preocupada tanto com a qualidade de vida interna, como também com a expansão e influência externa – além dos portões.

De modo que, o avanço sistemático da Igreja é um principio e ordenança divina. Porque contentar-se apenas com o crescimento numérico de cristãos nos cultos dominicais, enquanto, podemos ver o Evangelho penetrando em todas as camadas da sociedade? Porque não acreditar que o Evangelho pode curar a maneira adoecida e equivocada de se fazer política no Brasil? Porque não acreditar que a cultura, a literatura, e as mentes pensantes de nossa nação podem ser transformadas pelo Evangelho?

Seria extraordinário ver o Evangelho recondicionando os modus operandis da política nacional, transformando-a em um novo modelo de justiça e igualdade. Imagine como seria ver a sociedade livre dos altos índices de violência, roubo, homicídio, e suicídio? Como seria acordar um dia e encontrar uma cidade mais saudável, equilibrada, e livre? Qual seria a sensação de abrir o jornal e não encontrar mais as calamidades que assolam as nações? Tudo isso é possível quando o espírito do Evangelho torna-se realidade nos corações!

Porém, o meu lamento é não conseguir vislumbrar em muitas “lideranças eclesiásticas” o mesmo sentimento do Evangelho de Cristo, mas infelizmente assistir periodicamente uma liderança (pelo menos televisiva) que aterroriza e subjulga cristãos em manhãs de sábado com abordagem de temas irrelevantes, político, religioso e narcisista.

Quem assistiu nesses dias o terror ocorrido no Rio de Janeiro (na tomada da polícia do morro dos alemães) um desses televangelistas convocar o povo evangélico para um momento de oração coletiva, com a mesma veemência que eles lutam pelos seus candidatos políticos, ou quando estão vendendo bíblias ou livros? Eu não assisti e você? O estado de apatia é lamentável - um dia antes da invasão do morro dos alemães, essas lideranças evangélicas continuavam vendendo seus apetrechos sagrados, brigando entre si, e defendendo o seu nicho evangélico na televisão. È no mínimo patética essa realidade, para não dizer diabólica. Como iremos viver a realidade do Evangelho de maneira coletiva, enquanto cristãos são diariamente contaminados e recrutados no financiamento deste evangelicalismo deformado?

Insisto em acreditar que a Igreja não estará cumprindo de fato a sua missão, enquanto, apenas os templos religiosos estiverem abarrotados de pessoas ávidas pela prosperidade material, pacificação emocional ou qualquer outra motivação que não seja pela realidade de viver o Reino de Deus e a sua justiça. O Evangelho almeja modificar desde os mais sutis movimentos da vida até os grandes sistemas e processos existenciais.

O número de pessoas que estão vivendo apenas na periferia dos portões do Reino é alarmante. Esses indivíduos chegam até a contemplar a beleza e a perfeição do Reino, mas ainda estão vivendo em barracas e acampamentos do lado de fora.

Precisamos acreditar e promover a grandiosidade do Reino de Deus com a consciência na eternidade e a urgência imediata na prática do bem, liberdade e amor através do Evangelho.




por Samuel Torralbo

é escritor, ministro do Evangelho, autor da obra "Em Defesa da Igreja" (Ed. Pathos) e colunista do INPR Brasil








Onde está a verdadeira cruz de Cristo?

Jesus nos ensina o caminho para o Reino: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” Lc 9:23. Seguir a Cristo nesta terra nos credencia a segui-lo para além desta terra, na eternidade.

A cruz de Cristo é feita apenas com dois pedaços de madeira rústicos. Não é de madeira nobre, como mogno ou imbuia, e muito menos tem entalhes ornamentais ou tem suas rebarbas retiradas ou foi lixada para ser suave ao toque.

Na verdade, tocar na cruz de Cristo é uma experiência estranha e que não tem prazer no ato em si. Carregá-la então, para a mente humana não regenerada pelo amor de Cristo é carregar um peso morto, algo que beira o masoquismo.

Agora, para os filhos de Deus, remidos pelo sangue de Cristo que foi derramado exatamente nesta cruz áspera, escandalosa e sem beleza alguma, deveria trazer gozo e alegria tomar a cruz que nos é proposta, não pela cruz em si, mas pelo servir a Cristo, pelo seguir sua instrução e pela compreensão espiritual da cruz como o caminho para o Reino.

É triste percebermos que há muitas outras cruzes no arraial cristão e que, tal como um celular Xing ling quer imitar um iPhone, estas falsas cruzes tentam imitar a cruz que Cristo nos propõe.

E há cruzes para todos os gostos, tipos e bolsos.

Uma é diminuída em seu tamanho, para ser mais leve e fácil de carregar. Esta cruz mutila a Bíblia, eliminando dela todo o compromisso que a vida cristã querer.

Outra é aumentada para parecer mais pesada do que realmente é tendo em vista que o que carrega tal cruz julga-se merecedor da salvação por carregar mais peso que os outros e, pior ainda, condena os que não têm uma cruz tão grande nas costas. Não é difícil de reconhecer o carregador deste tipo de cruz, pois está sempre fazendo sacrifícios tolos para buscar aprovação em Deus para seu coração endurecido. Busca trilhar o caminho maldito da auto-salvação e, em algum ponto da estrada esbarra no muro da frustração.

Há ainda a cruz que só tem aparência: tem cor de madeira, tem cheiro de madeira, parece rústica e tem até sangue escorrendo por ela. Parece cruz, mas é falsa, é cinematográfica, é fake, cruz de isopor que tenta enganar os homens, mas não é capaz de enganar a Deus. Qualquer vento de doutrina vai quebrá-la e espalhar seus pedaços, revelando seu interior.

Creio não conseguir enumerar todos os tipos de pseudocruzes no meio cristão, mas não posso deixar de citar a cruz da aceitação. Este tipo de cruz é lixada e antes teve todas as rebarbas removidas, sendo bem suave ao toque. Geralmente é envernizada ou pintada com alguma cor da moda. Esta cruz precisa ser assim para que quem a carrega seja aceito em seu meio, seja na escola, no trabalho, com amigos ou família. Em seu interior até tem a mesma qualidade de madeira da cruz de Cristo, mas recebeu muitos retoques e embelezamento externo para facilitar sua aceitação. Quem carrega tal cruz retira as rebarbas da condenação do pecado para que possa continuar com sua vida da mesma forma de outrora, mas com uma aparência gospel, lixa-a para aliviar a aspereza do negar-se a si mesmo e a pinta ou enverniza para dar uma aparência agradável para que outros até topem carregar uma cruz bonitinha assim, imaginando com isto cumprir o verdadeiro IDE.

A cruz de Cristo é uma experiência radical, que nos muda radicalmente. Só a verdadeira cruz tem o poder de nos conduzir à essência da Verdade, que é Cristo Jesus.

Se nos dedicarmos a qualquer outra cruz que não a autêntica corremos o risco de, em vez de sermos salvos pelo sacrifício de Jesus na cruz, sermos nós mesmos crucificados nesta cruz fajuta, que nada tem a ver com a cruz de Cristo.



por Giuliano Barcelos
do NAPEC para o INPR Brasil






A cultura do Reino de Deus e as subculturas eclesiásticas

A capacidade de produzir cultura é uma das coisas que torna a humanidade diferente de todo restante da criação. Um povo sem cultura certamente será uma civilização sem história. De forma resumida, a cultura de uma nação é construída através das experiências vivenciadas nas formas de pensamentos, hábitos, comportamentos, linguagens, artes, e organizações sociais. Portanto, se é certo afirmar que, cultura é o resultado das manifestações e experiências vividas por uma comunidade, logo a Igreja como um fenômeno histórico também desenvolveria sua própria cultura.

Deste modo, inconscientemente um cristão sempre estará envolvido no mínimo com três formas de culturas: (1) Social, (2) Igreja-instituição (3) Reino de Deus.

Na cultura brasileira, certamente encontraremos elementos positivos, como por exemplo – culinária, arte, música, e festas que são marcas caracteristicas do nosso povo. Porém, misturada ainda à cultura nacional estão infelizmente agregados inúmeros elementos negativos, como a passividade diante da corrupção, paganismo, idolatria, ou carnaval que são expressões características de nossa cultura, mas que efetivamente contradiz a cultura do Reino de Deus.

Ainda refletindo sobre as possíveis formas de culturas, quando nos propomos a conhecer as culturas ou subculturas denominacionais, descobrimos que são infinitas as formas de linguagem, vestimentas, ou liturgias expressadas por inúmeros segmentos dentro do meio evangélico. O objetivo não é criticar ou valorizar as subculturas da igreja, mas elucidar que elas não podem ser comparadas com a cultura do Reino de Deus. O lamento característico por parte daqueles que conseguem fazer distinção entre a cultura do Reino de Deus e as subculturas das igrejas é perceber que muitos cristãos valorizam mais suas culturas locais (gerando divisão e preconceito), do que a própria cultura do evangelho do Reino de Deus.

Quanto prejuízo já foi provocado por causa de questões relacionado à vestimenta, linguagem, liturgia, ou comportamento estritamente cultural? Conheço inúmeras pessoas que estão fora da igreja porque foram envergonhadas, excluídas e abandonadas por causa da roupa que vestia ou linguagem que falava. São inúmeros os problemas desta natureza. È óbvio que toda igreja desenvolverá sua própria cultura no contexto histórico, mas pessoalmente prefiro o modelo cultural do Reino de Deus ensinado por Cristo Jesus. De modo que, acho extremamente válido citar no mínimo dois elementos da cultura do Reino de Deus, para uma melhor compreensão:

(1) Linguagem. Tanto a linguagem objetiva como a subjetiva expressada por Cristo, promoviam o bem comum de todos os homens, ao mesmo tempo, que denunciava o ódio, a violência e a discriminação em todos os níveis. Com isto, Deus estava estabelecendo através de Cristo a linguagem universal, contida dentro da cultura do Reino dos céus – a linguagem do amor.

Essa linguagem quando adotada como cultura por qualquer individuo, pode subjugar e aniquilar a linguagem da morte, da injustiça e do sofrimento.

Quem não conhece a linguagem do amor? Assim, todo discípulo do Reino de Deus, teria acesso a tudo e a todos, porque a linguagem do amor destruiria as barreiras, descomplicaria a vida e restabeleceria os vínculos humanos.

(2) Relacionamento. Ainda, dentro da cultura do Reino de Deus, encontramos nos evangelhos o modelo de relacionamento ideal e desafiador para um mundo hostil, onde predomina a lei do cão. Os conflitos, guerras e hostilidades comuns na história da humanidade seriam substancialmente eliminados, caso a cultura relacional do Reino de Deus fosse respeitada e praticada - “ Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.” Lc 22. 26

Seria impossível não estabelecer vínculos relacionais verdadeiros e duradouros, partindo da cultura de considerar o próximo com maior significado e importância.

Poderíamos citar outras expressões culturais do Reino de Deus, como por exemplo - comportamento ético, formas de pensamento, e outras, mas apenas com a reflexão acima nas duas formas culturais existentes no Reino de Deus (linguagem e relacionamento), já é possível observar a disparidade existente entre a cultura do Reino, quando comparada a qualquer outra forma de cultura.

Estou persuadido de que, quando os cristãos começaram a conhecer e a valorizar a cultura do Reino de Deus, as subculturas denominacionais não deixarão de existir, mas serão conhecidas apenas como uma simples expressão histórica secundária característica da igreja local. E assim, o mundo poderá conhecer não a subcultura local da igreja (muitas vezes cheia de defeitos ou preconceitos), mas descobrirá a grandiosidade da cultura do Reino de Deus, cheia de amor, dignidade e igualdade.




por Samuel Torralbo

é escritor, ministro do Evangelho, autor da obra "Em Defesa da Igreja" (Ed. Pathos) e colunista do INPR Brasil






Neopentecostalismo Cartoon (II)

No primeiro texto falei sobre algumas coisas e as relacionei diretamente ao movimento Neopentecostal, o que gerou alguns comentários de amigos.

É preciso deixar claro que não estou “combatendo por combater”. A proposta é expor em cinco textos alguns dos pontos mais falhos do movimento Neopentecostal, para dedicar o sexto texto para uma exposição diferenciada, embora todos os artigos não sejam apenas exposições de feridas, mas em caráter apologético, apontam para um caminho bíblico ortodoxo.

É preciso ressaltar que tais problemas não se restringem apenas ao movimento Neopentecostal, mas que se infiltraram nas diversas tradições, embora esteja muito mais evidente no segmento Neopentecostal.

Entretanto, fica claro que não cabe um pragmatismo raso nesta questão, já que é impossível tentar relacionar um movimento que dá mais ênfase a curas, dinheiro, soluções imediatistas, egocentrismo, hedonismo, materialismo, demônios e sacrifícios humanos com o cristianismo bíblico, e é isso que combato. Não é por acaso que recentemente uma denominação tradicional passou a considerar algumas Igrejas Neopentecostais como seitas.

Os que defendem esse modelo pragmático do Neopentecostalismo se assemelham àqueles que votam em políticos corruptos com base na falsa premissa: “Esse rouba, mas faz!”.

Explicado isso, vamos adiante! Neste texto, falarei sobre um assunto muito interessante: vamos conquistar o mundo!

A analogia da vez é com a série de desenhos “Pink e o Cérebro”

Pink e o Cérebro

Quem não se lembra dessas duas figuras? Pink e o Cérebro são dois ratinhos brancos de laboratório que tramam os mais loucos planos para dominar o mundo, embora nunca exponha os motivos para tal empreitada esdrúxula.

Criada por Tom Ruegger e Steven Spielberg, a transmissão original se deu ao final da década de 90. A marca desta série é sem dúvida alguma o a expressão presente no início e final de cada episódio:

Pink: - Cérebro, o que faremos amanhã à noite?

Cérebro: - A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pink! Tentar conquistar o mundo!

Analisando essas figuras, temos mais um cenário Neopentecostal.

Pink, o rato mais alto, é magricelo, com dentes tortos e saltados e com atitudes infantis, de modo tão exagerado que beira o cúmulo da ignorância. É peça nas mãos de Cérebro, mas sempre comete besteiras agudas que estragam seus planos mirabolantes. As besteiras de Pink normalmente deixam Cérebro nervoso, mas ainda assim Pink o considera como um grande amigo.

Cérebro, o rato mais baixo, tem uma enorme cabeça, evidenciando sua grande massa cinzenta. Cobiçoso que é, vive tramando planos de conquista. Normalmente seus planos acabam por água abaixo, recheados com mancadas do Pink.

Mas e aí? Onde entram as esquisitices Neopentecostais?

Vou relacionar três delas:

a. Modelos de crescimento exponenciais: para muitos, falar a palavra discipulado é motivo de pânico. Quem quer que tenha participado desses movimentos (ou participa) deve ter ouvido algum líder berrando: “Eu vejo multidões atrás de você!”; “Deus te chamou para conquistar as nações!”; “Estamos no tempo da colheita, e essa é a visão!”; “Eu estou na visão!”; e por aí vai. Até 5 anos atrás, quem não tinha adotado algum movimento de crescimento estava por fora. Era só mais um cristão antigo, que não tinha captado a estratégia de conquista.

Vale o adendo: eu conheço pessoas que filtraram os ensinos desses movimentos e, ao trabalhar com grupos de edificação e crescimento espiritual tiveram resultados positivos. Mas estou aqui tratando das esquisitices destes movimentos que, sejamos francos, causaram muito mais feridas que qualquer outra coisa. Poucos são os que tiverem respeito suficiente pelas pessoas para que tais se tornassem verdadeiros cristãos. A maioria usou dos métodos como instrumento de domínio.

Assim como Cérebro, os líderes viviam forçando seus “Pinks” a “conquistar o mundo”. Forçando multiplicações celulares, impondo sua ideologia e, assim como Cérebro, sua cobiça sem fim, afinal, para tais homens, igreja cheia é sinal de sucesso (para eles, sucesso financeiro principalmente).

Eu fui “Pink” por muito tempo e falo com propriedade. Hoje, nenhum Cérebro me domina, a não ser Cristo, cabeça da igreja.

b. Atos Proféticos: conquista de cidades, estados e nações: é duro saber que ainda nos dias de hoje essa prática perdura. Muitos crentes ainda vivem debaixo de ensinos mágico-gospel liberando sua voz profética determinando um sem fim de vitórias. Como um abracadabra, querem “conquistar o mundo” na marra.

A cidade onde moro, São José dos Pinhais – PR, viu nos últimos anos um sem fim de entregas das “chaves da cidade para Jesus”. Foram tantas e tantas chaves passadas por políticos que, brincadeiras a parte, deu para montar um belo molho de chaves para Jesus. Nada mais que misticismo travestido de cristianismo.

Você deve ter visto em sua cidade tal cena também. Nessa ânsia de encher templos e bolsos, muitos desses “Cérebros” tem feito uso de um sem número de “Pinks” para poder “conquistar o mundo”. O problema dessa dominação acaba desdobrando-se em outros níveis da vida dos crentes, onde o líder é o guru exclusivo para assuntos aleatórios.

c. Sacerdócio: é fato, a maioria das pessoas que hoje entram numa igreja vêem em seu líder um ser místico e mágico-religioso, ou um pai, ou o melhor amigo, etc. Muitos acabam por se submeter a regimes paramilitares-eclesiásticos. Nesses regimes, o Cérebro é o referencial para tudo, e Pink fica a mercê de seus mandos e desmandos.

Tenho uma pessoa próxima que esteve por anos numa denominação pentecostal histórica. Hoje ele faz parte de uma denominação Neopentecostal da onda neoapostólica, e segundo ele está com todos os dias da semana “dedicados à obra”. Como ele mesmo me disse: “fora do trabalho, não me sobra tempo pra mais nada”. Me pergunto o que é isso?! A família, os relacionamentos, a própria vida com Deus é substituída pelo ministério, pelas funções, pelos cargos e afins.

O sacerdote Cérebro é inquestionável, ele é a voz de Deus e ai se Pink questionar seus mandos, é um rebelde! Cérebro manda: “Pink, devemos estar aqui, totalmente dedicados para conquistar esse mundo!”.

Vi um Cérebro desses no meu passado. O controle era tanto que até relatório financeiro era solicitado. Era preciso prestar contas do que era feito com o salário. Enfim, uma fanfarra gospel para que pudéssemos “conquistar o mundo”.

Voltemos ao Evangelho

Como não ser um Pink nas mãos de um Cérebro nesses dias tão fragmentados?Voltemos ao Evangelho.

A dedicação ao estudo da Palavra, o uso da racionalidade diante de cenários tão bizarros e o entendimento que diante de Deus existe o sacerdócio universal dos santos, nos fará uma igreja mais próxima dos moldes gentílicos tão explícitos no Novo Testamento.

Amigo leitor, sugiro de imediato uma atitude para entendimento mais amplo do que é ser igreja: leia o Novo Testamento e faça um estudo mais enfático nas cartas do apóstolo Paulo. Peça ajuda ao professor de Escola Bíblia (sim, em alguns locais elas ainda existem!) de sua igreja para trabalhar com esse estudo. Compre um bom comentário bíblico e mãos à obra!

Estamos na Nova Aliança pelo Sangue de Cristo, espargido no Calvário, portanto, vivamos nela!
Toda honra e glória ao Senhor!



por João Rodrigo Weronka

É mais difícil evangelizar ateus?

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas aos ateus quando um cristão afirma que tem provas científicas da existência de Deus. São geralmente cristãos mal informados. Não existem provas científicas de que Deus exista. E se existissem, teríamos que determinar qual Deus existe: Jeová, Alá, Buda, etc.. Provaríamos isso cientificamente? Jamais! Da mesma forma, os ateus não têm como provar cientificamente que Deus não existe. No máximo, poderiam afirmar: "Até agora, se existe, Ele não se revelou com provas científicas para nós." Calma! Não se assuste, meu caro leitor! Provas científicas são aquelas que podem ser constatadas em laboratório, inclusive serem reproduzidas e visualizadas. Mas Deus é espírito. (João 4:24)

Não podemos colocar Deus num laboratório, e nem poderemos, pois se o fizéssemos, tornaríamos a existência de Deus e nossa fé nEle dependentes dessa prova. E um Deus que depende de provas científicas, materiais, para ser crido, é inferior a essa prova. Deus não precisa disso. Assisti a uma palestra do irmão em Cristo, Augustus Nicodemos, sobre Criacionismo ou Evolucionismo, e dele ouvi as seguintes palavras, aqui parafraseadas: "A briga sobre a existância de Deus não é no campo da ciência, e sim da fé. Assim como os evolucionistas ateus têm fé em que Deus não existe e na teoria da evolução, assim também temos fé em que Deus existe e criou todas as coisas". Sim, tudo é uma questão de fé. Todavia, a fé que os evolucionistas depositam em suas teorias e suposições carece de muitas provas, do contrário não seria teoria. E tais provas precisam ser visíveis, cientificamente palpáveis. Nossa fé em Deus vem do próprio Deus. (Lucas 17:5)

Mas se não há, para os cristãos, provas científicas sobre a existência de Deus, o que nos faz crer nEle? Ele! Fomos eleitos desde a fundação do mundo! (Efésios 1:3, 4) Não me pergunte por que muitos não foram. Não sou Deus para responder. Assim, quando abordamos ateus, com seus inúmeros questionamentos, simplesmente digo a eles: 'Queridos, Deus um dia se revelará a vocês, não de uma forma científica, mas espiritual. Isso ocorrerá, ou antes da morte de vocês, ou depois'. Evidentemente, vou argumentar que "cada casa é construída por alguém, mas Deus construiu tudo" (Hebreus 3:4), todavia os ateus têm outros pressupostos - tudo veio do acaso. Daí, direi: 'Mas o acaso não pode construir algo, pois para ele ocorrer, alguma ação deve ter originado tal acaso. Por exemplo, se por acaso eu encontrar uma carteira no chão, alguém deixou-a cair ali'. Mas os ateus dirão: 'Um acaso gera outro, e o começo disso não se sabe'.

E aonde chegaremos nesse debate? A lugar nenhum. Mas de qualquer forma, devemos pregar Cristo a eles, pois no final, eles serão indesculpáveis perante Deus. Queria que o meus leitores refletissem no seguinte: O Espírito Santo convence o pecador do pecado. Então, Ele convence o ateu de seu pecado também. Mas o Espírito Santo é Todo-Poderoso, e eu não consigo imaginar o Todo-Poderoso Espírito Santo não conseguindo convencer o pecador, mas posso entender que aqueles que não hão de ser salvos jamais receberão essa graça de serem convencidos. Não me entra na cabeça o Espírito Santo tentar convencer quem ele já sabe que não será convencido, ou não ser bem-sucedido em convercer meros humanos infintamente inferiores. Eles apenas terão a oportunidade de ouvir o evangelho através de nós, que não somos Todo-Poderosos, para dizerem NÃO ao evangelho!

Querido leitor, Deus não falha em convencer, nem lhe falta poder para isso. Tanto que muitos ateus foram convertidos a Jesus, não porque quiseram, mas porque o Espírito Santo lhes convenceu de forma irresistível, inquestionável. Imagine isto: Jesus pregou a muitos. Eles não foram convencidos pelo Espírito Santo, ou o Espírito Santo não tentou convencê-los, porque primeiro já sabia que não se converteriam, e segundo, não haviam sido escolhidos desde a fundação do mundo? Creia: Você (cristão salvo) e eu fomos eleitos desde afundação do mundo. Muitos ateus, não. Então, é mais difícil evangelizar ateus? Sim e não. Sim porque os argumentos deles fogem da questão fé, Bíblia, e se concentram na ciência, nas provas, e como não estamos preparado para tais argumentos, nem conhecemos ciência como muitos ateus, torna-se realmente difícil o diálogo; E não, porque também há muitos que creem em Deus e jamais serão convertidos também. Façamos nosso evangelismo de forma cabal.

Os ateus são insensatos por afirmarem "Nâo há Deus" (Salmo 14:1), mas são alvos do nosso amor. Cem por cento dos ateus que hão de ser salvos serão convencidos pelo Espírito Santo. E cem por cento dos que não foram eleitos desde a fundação do mundo, ateus e religiosos, irão para o inferno. E se você é ateu e está lendo essa matéria, e achou Deus injusto, acho bom você rever seus conceitos se realmente você é ateu. Afinal de contas, chamar quem não existe de injusto não é nada científico! Observação: Se você é apologista e acha heresia eu ser calvinista, seja macho e publique em seu site que você acha heresia o calvinismo e, inclusive, não dê palestras em igrejas calvinistas, se beneficiando do dim-dim de quem você acha herege. Quanto a mim, não acho heresia e nem pecado o arminisnismo (ateísmo é pecado), mas acho uma infantilidade espiritual de quem foi eleito e salvo antes da fundação do mundo, mas não cresceu suficiente na fé, a ponto de entender a tão maravilhosa graça irresistível de Deus. De qualquer forma, ver-nos-emos no céu. Mas os ateus que não forem convertidos até sua morte, sinto muito.




por Fernando Galli
do IACS para o INPR Brasil







O falso Deus da Superinteressante

Revistas brasileiras tidas como cientificas às vezes se arriscam em falar sobre assuntos que desconhecem, tais como religião, Deus, Bíblia e Cristianismo. Não é preciso dizer que é um desastre total a intenção destes periódicos quando tratam de um assunto que desconhecem. A revista evolucionista chamada Superinteressante às vezes se torna desinteressante quando trata de assuntos religiosos. Na edição de novembro de 2010 o texto é bem abrupto, e escrito por pessoas que aparentemente desconhecem a Teologia Clássica, e transmitem ideias que mais parecem escritos ateístas.

O titulo proposto pela revista "Deus, uma biografia" é um assunto que deveria ter sido escrito por pessoas conhecedoras da teologia judaica e cristã, para apresentarem o assunto (Deus) de uma maneira mais adequada. Entretanto não é o que vemos nesta edição da Superinteressante. Os autores, José Lopes e Alexandre Versignassi tecem o texto com inúmeras piadas e conjecturas, e chegam a dizer que “Os deuses nasceram do pôquer...” (pág. 60). Dizem que através de seus estudos descobriram que o Deus da Bíblia foi casado, e que sofreu um divorcio litigioso, que era vingativo, ambicioso e que conseguiu se destacar entre os deuses usando o engano e que ao amadurecer se tornou menos falível. No final de seu texto declaram que: “... A saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopéia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência” (pg 67). Uma conclusão que faria Richard Darwins lutar de alegria, afinal é o tipo de ironia que fazem os ateus de nosso século.

Na narrativa dos autores a evolução logicamente está presente, e explicações de antropólogos famosos são citações, para eles, de peso. Afirmam que na historia de nossa evolução deixamos de adorar deuses com formas de animais e que progredimos com a cultura grega. Estão corretos em algumas de suas afirmações, dentre elas, quando dizem que os gregos adoravam deuses que personificavam as forças da natureza. Os autores exploram a semântica e certos nomes como Teiman e Paran, assim como Yamm e Mot, e em um jogo de palavras; passam a impressão de erudição. Toda a reportagem é epigramática e o Deus da Bíblia é apresentado como um mito que se desenvolveu entre a humanidade.

A interpretação que apresentam do salmo 82 é cômica e parece ter sido interpretada por teólogos mórmons. Fazem uso indevido do texto bíblico e são factóides em suas afirmações. O salmo 82 para eles é “uma espécie de Câmara dos Deputados dos deuses, na qual eles se reúnem para discutir assuntos importantes...” (pág. 64). Afirmam ainda que, em um período da historia Javé impôs sua vontade perante os deuses cananeus. Entretanto, o texto em pauta não tem a ver com reuniões de deuses no céu, ao contrário, esta passagem é uma poesia onde Asafe expõe a ironia de Javé sobre os juízes judaicos daquela época. Aqueles juízes estavam debaixo do julgamento de Javé, é como se Deus afirmasse: “Vocês pensam que são deuses, entretanto como homens vocês morrerão”. Um julgamento justo sobre juízes que acreditavam que Javé nunca os puniria por seus erros, e mesmo que fossem tratados pelo povo como deuses, Javé estava alertando-os, “como homens vocês morreram”.

Os autores da Superinteressante foram infelizes ao tentarem interpretar um texto da Bíblia que desconhecem; deveriam sempre, em suas pesquisas, consultar ambas as partes, os teólogos clássicos e os estudiosos seculares, mas como não o fazem, trazem esta desinformação a um publico que em sua maioria desconhece a Bíblia. Os autores finalizam sua reportagem afirmando que “... a saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopéia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência. Neste aspecto, continuamos tão perdidos quanto os antigos que não sabiam por que o trovão trovejava ou o que as estrelas faziam pregadas no céu. Ainda não sabemos por que estamos aqui. E a única certeza é que vamos continuar buscando respostas. Seja o que Deus quiser”.




por Marcos Lopes
da SOPC para o INPR Brasil






Revista Povos

Revista Apologética Cristã

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O Brasil será uma nação evangélica?

 

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