Maria: virgem, santa ou pecadora?

Maria surgiu na história com uma missão específica: trazer o Messias ao mundo, por meio da concepção. Ela figura não mais como um "canal" ou "meio" pelo qual o Filho veio ao mundo. Sua vida pode ser vista como exemplo de fé e devoção, mas não como um objetivo de culto.

Ao nascer, Maria não se distinguiu de nenhum ser humano; ela foi concebida em pecado e assim permaneceu até a sua morte. Ela não foi e não pode ser considerada divina, ou parte da santíssima Trindade. É Jesus e não Maria quem intercede por nós diante do Pai. Amamos Maria, mas adoramos Jesus. Epifânio, um grande apologista cristão do século IV, fez a seguinte observação:

"Não se deve honrar os santos mais do que é justo, mas deve-se honrar o Senhor dos santos. Maria, de fato, não é Deus nem recebeu seu corpo do céu, mas de uma concepção de um homem e uma mulher. Ela é digna de muita honra mas não foi dada para adoração, antes, adora aquele que nasceu de sua carne. Honre-se Maria, mas adore-se o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ninguém adore Maria".

Sempre virgem?

É um erro pensar que Maria permaneceu virgem por toda a vida, uma vez que o relato de Mateus parece não deixar dúvida.

"E José, despertando do sono, fez como o anjo lhe ordenara e recebeu sua mulher, e não a conheceu até que deu à luz seu Filho, o primogênito..." (Mt. 1.24)

Essa passagem declara que, depois do nascimento de Jesus, José e Maria tiveram uma vida conjugal normal como qualquer outro casal. Mateus é incisivo em dizer que "José não a conheceu até que...", uma vez que tanto a palavra "conheceu" como a preposição "até", possuem um mesmo sentido no texto. Primeiro, sempre que a Bíblia emprega o termo "conheceu", ele está associado a uma relação sexual. É o que encontramos em Gêneses 4.1.

"E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim..".

Segundo, sabemos pelos evangelhos que Maria teve outros filhos além de Jesus.

"Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua Mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs?

Esse texto é enfático em afirmar que Maria teve outros filhos além de Jesus, pondo por terra a teoria católica da virgindade perpétua. É fácil de perceber pelo texto que Mateus se refere mesmo a família de Jesus, porque faz referência aos pais do mestre. Logo, seria de se imaginar que os "irmãos de Jesus" eram mesmo irmãos de carne, e não "primos", como o catolicismo quer provar.

Todos pecaram

Também é um erro pensar que Maria foi concebida sem pecado, uma vez que a Bíblia é taxativa ao dizer: "Em iniquidade foi formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl. 51.5). Embora tais palavras tenham sido proferidas por Davi, elas se aplicam a todos os seres humanos. É o que Paulo tinha em mente quando disse: "pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm. 3.23). O pecado trouxe separação entre o homem e Deus, fazendo com que todos nascessem na iniquidade.

Com exceção de Jesus, todos os que vieram após Adão possuem a semente do pecado. Ele faz parte da natureza humana, sendo removido somente pelo sangue de Jesus. Mesmo assim, para ser redimido, o homem precisa ter um encontro com Deus. A salvação é recebida de graça, mediante a fé em Cristo. Isto é, ela resulta da graça de Deus (Jo. 1.16) e da resposta humana da fé (At. 16.31). Maria, como qualquer outra pessoa, não poderia fugir à regra. Ela não poderia alcançar a salvação por si só - ela necessitava da graça de Deus (Lc. 1.29).



Johnny
Bernardo
do INPR Brasil



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Auto-ajuda ou Ajuda do alto?

O aconselhamento secular começa e termina com o ego; o aconselhamento profissional “cristão” começa e termina com cristianismo interpretado através de teorias do “ego”. Ambos os casos são contrários ao que a Bíblia ensina. Não existe um único versículo, de Gênesis ao Apocalipse, que dê uma alusão de apoio aos conceitos de “ego” da psicologia (MT 16.24).

Ao invés de buscar conhecer melhor a Deus através do sofrimento, alguns cristãos procuram conhecer-se melhor através das teorias psicológicas dos homens. Karl Jung, ao se referir à Jesus, disse certa vez: “ Ele é, vocês sabem, ao mesmo tempo macho e fêmea. Mas, sabe, a gente se esquece disso.” Esquece onde ele achou essa versão macho-fêmea de Jesus na Bíblia?

Por incrível que pareça, há inúmeros casos de pastores que deixaram o ministério para se dedicarem à psicoterapia. Infelizmente alguns cristãos preferem à psicoterapia ao invés de buscar a santificação, ao lidarem com problemas da alma. A nossa posição é que a Bíblia fornece tanto uma base espiritual para o crescimento cristão quanto soluções espirituais para problemas mentais, emocionais e comportamentais de origem não-orgânica.



Marcos Lopes
do INPR Brasil






O que é Yoga

Vishal Mangalwadi, cidadão hindu e filósofo por natureza, tem, por um longo período, desenvolvido um ministério muito frutífero entre os hindus. Ao passo que o ocidente volta-se progressivamente para o hinduísmo e para os gurus da “nova era”, precisamos estar preparados para contra-atacar esse falso evangelho.

De acordo com o ensino hinduísta, o problema básico do homem não é de ordem moral e sim metafísica. Esse problema não consiste no fato do homem ser culpado de haver infringido a lei moral de Deus, mas sim no fato dele, por alguma maneira, haver se esquecido de sua natureza verdadeira e estar experimentando ser outro alguém que não ele próprio. O homem não é pecador, ele é apenas alguém que ignora o seu verdadeiro eu. O problema dele está na consciência. A salvação do homem consiste em alcançar aquele estado original de consciência que ele perdeu. A verdadeira natureza ou consciência original do homem é definida de maneiras diferentes por gurus monísticos e não-monísticos. Os gurus monísticos acreditam que Deus, o homem, e o universo constituem enfim uma unidade e ensinam que o homem é uma Consciência Infinita, ou seja, o homem é Deus, mas de algum modo, este se enredou numa consciência finita, pessoal e racional. Enquanto ele permanecer nesse estado ele nascerá sucessivamente nesse mundo de sofrimentos. Salvação consiste em transcender a consciência finita e pessoal e imergir na (ou experimentar tornar-se a Consciência Infinita Pessoal, saindo assim, do ciclo de nascimentos e mortes.

Salvação é uma questão de percepção ou realização. O homem já constituiu uma unidade com Deus e só tem que perceber ou realizar esse fato. Nesse contexto, “perceber” não é uma atividade cognitiva. Não está em pauta a questão do individuo saber intelectualmente ou deduzir logicamente que ele é Deus, mas sim de transcender essa consciência racional cognitiva e experimentar um estado “mais elevado” do desenvolvimento da consciência, que se acredita ser Deus e nosso verdadeiro eu.

Os gurus, bem como os movimentos não-monísticos (o movimento Hare Krishna) não acreditam que o homem seja Deus nem que jamais venha ser. Segundo a seita Hare Krishna, Deus é um Ser pessoal – Krishna. O estado original do homem é o de Consciência Krishna e sua natureza verdadeira é ser um servo amável de Krishna. Mas o homem se esqueceu disso e se envolveu nesse mundo material. Ele tem que restabelecer seu vínculo com Krishna e adquirir Consciência de Krishna. Somente assim o homem sairá do ciclo de nascimentos e mortes e viverá para sempre com Krishna na Goloka ou céu. [1]

Portanto, salvação no hinduísmo consiste em realização, percepção ou experiência do que os hinduístas chamam de natureza verdadeira do individuo. Essa realização ocorre quando o individuo consegue alterar sua consciência e atingir, segundo eles, um estado “mais elevado” de consciência.

Mas como é que se pode alterar a consciência? Através da manipulação de nosso sistema nervoso.

Há milhares de anos, numerosas técnicas foram desenvolvidas para se manipular o sistema nervoso do individuo com a finalidade de alterar-lhe a consciência. Essas técnicas são geralmente chamadas de Yoga. Nsta palestra discutiremos apenas algumas das técnicas que os gurus modernos tem popularizado. [2]

CINCO CAMINHOS PARA A SALVAÇÃO NO GURUÍSMO CONTEMPORÂNEO

HATHA YOGA: Salvação por meio de exercício físico

A Hatha Yoga, que consiste de exercícios físico e de respiração, é um método muito antigo. A crença de que o individuo pode alcançar “salvação” por meio de exercícios físicos baseia-se no fato de acreditar-se que a salvação é um problema de percepção, e que percepção depende do sistema nervoso do individuo, o qual, por sua vez, depende da condição física dele. O sistema nervoso pode ser afetado e a consciência alterada pela manipulação fisiológica do corpo do individuo.

O problema com a Hatha Yoga é que a mesma consiste de um processo longo e tedioso que requerem muita disciplina e um professor competente. Indaga-se muitas vezes se um crente pode praticar a Hatha Yoga. Muitos crentes não acham errado praticá-la, pois a mesma é freqüentemente divulgada como despida de natureza religiosa e vendida por seus valores terapêuticos. Contudo, quando uma pessoa experimenta a alteração da consciência e tem uma “visão de possibilidades” (Mahesh Iogi), ela se torna aberta para a filosofia hinduísta na qual a Hatha Yoga se baseia. Pode haver alguns professores de Hatha Yoga completamente desinteressados em divulgar as bases filosóficas dessa pratica, os quais a ensinam somente para ganhar dinheiro e promover a saúde. Não me sinto qualificado para falar sobre os benefícios terapêuticos da Hatha Yoga, mas me parece que se uma pessoa estiver praticando certos exercícios desenvolvidos na Índia por razões de saúde, ela não deveria dizer que está praticando Yoga, pois os exercícios físicos só se tornam Yoga quando praticados para alterar a consciência, ou causar uma fusão do individuo com Deus. O próprio significado do vocábulo Yoga é “união da alma com “Deus”. [3]

Pode-se indagar, “Que mal há em alterar-se artificialmente a consciência?” Não acho que existe algum mal no estado alterado da consciência por si só. Loucura, sonambolismo e alucinação, apesar de indesejáveis, representam estados alterados da consciência que não são males morais. Contudo, do ponto de vista bíblico, é certamente pecado considerar que a própria consciência alterada seja Deus. E atribuir importância espiritual a exercícios físicos é tornar-se vitima do engano de Satanás.

Há séculos que na Índia o uso de alucinógenos tem sido um método aceitável de alteração da consciência. Mas muitos gurus modernos têm desencorajado o uso dessas drogas por produzirem resultados imprevisíveis, causarem dependência e serem prejudiciais.

JAPA YOGA: “O Caminho Mecânico” para a salvação

Japa é a repetição ou cântico de uma mantra, (geralmente um nome para Deus ou espírito maligno). O movimento Hare Krishna canta os nomes de Krishna e Rama:

Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna, Krishna, Hare Hare, Hare Rama, Hare Rama, Rama. Rama, Hare, Hare.

Os gurus monísticos preferem usar um nome simbólico de Deus, como “Om”, ou uma mantra cujo significado o mediador desconheça, para que o nome ou mantra não venha a criar, por associação, quaisquer pensamentos ou imagens na mente.

A repetição constante de sons elimina todos os outros estímulos, concentrando assim a mente e tornando-a eventualmente em um não-estimulo. Isso induz a um estado em que a mente não é consciente de qualquer coisa ou pensamento, mas somente da própria consciência. A esse estado chama-se Consciência Pura ou Consciência Transcendental. [4]

Para que essa técnica seja eficaz na “realização divina”, o individuo tem que pratica-la cerca de 3 a 4 horas por dia.

Mahrishi Mahesh Yogi, o divulgador da Meditação Transcendental ser uma pratica confidencial, muitos crentes consideram-na uma coisa misteriosa. Realmente a iniciação consistem em um ato muito simples: Ao interessado em ser iniciado pede-se que traga flores, doces, um lenço branco, cânfora e outras coisas alem de uma considerável soma em dinheiro correspondente a uma taxa para a cerimônia “puja”. Durante a cerimônia o professor adora a foto do guru de Maharishi Mahesh Yogi e também pede que o iniciante se curve diante da foto. O professor invoca as bênçãos de vários deuses e deusas e em seguida dá a mantra ao iniciante. Geralmente a mantra é uma palavra curta, o nome de alguma deidade como Ram, Om, Hrim, Sring, Aing. Pede-se ao discípulo que se sente confortavelmente, feche os olhos e repita silenciosamente o mantra, como por exemplo, da seguinte forma: “Ram…Ram…Ram…” por 20 minutos. Informa-se o iniciante de que primeiro se esquecerá do resto do mundo e ficará consciente apenas da mantra. Em seguida ele se esquecerá também da mantra, transcenderá todos os pensamentos e sentimentos e se tornará consciente apenas da consciência. Esse é o estado Transcendental da Consciência.

Depois de algum tempo, o meditador alcança um estado mais elevado de consciência, chamado Consciência Cósmica, em que ele tem consciência tanto do mundo como da Consciência Pura. Então, depois de muitos anos de meditação, o individuo pode atingir a Consciência de Deus, com a qual vem a perceber os níveis mais sutis do mundo objetivo, que se lhe apresenta como pessoal. Nesse estado diz-se que o individuo pode até mesmo se comunicar com pássaros, animais, plantas e pedras. Seguindo esse estado vem o estado final de Unidade de Consciência, em que o individuo percebe a unidade dele mesmo com o universo. Nisso consiste a liberação.

Mahesh Yogi chama esse método de “Método Mecânico para a Concretização de Deus”. Ele diz que é possível concretizar Deus de uma maneira mecânica, pois a concretização de Deus é uma questão de percepção e o “processo de percepção é ambos mecânico e automático”. Para percebermos os objetos externos basta “abrirmos nossos olhos e a visão do objeto vem automaticamente sem o uso do intelecto ou das emoções”. Semelhantemente, para percebermos a consciência interior temos que direcionar nossa atenção para dentro e automaticamente chegamos a percebe-la.

Quer seja interior ou exterior, a percepção é automática e mecânica”, escreve Maharishi. A percepção na direção exterior é o resultado de um aumento progressivo da atividade do sistema nervoso. E a percepção na direção interior é o resultado de diminuição de atividade… até que todo o sistema nervoso atinja um estado de calma, um estado tranqüilo de vigilância. Isso concretiza o seguinte preceito: “Fique tranqüilo e saiba que eu sou Deus… [5]

SURAT-SHABD YOGA: O Caminho do Som e da Luz

“Deus é Luz”, afirmam muitos gurus, e acrescentam que essa luz está dentro de nós. “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus” declaram muitas seitas, acrescentando ainda que esse verbo está dentro de nós. Quando a alma estabelece contato com esse verbo, o verbo a leva de volta para Deus, onde é o lugar original dela.

A Missão da Luz Divina e a Radha Saomi Satsang (Beas), tem sido as principais organizações responsáveis pela popularizacao da Surat-Shabd Yoga no Ocidente. Surat significa alma e Shabd significa verbo, palavra ou som; assim, Surat-Shabd Yoga é a união da alma e do verbo. [6] [7]

As seitas que ensinam esse método tentam manter suas técnicas em sigilo absoluto. As técnicas recebem vários nomes, tais como: Nam (nome) e Updesh (conhecimento), etc. Os vários nomes são atribuídos às técnicas com o intuito de propositalmente enganar não-iniciantes. “nome” e “conhecimento” realmente referem-se a técnicas de manipulação fisiológica dos sentidos e de meditação associada à respiração do indivíduo.

Ao contrario da Meditação Transcendental, as seitas que ensinam o método do som e da luz não iniciam todos que manifestam o desejo de serem iniciados. Não existe um critério definido para julgar se a pessoa está apta ou não para a iniciação: isso depende dos sentimentos arbitrários do iniciador. Algumas seitas estipulam também outros requisitos como: abstinência de bebidas alcoólicas, drogas, alimentações não vegetarianas, etc.

Depois de escolhido para a iniciação, o individuo é conduzido a uma sala fechada onde o iniciador explica a importância do “conhecimento”; do Satsang (o verdadeiro Mestre). O iniciante em perspectiva faz dois votos: um de sigilo e outro de seguir somente a seu próprio guru. Em seguida ele curva-se, ajoelha-se, ou prostra-se diante do guru ou da fotografia deste, e o adora. Depois disso o iniciador ensina-lhe as técnicas de meditação.

As outras seitas que ensinam salvação por meio desse método descrevem suas experiências de modo diferente. Segundo algumas seitas, a Radha Soami Satsang por exemplo, durante a meditação o “terceiro olho” abre-se e a alma sai do corpo através desse olho juntamente com o fluxo do som (Logos ou Verbo), e viaja para o céu. Ao longo do caminho ela passa por muitas experiências maravilhosas e finalmente funde-se em Deus.

KUNDALINI YOGA: Salvação pelo “Poder da Serpente”

A psicologia hindu ensina que no corpo humano, três centímetros acima do reto e três centímetros abaixo dos órgãos genitais, na ponta da espinha está um triangulo no qual localiza-se a Kundalini Shakti, ou o “Poder da Serpente”. O que realmente é a Kundalini ninguém sabe, mas acredita-se que a mesma seja nas cores vermelha e branca. Ela é também descrita como “espiral do poder” ou “energia sexual criativa”. Normalmente ensina-se que a Kundalini permanece encaracolada e dormente, mas quando acorda ela levanta-se e começa a se dirigir para a parte superior do corpo. Nesse trajeto da ponta da espinha à parte superior da cabeça ela passa por 6 centros psíquicos chamados chakras. Cada vez que ela passa por um chakra ela proporciona vários poderes e experiências psíquicas ao individuo. Quando finalmente ela alcança a chakra superior, chamada sahasrara chakra, presume-se que o individuo pode alcançar a libertação e o poder de realizar milagres.

Muitos meios são usados para despertar a Kundalini, os quais variam de exercícios de respiração, como Pranayam, ao manuseio homossexual dos órgãos genitais. O guru mais influente da última década que pregava a Kundalini Yoga era Swami Muktananda de Ganeshpuri, perto de Bombay. Ele descreveu a Kundalini Yoga como “Yoga Maha” (Yoga Magna) ou “Siddha Yoga” (Yoga Perfeita), pois, segundo ele, esta é a única Yoga em que o praticante não tem que fazer nada. Ele somente entrega-se ao guru e a graça deste faz tudo para ele.

TANTRA: Salvação pelo Sexo

Tantra é um sistema freqüentemente considerado como o oposto da Yoga, mas ambos os sistemas visam o mesmo objetivo.

O Tantra é o oposto da Hatha Yoga, pois esta ultima é um método que consiste de muita disciplina e esforço, enquanto o Tantra é, em parte, um sistema de técnicas de prolongar o orgasmo para se experimentar “Deus” ou a “Unidade de Consciência”.

Paulo escreve que quando os homens mudam a verdade de Deus em mentiram e adoram a criatura em lugar do Criador, Deus os entrega a uma disposição mental reprovável, ou à “concupiscência de seus próprios corpos entre si” (Rm 1:24). Essa disposição mental reprovável juntamente com as paixões, conduz tais homens a imundícias e tolices inacreditavelmente profundas.

NOTAS

[1] Outros dualistas ou monistas qualificados explicam o problema do homem e a salvação de modo diferente, mas em quase toas as seitas o problema é metafísico, e a solução é em termos de realização.

[2] Para muitos ocidentais o vocábulo Yoga tem se tornado sinônimo de exercícios físicos de Hatha Yoga. Yoga física é somente uma forma de Yoga. Yoga significa união: a união da alma com Deus ou a fusão da consciência finita com a infinita.

[3] Originalmente a Yoga estava associada à filosofia dualista chamada de Sankhya. Seu objetivo original era a separação de Purush (alma) e Prakriti (natureza). Mas desde então a Yoga tem sido aceita pelas escolas monísticas e seu objetivo tem sido definido como união, e não separação.

[4] A Japa Yoga é também chamada Mantra Yoga. Algumas formas de Japa Yoga se assemelham ao principio de Raya Yoga ou Pantajali Yoga. A Raja Yoga consiste de oito passos. Os cinco primeiros são externos e preparatórios. Os últimos três são internos: concentração, meditação, e experiência de alteração de consciência. O indivíduo deve se concentrar e meditar numa fotografia, ídolo, nome ou pensamento. Essa concentração focalizada pode eventualmente proporcionar uma experiência ou sensação de vazio, a qual, presume-se, é a experiência da Consciência Pura ou Deus.

[5] The Science of Being and Art of Living (New York: New American Library, 1968), p. 291.

[6] A Missão da Luz Divina foi dividida em 2 grupos: um é liderado por Bal Yogeshwar (popularmente conhecido como Guru Maharaj Ji), e o outro liderado por seu irmão mais velho, Bal Bhagwan.

[7] Radha Soami Satsang iniciou o trabalho em Agra (Norte da Índia, em meados do século passado. Recentemente houve uma ruptura e a formação de um grupo às margens do rio Beas no Punjab (Oeste da Índia). Atualmente esse último é mais influente.


Joaquim de Andrade
do NAPEC para o INPR Brasil




Deísmo: a cosmovisão de um Deus ausente

Seguindo a proposta de estudo e análise sobre Cosmovisões e dada a apresentação a respeito do Teísmo darei andamento apresentando uma cosmovisão pouco conhecida, mas que precisa ser apresentada e refutada. Trata-se do Deísmo. E não devemos de modo algum pensar que pelo fato de nos dias de hoje tal cosmovisão não ser muito difundida que a mesma não precisa ser examinada, até por que os ideais do Deísmo permanecem ativos. [1]

Farei uma apresentação histórica sobre o Deísmo, mostrarei os principais expoentes de tal pensamento e os pontos totalmente contrários a fé cristã que tal cosmovisão apregoa. Crenças e Histórico Apesar de alguns pontos semelhantes entre o Deísmo e o Teísmo, é preciso ressaltar logo de início que as discrepâncias são o bastante para fazer de tais cosmovisões coisas totalmente distintas. Uma simples definição sobre o termo pode ser vista abaixo:

“O Deísmo (lat. deus, deus) é etimologicamente um cognato de Teísmo (gr. theos, deus), sendo que as duas palavras denotam a crença na existência de um deus ou deuses e, portanto, é a antítese do Ateísmo.” [2]

Embora creia na existência de Deus, o Deísmo difere do cristianismo ortodoxo por apresentar a cosmovisão onde Deus fez o mundo, mas que não interfere e interage na criação. No Teísmo cremos que o Senhor interfere na criação de modo sobrenatural, ou seja, é a intervenção de Deus em nosso mundo natural, ou simplesmente “milagres”. A crença deísta é que não existem milagres e interferência de Deus na criação. No Deísmo, Deus criou todas as coisas, mas as deixou para que mediante as imutáveis leis da natureza sigam seu curso. Deus é um fazendeiro que não se importa com seu campo. Ou mesmo como um exemplo muito usado para definir a cosmovisão deísta: Deus é como um relojoeiro que deu corda no relógio por ele feito e o deixou para funcionar, sem se interessar em intervir. Vejamos:

“Deísta é alguém que aceita Deus, mas descarta a intervenção divina no mundo. Mais importante que isso, a posição do deísta não é apenas que Deus não realizou nenhum milagre, mas que seria contra a própria natureza divina realizá-los. Deus criou uma ordem natural, e seria irracional e, conseqüentemente, impossível para Ele quebrar a ordem da natureza criada por Ele mesmo.” [3]

Outro grande erro do Deísmo é o conceito de autoridade. Enquanto que no Teísmo a autoridade é a Palavra de Deus inspirada e o testemunho do Espírito Santo, o Deísmo tem como autoridade o primado da razão. Desta forma os deístas até davam crédito ao cristianismo como religião, mas reinterpretaram de modo radical a teologia ortodoxa cristã. Na contramão da parceria sadia entre fé e razão, os deístas relegaram ao Espírito de Deus lugar secundário e substituem a revelação especial das Escrituras pela razão humana. Além disso, negam a existência da Trindade, a encarnação (ou seja, o nascimento do Messias, Jesus Cristo, o Filho de Deus), a autoridade divina da Bíblia, e a expiação através de Cristo. Todo este sistema de crença faz do Deísmo algo, no mínimo, estranho. Mesmo alegando a crença em Deus, o Deísmo se aproxima muito do Agnosticismo e Ateísmo.

Um Deus que não se envolve com Sua criação, faz do todo um vazio angustiante. Faz de Deus um ser distante que não se interessa pela humanidade, que não se preocupa com o pecado e que, como já dissemos, não participou do milagre da encarnação. No Deísmo não temos o milagre da vinda miraculosa e providencial do Filho, para expiação, redenção e justificação, reconciliando todas as coisas; logo, não temos o milagre da ressurreição, e nem mesmo a presença do Espírito Santo. Este “relógio” tende a travar sem a graciosa intervenção do relojoeiro. Enquanto no conceito panteísta a ênfase é muito grande quanto à imanência de Deus, o deísta faz questão de enfatizar a transcendência de Deus, fazendo dEle um “Deus ausente”, tão ausente que se esquecem que o Senhor está imanente à criação em Sua Providência e como um Redentor na pessoa de Jesus Cristo. A origem desta cosmovisão se deu no contexto do Iluminismo, que resumidamente pode ser definido:

“O Iluminismo do século 18 foi um movimento de idéias que buscava libertar a humanidade do erro e do preconceito e alcançar a verdade, o que, por sua vez, produziria liberdade. Muitos pensadores iluministas tinham como alvo a religião, pois eles a consideravam algo que incorporava o erro e o preconceito tão abominados. Em especial, consideravam o cristianismo e todas as outras religiões irracionais e inadequadas à época cientifica. O Iluminismo procurava explicações racionais para tudo o que era real, e a religião não era exceção.” [4]

O cenário armado da racionalidade levou o Deísmo à ênfase no aspecto puramente racional da religião. São também definidos como os pensadores religiosos europeus e norte-americanos dos séculos XVII e XVIII. Os deístas procuraram, diante do cenário Iluminista, adaptar a fé cristã a seu pensamento, sob o medo de que o cristianismo se tornasse irrelevante para o novo mundo (pós-Iluminista). Vale a reflexão interessante de notar como as tentativas de adaptação do cristianismo à cultura vigente podem ser trágicas. É evidente que existe todo um panorama ao qual o surgimento do Deísmo está relacionado. A questão dogmática desta cosmovisão é o resultado da mescla de visões científicas-filosóficas, surgindo na Inglaterra do século XVII e se propagando pela França, Alemanha e Estados Unidos. [5]

Temos em Herbert de Cherbury (conhecido também como Edward Herbert, lord de Cherbury) (1583-1648), a figura precursora do Deísmo, conhecido como “pai do Deísmo inglês”. De certa forma, considerava a fé comum como irracional e lutava contra tal. Em sua linha de pensamento, propôs cinco “noções comuns da religião”, expostas pelo teólogo e historiador brasileiro Alderi Souza Matos:

“Cherbury propôs cinco ‘noções comuns da religião’ que são universais, racionais e naturais: 1. Há um Deus supremo; 2. Esse Deus deve ser adorado; 3. A essência da prática religiosa é a conexão entre virtude e piedade; 4. Os vícios e crimes humanos são óbvios e devem ser expiados pelo arrependimento; 5. Após esta vida haverá recompensas e castigos. Segundo Lorde Herbert, essas noções abrangiam todos os lugares e todas as pessoas. Ele se considerava cristão, embora fosse cético quanto a certas doutrinas, como a da Trindade. Seu livro foi amplamente lido no século XVII e lançou as bases do Deísmo.” [6]

O impacto que o ideal deísta tinha encontrou solo fértil influenciando o pensamento de muitos nomes amplamente conhecidos e sobre fatos históricos extremamente relevantes. Deístas como Charles Blount (1654-1693), John Tolard (1670-1722) e Lord Shaftesbury (1671-1713) levaram de modo ferrenho a filosofia deísta afirmando que o lado de mistério do cristianismo não comprovado por pressupostos racionais deveria ser descartado. O Deísmo foi exportado da Inglaterra para França, vigorando seu ideal entre os filósofos do século XVIII. Dada a influência dos escritos de Herbert e Shaftesbury, traduzidos ao público francês, tivemos obras impregnadas com o pensamento deísta francês levadas ao público inglês, de autores como Rousseau (Jean Jacques Rousseau, 1712-1778) e Voltaire (François-Marie Voltaire, 1694-1778), que apesar de muitos não os considerarem deístas, tinham o pensamento norteado por tal cosmovisão. O impacto foi tamanho que “na França a Igreja Católica Romana lutava contra esses deístas, livres pensadores que acabaram exercendo uma influência fortíssima sobre a Revolução de 1789, que se refletiu em toda a Europa”. [7]

Por fim, a grande difusão deísta se desdobrou com a imigração de oficiais ingleses aos Estados Unidos por força da guerra de 1756-1763. O pensamento deísta influenciou Benjamin Franklin (1706-1809), Stephen Hopkins (1707-1785), Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). Paine é considerado o grande difusor do Deísmo nos Estados Unidos por ser fervoroso militante. Seu livro “The Age of Reason: Being an Investigation of True and Fabulous Theology” (A Era da Razão: uma Investigação sobre a Teologia Verdadeira e a Fabulosa) foi obra de defesa da cosmovisão deísta, com propósito de alcançar os mais simples leitores, com tentativa de destruir as afirmações sobrenaturais apregoadas pela igreja. Impactos Como já havia mencionado, poucos são os que conhecem em nossos dias a cosmovisão deísta e muito menos os impactos que o surgimento do Deísmo causou. É importante destacar os impactos e como esta cosmovisão se “dissolveu”:

“Os deístas acabaram organizando sua própria denominação religiosa. Em 1774 surgiu em Londres a Capela de Essex, a primeira congregação unitária, ou seja, não-trinitária. Em 1785, a King’s Chapel, em Boston, antes anglicana, tornou-se a primeira igreja unitária dos Estados Unidos. Esse fenômeno se repetiu na década de 1790 com muitas igrejas congregacionais da Inglaterra e da Nova Inglaterra. Finalmente, em 1825 foi organizada uma nova denominação, a Associação Unitária Americana, tendo como seminário oficial a Escola de Teologia de Harvard. Todavia, a maior parte dos deístas não se filiou a essas igrejas. O Deísmo se infiltrou silenciosamente na vida política e religiosa dos Estados Unidos. Seu Deus se tornou o Deus da religião civil americana, como se pode ver no lema nacional: ‘Em Deus nós confiamos’. Foi também o precursor da teologia liberal dos séculos XIX e XX”. [8]

Ainda segundo Ferreira e Myatt, o Deísmo “foi um precursor importante da teologia liberal que surgiu no século XIX (...) Visto que o conceito de Deus, no Deísmo, não serve para nada (...) o naturalismo surgiu em seu lugar”. [9] Logo, apesar de dificilmente encontrarmos uma pessoa que se defina como deísta, os ideais do Deísmo estão presentes no cotidiano de muitas pessoas. Como cristão, é preciso batalhar pela Verdade contra os erros deístas. Considerações gerais Alguns reconhecem no Deísmo algumas contribuições, tirando algo de proveitoso desta cosmovisão. O uso equilibrado da razão em assuntos religiosos seria um desses pontos úteis, aplicando a razão contra muitas falácias feitas em nome de uma fé cega. De forma bastante prática, ninguém entra num elevador no 25º andar de um prédio sem ter uma boa dose de bom senso e razoabilidade em saber que chegará sob segurança ao térreo. Da mesma forma em matéria de fé, não se deve abraçar qualquer “ultra” revelação (assuntos revelados fora das Escrituras) sem ponderar sobre os mesmos. Nesta matéria os deístas tiveram como mérito no passado expor muitas fraudes e superstições religiosas. Além disso, a prerrogativa da racionalidade gerou saldo positivo no campo da crítica textual e exegese.

Outros defendem que o Deísmo possibilitou reflexão no aspecto da tolerância religiosa, o que possibilita um diálogo interreligioso respeitoso. Vale sempre lembrar e enfatizar: tolerância não é igual a concordância, sendo assim, é possível dialogar de modo respeitoso sem que isso implique em concordância. O Espírito Santo nos convenceu plenamente da veracidade da fé cristã e este testemunho poderoso é único. Entretanto, o mesmo Espírito nos capacita e instrui a examinar matérias de fé, e neste sentido os fideístas erram ao não fazer uso da razão. Apesar disso, o Deísmo é uma cosmovisão que merece ser rechaçada. Como visto acima, possui inúmeros pontos que divergem a fé cristã e estão sob crítica. Primeiro, é incoerente pensar que um ser poderoso o bastante para criar o universo não seja capaz ou não queira intervir na ordem da criação, ou seja, efetuar milagres. Já que Ele criou a água, qual a dificuldade de dividir a mesma ao meio ou permitir que alguém caminhasse sobre ela? Se Deus criou a matéria e a vida, qual a dificuldade de multiplicar pães e peixes? Para um Deus que criou o universo sem material preexistente, ou seja, ex nihilo, do nada, qual o problema ou dificuldade de fazer voltar a vida um ser já morto, fazer o Messias nascer a partir de uma virgem e após a morte Ele ressuscitar em esplendor e majestade?

Diante do grandioso milagre da criação, milagres “menores” seriam problemas e dificuldades? Segundo, para um Deus que criou o universo e deu à humanidade a oportunidade de viver e multiplicar-se num mundo sob boa dose de bem-estar, qual o problema deste Deus relacionar-se com as pessoas que Ele mesmo colocou na criação de todas as coisas? Um Deus que se preocupou com coisas tão grandes, não se preocuparia com detalhes menores? Pensemos neste maravilhoso e poderoso Deus, que se preocupou com a posição de Alfa-Centauri, fazendo dela a mais brilhante estrela da constelação de Centauro e a terceira mais brilhante do céu, e ao mesmo tempo se preocupa com o íntimo de cada pessoa que habitou, habita e habitará o planeta que Ele criou. Que amor é esse? Por fim, muito se criticou sobre o texto bíblico no início do Deísmo. Os racionalistas alegavam que a Bíblia é fraudulenta e intencionalmente manipulada. Muitos alegavam manipulação do texto profético e que os verdadeiros autores não eram os que de fato aparecem no texto bíblico. No entanto, a arqueologia prova a cada dia a veracidade da Bíblia. As “pedras clamaram” e mais de 25 mil descobertas arqueológicas já foram realizadas sobre o relato do mundo antigo em consonância com a Bíblia.

Infelizmente todo ataque deísta contra os ensinamentos cristãos, como na maioria das cosmovisões conflitantes, não passam de erros cometidos em função de um conhecimento superficial e ingenuidade sobre a Verdade que é Jesus Cristo. Providência Divina Deus não para de trabalhar (Jo 5.17)! Dentro da Teologia Cristã o ato de Deus de sustentar todas as coisas é chamado de providência. O Criador preserva tudo, opera em tudo e tudo está patente ao Seu controle. Na doutrina da providência, temos a soberania de Deus e a criação em conjunto. A doutrina da providência trabalha no sentido de mostrar como Deus conduz todas as coisas segundo seu propósito perfeito:

“Ela procura dar resposta para a pergunta sobre se há uma ordem por detrás de todos os acontecimentos, ou se tudo acontece de modo aleatório (...). Na Escritura, podemos ver três modos nos quais a providência divina se manifesta: na preservação, na concorrência e no governo. Esses três modos providenciais de Deus revelam a maneira e o propósito pelo qual o mundo continua a existir, após ter sido criado, e espantam toda noção de acaso ou fatalismo”. [9]

Em resumo: Deus preserva todas as coisas: Hb 1.1-3; Ne 9.6; Sl 145.15-16; Sl 104.27-29; Mt 6.26; Mt 10.29-30. Deus age em todas as coisas: At 17.28; 1Co 15.10; Is 45.1-2; Gn 45.8; Lc 22.21-22. Deus governa todas as coisas: Ef 1.5; Rm 12.2; Rm 8.28. “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera”. Is 64.4 Não existe sorte, mero acaso ou abandono de Deus. Existe Sua providência em tudo, e por isso, e por quem Deus de fato é, somos gratos, O adoramos e temos comunhão com Ele. Toda honra e glória ao Senhor!

Notas

[1] MACDONALD, Michael H. “Deísmo” in ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol. I. São Paulo: Edições Vida Nova, 1988. p. 402 [2] CORDUAN, Winfried. “Milagres” in BECKWITH, Francis J., CRAIG, William Lane e MORELAND, J.P. Ensaios Apologéticos. São Paulo: Hagnos, 2006. p. 196 [3] ECKMAN, James P. Panorama da História da Igreja (Curso Vida Nova de Teologia Básica). São Paulo: Edições Vida Nova, 2005. p. 86
[4] CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. São Paulo: Edições Vida Nova, 1995. p. 323
[5] MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da Teologia Histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 211
[6] CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. p. 324
[7] MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da Teologia Histórica. p. 213
[8] FERREIRA, Franklin e MYATT, Alan. Teologia Sistemática. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007. p. 300
[9] GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 2002. p. 248



João Rodrigo Weronka
do NAPEC para o INPR Brasil




Reclamantes: Os analistas do caos

Dentre os diversos comportamentos decorrentes das mudanças no mundo pós moderno, encontra-se uma classe de pensadores que cresce assustadoramente – são os críticos ou analistas do “caos”.

É verdade que o diagnóstico e apontamento dos problemas são importantes dentro de qualquer resolução prática. Mas somente a crítica pela crítica não possui qualquer poder transformador.
Do que adiantaria, por exemplo, um médico identificar sistematicamente um câncer, apontando minuciosamente os seus agravamentos e não indicar o tratamento e solução para a cura? Percebo que cada vez mais surgem os diagnosticadores dos problemas, com suas teses, reflexões, compêndios e bibliotecas do caos, enquanto é raríssima a presença dos executores do bem, da justiça e da verdade.

Como disse, a identificação do problema é primordial no processo da restauração, mas estagnar-se apenas na analise da ferida, apenas aprofundará cada vez mais o espanto, o terror e o medo.
De nada adiantaria o profeta Elias analisar a corrupção de Israel, refletir sobre o altar quebrado ou teologizar o contexto social de sua época, senão restaurasse o altar, orasse a Deus e confrontasse a injustiça, o pecado e o engano.

É fato que a Igreja, o mundo e a humanidade estão passando por momentos críticos, de modo que, mais importante do que as análises e reflexões é a necessidade de pessoas que orem como Elias para que a glória de Deus transforme a nação, precisamos neste momento de Simãos (cirineu) para ajudar o próximo a carregar a sua cruz, necessitamos menos de doutores da lei e mais pessoas que destelhem telhados para descer o doente em direção a cura. Precisamos de mais ação e menos teorias.

Analises sem atitudes tem um único poder de transformação – converter o potencial humano em hipocrisia e insensibilidade. O que é válido nesta hora é a análise de uma única pergunta? O que estamos fazendo para mudar esta situação?



Samuel Torralbo
é escritor, ministro do Evangelho, autor da obra "Em Defesa da Igreja" (Ed. Pathos)
e colunista do INPR Brasil







Qual é a melhor maneira para evangelizar um sectário?

A coisa mais importante que nós podemos fazer por aqueles que estão envolvidos em seitas ou falsas religiões é orar por eles. Nós devemos orar pedindo que Deus mude os seus corações e abra os seus olhos (2 Coríntios 4:4). Nós devemos orar pedindo que Deus convença-os da sua necessidade de salvação através de Jesus Cristo (João 3:16). Sem o poder de Deus e a convicção do Espírito Santo, jamais teremos sucesso em convencer alguém sobre a verdade (João 16:7-11).

Nós também devemos viver uma reta vida cristã na frente deles, para que eles vejam a mudança que Deus realizou nas nossas próprias vidas (1 Pedro 3:1-2). Nós devemos orar pedindo sabedoria para sabermos como iremos ministrar a eles de forma poderosa (Tiago 1:5). Depois de tudo isso, devemos estar dispostos e à vontade no nosso compartilhar do Evangelho.

Nós devemos proclamar a mensagem da salvação através de Jesus Cristo (Romanos 10:9-10). Nós devemos sempre estar preparados para defender a nossa fé (1 Pedro 3:15), mas devemos fazê-lo de forma gentil e respeitosa. Eu tive um encontro com alguns membros de uma seita certa vez, e um amigo que estava comigo proclamou a verdade, porém ele não o vez de forma gentil e respeitosa. De fato, os membros da seita eram muito mais “como Cristo” nas suas atitudes e maneiras do que o meu amigo. Nós poderíamos ter ganho a batalha pela verdade, mas nós perdemos a guerra pelas almas daqueles que nós buscávamos alcançar.

Finalmente, nós devemos deixar para Deus a salvação daqueles a quem testemunhamos. É o poder e a graça de Deus que salva as pessoas, não os nossos esforços. Mesmo que seja bom e sábio estar preparado para apresentar uma defesa vigorosa e ter conhecimento sobre as falsas crenças com as quais nos confrontamos - nenhuma dessas coisas irá resultar na conversão daqueles que estão presos nas mentiras das seitas e das falsas religiões. O melhor e o máximo que nós podemos fazer é orar por essas pessoas, testemunhar a elas e viver uma vida cristã na frente delas – confiando que o Espírito Santo irá fazer o trabalho de chamá-las, convencê-las e convertê-las.





Apologética: A Verdadeira Defesa da Fé

Defino Apologética como “a arte de defender a fé dentro do princípio do mandamento de preservação da Palavra de Deus das contaminações do mundo.” O termo tem origem na palavra grega apologia que significa “apresentar a razão” ou “defesa”. Roque M. Andrade em seu livro

“A superioridade da Religião Cristã” – ed. Juerp, pág. 69, afirma: “A apologética vem a ser o conjunto de noções pelas quais se pode empenhar alguém na tarefa de articular qualquer defesa racional”.

E continua: “O cristianismo sempre contou com excelentes apologistas, principalmente no decurso dos primeiros séculos desde seu surgimento na história universal”.

Sim, o cristianismo resistiu às fortes perseguições doutrinárias por parte das seitas porque usou de forma correta e coerente a defesa da fé. A reforma protestante é um grande exemplo, sua base foi a apologética. Costumo dizer para os alunos das faculdades e seminários de ensino teológico que, a base da apologética não é o conhecimento teológico, mas a exposição desse conhecimento. Não basta apenas ter o conhecimento, é preciso saber apresentar tal conhecimento. Defender a fé é oferecer respostas fieis e seguras a todas as pessoas que buscam a Verdade. Assim escreveu Pedro:

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo” . 1ª Pe. 3.15,16.

O versículo manda estarmos prontos. Talvez, jamais encontraremos alguém que faça perguntas difíceis sobre nossa fé; mesmo assim devemos estar prontos para responder caso alguém pergunte. Estar pronto não é só uma questão de ter a informação correta á disposição, é verdade também a atitude de prontidão e vontade de compartilhar a verdade sobre o que acreditamos.

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos, Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”. 1ª Pe. 3,4

Tipos de Apologética

A apologética é um campo amplo e por isso possui cinco classificações: apologética clássica, evidencial, experimental, histórica e pressuposicional. Cada classe busca a melhor maneira de fazer sua defesa da fé. Todas seguem uma linha em harmonia com sua pregação ora literária ora verbal. A apologética sempre teve famosos cristãos desde a era primitiva, devido sua maneira de propagar a fé destruindo todo tipo de argumento contrário á Palavra de Deus, mesmo em meio as perseguições.

Apologética Clássica: A apologética clássica enfatiza argumentos a favor da existência de Deus. Vale-se do argumento teísta para estabelecer a Verdade do teísmo à parte do apelo à revelação especial. O passo inicial da apologética clássica é de chegar à conclusão lógica de que, se o Deus do teísmo existe, milagres são possíveis; na verdade o maior milagre, a criação, é possível. A credibilidade dos milagres é essencial ao próximo passo na apologética clássica.

Apologética Evidencial: A apologética evidencial enfatiza a necessidade da prova para apoiar as afirmações das verdades cristã. A evidência pode ser racional, histórica, arqueológica, e até experimental.

Apologética Experimental: É a experiência como evidência da fé cristã. Alguns apelam à experiência religiosa em geral. Outros à experiências religiosas especiais. O valor da experiência religiosa geral é de valor limitado para a apologética exclusivamente cristã. Na melhor das hipóteses, a experiência geral estabelece a credibilidade da crença em algum tipo de ser supremo (não necessariamente o Deus teísta). No entanto, as provas da experiência religiosa têm sido oferecidas por cristãos e outros. Experiências gerais estão disponível a todos.

Apologética Histórica: A apologética histórica enfatiza a evidência histórica como base para demonstração da veracidade do cristianismo. Esses apologistas acreditam que mesmo a existência de Deus pode ser provada apenas pela evidência histórica. Por um lado a apologética histórica pertence à classe mais ampla da apologética comprobatória, mas é diferente por que enfatiza a importância, até mesmo a necessidade de começar com o registro histórico.

Apologética Pressuposicional: A apologética pressuposicional afirma que é preciso defender o cristianismo a partir do alicerce de certas pressuposições. Geralmente o apologista desta escola de apologética pressupões a verdade básica do cristianismo e depois continua demonstrando que só o cristianismo é verdadeiro.

Deus lhe chamou para defender a fé!

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo”

Isso significa que devemos confrontar questões nas nossas mentes e nos pensamentos expressos por outras que por ventura impeçam a nós e a eles de conhecer Deus. Essa é a essência da apologética.

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos, Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”. 1ª Pe. 3,4

A Bíblia não precisa ser defendida! Afirmam alguns. Sim, a Bíblia é viva e eficaz (Hb. 4.12), mas como sabemos que a Bíblia e não o Alcorão (livro sagrado dos mulçumanos) ou o livro de Mórmon é a Palavra de Deus? A apologética é uma grande necessidade! É um dever de todo cristão fiel á palavra de Deus.

Deus lhe chama para defender a fé com sabedoria, mansidão e unção da Palavra. Defenda a fé e mostre ao mundo o verdadeiro caminho para a salvação. Jesus Cristo, o Senhor!


Alex Belmonte

é Mestre em Teologia, Pós-graduado em Apologética Cristã e Lato Sensu em Heresiologia. Doutorado em Clínica Pastoral atua em ministrações com especialização em História das Religiões, Apologética e Escatologia, possui os títulos Honoris Causa de Doutor em Divindade pela Faculdade Luther King de Teologia e Filosofia de Franca (SP) e Fatecom. Pós-graduando em Línguas Originais (Grego e Hebraico).

Foi membro do Departamento de Educação Cristã da Convenção Batista Nacional (CBN-ES), Coordenador da Jornada Teológica pela Fates – Faculdade Teológica do Espírito Santo (Extensão Itabatã – BA) e palestrante do ICP – Instituto Cristão de Pesquisas.



Reflexões sobre o teísmo e a cosmovisão cristã

A necessidade de cada cristão ter em mente a definição e entendimento da cosmovisão cristã é muito importante, já que a cada dia somos bombardeados por conceitos, filosofias e ideologias extremamente anticristãs. Sabendo que cosmovisão representa a forma como cada indivíduo observa o mundo ao seu redor, discernir “o todo” de acordo com a cosmovisão cristã é essencial.

Existe uma manobra contra a cosmovisão cristã que vai além da paranóia vivida por alguns crentes em seu dia-a-dia, que acreditam mais em teorias de conspiração contra a igreja do que crêem na soberania absoluta e irrestrita de Deus. A igreja deve estar mais alerta com uma severa mudança de cultura que está forçando a mentalidade pós-cristã na sociedade, que começou na modernidade e que hoje, num ambiente pós-moderno ainda vigora.

Para que cada indivíduo que confessa ser cristão possa de fato ser denominado cristão, é necessário que este pense e aja como cristão. Já disseram que a igreja brasileira é muito mais propensa a sentir do que a pensar, e concordo plenamente com tal ponto de vista por tudo aquilo que o cenário evangélico apresenta.

O fato de muitos cristãos ficarem chocados com algumas vozes que tem se manifestado nos arraiais tupiniquins é impressionante. A maioria não está disposta ao labor teológico e a análise daquilo que crê. Poucos estão interessados na reflexão sobre temas pertinentes – ou não – à fé cristã. Isso nada mais é que o modo relativista de pensar que se infiltrou na cultura cristã e que faz com que, em estado de transe, muitos ignorem o fator da veracidade dos fatos. O ranço do pragmatismo grudou na mentalidade de muitos, ao ponto de perderem sua identidade bíblica e desvirtuar sua cosmovisão, trocando o cristianismo bíblico e autêntico por uma religião sincretista e estranha.

Vivemos hoje a época do Censo do IBGE (2010), e infelizmente a maior parte da igreja brasileira está em frenesi pelo resultado a ser divulgado, para saber se de fato os números mostrarão que o ‘povo de Deus’ tem crescido nesta terra. Não sou contra o crescimento da igreja, isso seria contraditório. Quero ver muitas pessoas rendidas aos pés de Cristo e inseridas de fato no Reino de Deus, mas que cresçam não apenas em números, mas principalmente em qualidade.

Gostaria de ver toda essa expectativa sendo lançada de modo mais reflexivo. Se nós, como igreja, nos engajarmos e percebemos que existe a formação de uma barreira contra a cosmovisão cristã, creio que teremos resultados mais positivos, que passam do mero conceito quantitativo e adentram o valor qualitativo do povo de Deus. E qualidade sim é relevante.


João Rodrigo Weronka
do NAPEC para o INPR Brasil





Maria teve outros filhos?

Um dos ensinos mais controversos da Igreja Católica é a virgindade perpétua de Maria. Essa doutrina diz que Maria continuou sendo uma virgem após o nascimento de Jesus, e que as referências bíblicas que sugerem que Jesus tinha irmãos são, na verdade, referências a primos (Catequismo da Igreja Católica, parágrafo 510).

À medida que a adoração a Maria foi aumentando pelos séculos, a Sagrada Tradição se tornou um meio de promover novas doutrinas não ensinadas explicitamente na Bíblia. Maria perdeu sua virgindade depois que Jesus nasceu? A Bíblia revela que Maria teve outros filhos, que Jesus tinha irmãos e irmãs? A Bíblia não declara que Maria permaneceu virgem, uma vez que ela teve outros filhos além de Jesus. Vejamos as seguintes passagens bíblicas que provam o nosso conceito sobre Maria.

Mateus 1:24-25 - "E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher;e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS."

Mateus 12:46-47 - "Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo."

Mateus 13:55 - "Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?" (Vide ainda: Mc. 6. 2-3; Jo. 2.12; At. 1.4; I Cor. 9. 4-5; Gl. 1.19

Uma leitura inicial desses textos bíblicos parece resolver a questão: Jesus tinha irmãos e irmãs. Mas esses textos óbvios são respondidos por teólogos católicos. O argumento principal que eles têm contra esses textos bíblicos é o seguinte:

"Em grego, a palavra para irmão é adelphos, e para irmã é adelphe. Essa palavra é usada em contextos diferentes: filhos dos mesmos pais (Mt 1:2; 14:3), descendentes mais distantes (Atos 7:23, 26; Hb 7:5), os judeus como um todo (Atos 3:17,22), etc. Logo, o termo irmão (e irmã) pode se referir aos primos de Jesus, e nesse caso se refere."

Com certeza há algum mérito nesse argumento. Porém, contextos diferentes dão significados diferentes a palavras. Não é correto dizer que, porque uma palavra tem vários significados possíveis, pode-se transferir um significado qualquer para qualquer texto que use a palavra. Em outras palavras, só porque a palavra irmão significa primo em um texto, não significa que ela tem esse mesmo significado em outro texto. Logo, cada versículo deve ser analisado em seu respectivo contexto, para determinar o seu significado.

Vamos analisar brevemente alguns versículos que lidam com os irmãos de Jesus.

Mateus 12:46-47 - "Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo."

Mateus 13:55 - "Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?"

Se, nesses dois trechos, os irmãos de Jesus não são realmente seus irmãos, e sim seus primos, então quem é a sua mãe, e quem é o carpinteiro? O carpinteiro, em Mateus 13:55, se refere a José. Ainda assim, os teólogos católicos afirmam: "Mesmo o carpinteiro se referindo a José, e a mãe se referindo a Maria, irmãos não significa irmãos, e sim primos." Essa não parece ser uma conclusão legítima. Você não pode mudar todo o sentido contextual no meio de uma frase, a não ser que seja obviamente necessário. O contexto é claro. Esses versículos estão falando sobre José, Maria e os irmãos de Jesus. O contexto todo é um de relacionamento familiar: pai, mãe e irmãos.


Fonte: CARM.Org


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