Giro de Fé

A partir de hoje iremos apresentar algumas das principais notícias que ocorreram ao redor do mundo e que envolvem temas religiosos. Esta será uma breve extensão de nossa coluna "Giro de Fé", que assinamos na revista Apologética Cristã.

A cruzada contra o Islã

No mesmo dia em que o pastor Terry Jones anunciou que sua igreja não irá mais queimar exemplares do Alcorão, um homem foi preso em Nova York por ter queimado uma página do livro "sagrado" em protesto ao projeto de construção de um centro islâmico (que inclui uma mesquita) próximo ao marco zero. Em uma foto divulgada pela Reuters, um outro homem exibia um cartaz com os dizeres "Real Americans Don't Burn Quran" (verdadeiros americanos não queimam alcorões).

Ao mesmo tempo, em Washington, um grupo de manifestantes cristãos protestavam em frente a Casa Branca com páginas do Alcorão nas mãos. Segundo informações do G1, Andrew Beacham, que também participava do protesto, leu algumas passagens do Alcorão, interpretadas como chamados ao ódio contra judeus e cristãos, arrancando em seguida páginas inteiras de um exemplar de bolso em inglês do livro sagrado dos muçulmanos.

Igreja católica de Londres realiza missa para gays

Para surpresa dos londrinos e de alguns católicos conservadores da Grã-Bretanha, foi realizada hoje (11), a primeira missa exclusivamente para gays. O detalhe é que a missa acontece a poucos dias da visita do Papa Bento XVI à ilha e com aval do Vaticano.




De acordo com o presidente do Conselho Pastoral de Missas de Soho, Joe Stanley, "este não é um lugar que oferece uma plataforma para se criticar a doutrina da Igreja. A ênfase é no cuidado com os fieis. Às vezes, as pessoas chegam aqui com lágrimas nos olhos, porque, pela primeira vez, duas partes realmente importantes das suas vidas se encontraram: sua fé católica e sua identidade sexual”.




por Johnny T. Bernardo
do INPR Brasil








O pastor Terry Jones contra o islã

Como pesquisador da religião e, em especial, da religiosidade norteamaricana, estou acompanhando com atenção o desenrolar da crise envolvendo a pequena igreja da Flórida, liderada pelo pastor Terry Jones, que pretendia queimar no próximo sábado (11) exemplares do Alcorão.

A notícia ocorre ao mesmo tempo em que se discute à criação de um centro islâmico a apenas dois quarteirões do que foi o World Trade Center e que, segundo pesquisa realizada pelo instituto Marist, pelo menos 52% dos nova-iorquinos são contra o projeto.

Não é nosso objetivo fazer coro com os que defendem o Islamismo como religião suprema, mas também não devemos sair em defesa de grupos religiosos cristãos (ou supostamente "cristãos") que para impor suas crenças ridicularizam e intimidam outras confissões de fé. Não foi isso que Jesus nos ensinou. Ao comer com os publicanos e pecadores, Jesus demonstrou qual deve ser o tipo de relacionamento que devemos manter com os "outros".

Lembro-me que, até pouco tempo atrás, alguns dos nossos irmãos mais fervorosos travavam uma guerra "santa" contra tudo e contra todos que (em sua ótica "pentecostal") desrespeitavam seus usos e costumes. Passados alguns anos, parece que a visão estereotipa de alguns aloprados "pregadores" das praças está dando lugar a uma nova visão de evangelismo, menos demonizadora mas, porém, com maior ênfase em prosperidade e "cura" espiritual e carnal. Pouco mudou!

A guerra aos livros

Depois de igrejas, mesquitas e institutos, os livros são um dos que mais sofrem com o extremismo religioso. Ray Bradbury, um escritor e visionário americano dos anos 50 e autor de uma obra intitulada "Fahrenheit 451", revelou, em 1953, seu temor de que um dia os livros seriam proibidos por serem considerados uma ameaça ao sistema - algo semelhante acontece no longa "O Livro de Eli" em que um único exemplar da Bíblia é disputado pelos sobreviventes do mundo pós-nuclear.





Outro que compartilha de uma visão semelhante é o autor Fernando Baez, que no livro "História Universal da Destruição dos Livros", estabelece uma linha cronológica em que os livros passam por diversos períodos de perseguição e destruição. O autor revela, por exemplo, a perseguição movida pelo islamismo aos textos cristãos e a queima de títulos pela Igreja Católica durante a Inquisição.

Vejo algo semelhante entre o que pretende o pastor Jones com as investidas nazistas contra o judaísmo. No auge da Segunda Guerra Mundial milhares de cópias da Torá e de outros livros de autoria de judeus foram queimados em redutos nazistas na Alemanha. Por outro lado, em 2009 um grupo de judeus ortodoxos queimaram centenas de cópias do Novo Testamento que haviam sido distribuídos por missionários evangélicos. Segundo o jornal Israeli Maariv, inúmeros estudantes de escolas religiosas judaicas participaram da queima, que teve como líder o rabino Aharon.

O caso da pequena Igreja cristã Dove World Outreach Center, que desde o final de agosto tirou de Nova York parte da atenção mundial, representa um movimento à parte das igrejas cristãs americanas comprometidas com o Evangelho puro e simples.

O Islã é "do" demônio

O pastor Terry Jones é mesmo uma figura. Com seu bigode típico de um sulista e fã de carteirinha do filme Coração Valente, com Mel Gibson (do qual possui um pôster no escritório), Jones é conhecido por andar sempre com uma pistola na cintura. O Correio Braziliense lembra que o Rev. é o autor do slogan "O islã é do demônio" que virou o título do seu livro e que também aparece em canecas e camisetas comercializadas pela Igreja. Em agosto de 2009, a World Outreach Center virou notícia na região quando duas crianças foram à escola vestindo camisetas com a polêmica frase — e foram obrigadas a voltar para casa.

Tudo nos leva à crer que, por trás da propaganda do Rev. Terry, existe algo além do que uma "refutação" ao islamismo. De fato, sua pequena igreja de 50 membros ganhou mais notoriedade no mundo do que o projeto da construção de um centro islâmico em NY. Ainda segundo o Correio Braziliense, a igreja, localizada na pequena cidade de Gainesville, com apenas 114 mil habitantes, ficou cercada durante todo o dia por jornalistas, manifestantes e curiosos. Por telefone e e-mail, milhares de pessoas tentaram enviar mensagens ao pastor Jones. A resposta veio pelo site da igreja: “Entendo o porquê de vocês estarem com tanto ódio. (…) Mas é porque amamos muçulmanos, cristãos, ateus e todo o resto queremos que eles encontrem a verdade. Vocês vão encontrar essa verdade na Bíblia”, diz o texto.

Que dizer a respeito? A intolerância religiosa não deve ser permitida em momento algum, mesmo quando "atacados" por terroristas islâmicos ou por adeptos da seita Suprema do Japão. Devemos sempre, como cristãos sinceros e com amor no coração, demonstrar respeito e solidariedade para com os vivem às margens da sociedade. Devemos mostrar à verdade, mas não impô-la goela abaixo. Jesus nos chamou para transformar o mundo e não para destruí-lo. Chutar "santas" e incitar ódio contra qualquer que seja a confissão de fé não é coisa para convertido. Jesus foi enfático ao dizer:

"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho vós também, por que está é a lei e os profetas". (Mt. 7.12)

Queremos o respeito dos hindus, dos muçulmanos, dos budistas, dos xintoístas, mas não respeitamos suas crenças, ofendemos seus líderes, quebramos suas imagens, queimamos seus livros etc. Os americanos choraram após o 11 de setembro, mas também sofreram os que perderam familiares vítimas das bombas atômicas de 1945, as vítimas da intervenção americana na Coreia, Vietnã, Afeganistão, Iraque e das diversas operações secretas da CIA nos países em desenvolvimento. Se queremos paz, temos de difundir a paz, e não o ódio. Jesus nos deu o exemplo. Agora, cabe a cada um de nós seguir o que é certo e honroso.




por Johnny T. Bernardo
do INPR Brasil






Análise do Ministério Cresciendo en Gracia












Em 1988, o grupo “Creciendo em Gracia” foi fundado na cidade de Miami, Flórida, EUA., pelo portorriquenho José Luis de Jesús Miranda.

Em 1993, em Porto Rico, durante a terceira convenção anual, José Luis de Jesús foi proclamado “Apóstolo” por seus seguidores. Anos depois, ele mesmo se declararia “Jesús” em carne e adotaria como símbolo do seu ministério o número 666. [1]

Creciendo en Gracia é uma organização que se caracteriza por negar a existência do pecado e, por conseguinte, do inferno. O grupo instiga seus seguidores a tatuarem o número 666 porque, de acordo com sua fé, não é um número satânico, mas de sabedoria. Também tatuam no corpo as iniciais da frase “Salvo, Sempre Salvo” (SSS) [2] como sinal de que, ainda que cometam erros, não são pecadores, mas sempre serão abençoados, pois Cristo levou seus pecados na Cruz. Deste modo, pregam que o seguidor da seita pode viver uma vida totalmente entregue ao pecado, o qual para eles não é real.

Principais doutrinas

À seguir, esboçaremos as principais doutrinas do grupo:

a) Preexistencia da alma

Os seguidores da seita ensinam que os seres humanos existiam como seres espirituais antes de nascerem: “Antes de ser formados em carne no ventre materno, fomos criados em espírito antes da fundação do mundo” [3], dizem, e usam Hebreus 12.9, onde a Bíblia diz que “Deus é o Pai dos espíritos” para justificar suas crenças. Apóiam igualmente em Jeremias 1.5, que diz “Antes que te formasse no ventre, te conheci”, interpretando o texto da seguinte maneira: “O que Deus conheceu foi seu espírito (...) Deus criou muitos espíritos antes da fundação do mundo.

Posteriormente, estes anjos foram tomando corpos enquanto passavam pelo ventre”[4], fazendo uma grande confusão ao confundir anjos com espíritos, transmitindo a falsa idéia de que a humanidade está composta de anjos encarnados.

b) O evangelho da Salvação pregado no Céu

O grupo não apenas ensina que existíamos como espíritos ou anjos antes da nossa existência na terra, mas também afirma que durante nosso período como anjos no céu, Deus mesmo nos pregou “o evangelho da nossa salvação” [5]. Difícil, no entanto, é entender a razão dessa pregação, pois uma vez que no céu não existe pecado, do que deveríamos ser salvos? Além disso, a Bíblia ensina que o evangelho da salvação é a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus (1Co 15.1-4), portanto, isso não aconteceu antes da vinda de Jesus à terra para pagar nossos pecados.

c) Adão e Satanás são a mesma pessoa

Segundo o ministério “Creciendo em Gracia”, Adão é a serpente, o diabo e satanás. Dizem que no princípio “um anjo se exaltou, e Deus o lançou à terra. No trajeto, ele chegou à terra como um homem” [6], e foi posto no jardim do Éden.

Eládio Ramos, um dos pastores importantes do “ministério”, afirma que na tentação, Eva não teve um diálogo com uma simples serpente, mas “estava falando com o próprio Adão, e foi ele quem lhe disse: No dia que comeres, seus olhos serão abertos e serás como Deus”, e conclui: “Era ele [Adão], a serpente antiga que se chama Diabo e Satanás”. [7]


Leia o texto completo com as notas aqui


por Leonardo Gonçalves


O consultório da vovó Júlia











Certo dia, ao passar pelo centro de São Paulo, recebi de uma jovem um panfleto que trazia a seguinte informação:

“Abra seus caminhos. Vovó Julia. Se você esta com problemas na sua vida com desânimo, doença, impotência sexual, frieza, problemas amorosos, casamento em decadência, filhos problemáticos, má condição financeira, problemas com sócio e no comércio, desempregado, inimigos ocultos, trabalhos feitos, dou garantia com seriedade dos meus trabalhos e soluções para todos os seus problemas. Simpatias para todos os fins com a força da Vovó Julia, ela irá resolver todos os seus problemas. Às 2ª feiras correntes positivas pelas 21 linhas brancas com passes e defumações, rezas e benzimentos para abrir caminhos, corta olho grande, curas espirituais. Nervosismo e insônia. Faz simpatia para o amor na sua presença com total garantia e seriedade. Fazemos o que os outros só prometem”. [1]

A jovem disputava o espaço com outros panfleteiros, que distribuíam anúncios de agências de emprego, empréstimo consignado, consulta odontológica, convênio médico etc. O fato despertou minha atenção para uma verdade incontestável: o aspecto materialista e pouco espiritualizado das religiões.

Entrei em contato com a vovó Julia e perguntei sobre preços. Para minha surpresa e espanto, o preço de “consulta” cobrado por ela era superior ao de uma consulta odontológica ou psicológica em clinica especializada. Como parte do “pacote espiritual”, ela disse ser capaz de fazer “o que os outros só prometem”. Perguntei a ela quem seriam “os outros”, e ela me disse que são os “picaretas”, os “malandros da praça” os “falsos cartomantes”. Mas há diferença mesmo entre um e outro cartomante? – pensei comigo mesmo ao ouvir ela dizer sua última mentira. É natural que exista disputa entre empresas e comércios de um mesmo seguimento, mas poucos esperariam que entre os cartomantes houvesse tal disputa comercial. Mas de fato há. E ela é acirrada.

Mexer com a fé de uma pessoa é algo extremamente lucrativo, principalmente quando a tal pessoa se encontra em um momento frágil, de perda de filho, marido ou crise financeira ou conjugal. Aí qualquer palavra que o cartomante diga, por mais banal e supérflua que seja, pode despertar no ouvinte uma crença cega e muitas vezes destrutiva. Vejamos o que diz Paulo Sérgio Batista.

“O fato de alguém ter algumas coisas de sua vida supostamente “reveladas” através da astrologia não deve ser suficiente para acreditar que a astrologia é verdadeira ou algo divino. A Bíblia declara que pessoas faziam pedidos a pedaços de madeira e estes pedidos eram respondidos por um espírito maligno que usava aquele objeto como um meio de engano (Oséias 4.12), e também a mesma Escritura condena toda forma de adivinhação ou predição do futuro (Deuteronômio 18.14). Algumas coisas podem ocorrer por alta sugestão ou por influências malignas, visto que o Senhor Deus não descarta a possibilidade de uma predição futura que seja de origem maligna se cumprir para enganar aos incautos (Deuteronômio 13.1-3)”. [2]

É preciso muito cuidado quando lidamos com pessoas que dizem poder “revelar” nosso futuro, prever encontros amorosos ou oportunidades de negócio. Não são poucos os casos de pessoas que se suicidaram ou cometerem atrocidades ao dar ouvidos a espíritos enganadores. A solução para nossos problemas esta em Jesus, e em nenhum outro meio humano ou “sobrenatural”.

Referências Bibliográficas

1. Abra seus caminhos, panfleto explicativo

2. Manual de Respostas Bíblicas, p. 73, Paulo S. Batista, editora Betesda



por Johnny T. Bernardo
do INPR Brasil





Novas Luzes ou pisca - pisca? (III)

Jeová é o “Pai das luzes [celestiais], com quem não há variação da virada da sombra”. (Tiago 1:17). Percebam: não há variação de sombra em Deus! Ele é todo luz, sem mudança gradativa. Ele diz: “Pois eu sou Jeová; não mudei (Malaquias 3:6). Sobre o Filho de Deus, diz o escritor de Hebreus: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre” (Hebreus 13:8). Deus não muda. Nós é quem mudamos. Nós é quem temos de nos adaptar ao conhecimento de Deus e não o contrário. Todo o conhecimento de que precisamos sobre Jesus e sobre seu Pai e o Espírito Santo está consagrado nas Escrituras. Basta ler. Basta crer. Basta sentir o toque do Espírito em nossas mentes, sem necessidade de intermediários.

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus”. (1 Coríntios 2:13-14, ARA).

Toda essa modificação de ensinos, os erros com datas, profecias que não se cumpriram (1914, 1925, 1975...), com geração que “não morrerá antes de vir o fim”, com procedimentos internos, etc., apenas prova uma coisa:

“No entanto, o profeta que presumir de falar em meu nome alguma palavra que não lhe mandei falar ou que falar em nome de outros deuses, TAL PROFETA TERÁ DE MORRER. E caso digas no teu coração: ‘Como saberemos qual a palavra que Jeová não falou?’ QUANDO O PROFETA FALAR EM NOME DE JEOVÁ E A PALAVRA NÃO SUCEDER NEM SE CUMPRIR, ESTA É A PALAVRA QUE JEOVÁ NÃO FALOU. O profeta proferiu-a presunçosamente. Não deves ficar amedrontado por causa dele.” (Deuteronômio 18:20-22).

Sim, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová É UM FALSO PROFETA. Não é preciso conjeturar muito. Eles pregam um Deus que usa um “pisca-pisca” para seus servos, e não o verdadeiro Jeová da Bíblia, em quem não há variação de sombra. O meu alerta e recomendação sincera aos que estudam a Bíblia com elas, ou são Testemunhas ativas, ou mesmo cristãos verdadeiros que estão pendendo para o lado de lá (que heresia!) é que leiam com cuidado Deuteronômio 13:1-5, em especial os versículos 3 e 4:

“Não deves escutar as palavras deste profeta ou o sonhador daquele sonho, porque Jeová, vosso Deus, vos está pondo à prova para saber se amais a Jeová, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Deveis andar seguindo a Jeová, vosso Deus, e a ele deveis temer, e seus mandamentos deveis guardar, a sua voz deveis escutar, e a ele deveis servir, e a ele vos deveis apegar”.

Que a Paz de Deus esteja com todos nós!



por Cleber Tourinho

ex-testemunha de Jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Científica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia




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Quem tem medo da apostasia? (III)

Eu particularmente acho que é receio de que várias mentes juntas acabem encontrado algo que eles querem esconder... porém, segundo a liderança da seita, eles estão alertando para a proteção contra a apostasia. Pois até hoje milhões de Testemunhas de Jeová se submetem a isso. Não podem debater suas ideias. Não podem discordar. Não podem pensar por si mesmas. Quem faz o contrário é taxado de independente, de fraco na fé, de prospectivo apóstata.

Lembro-me de que certa vez foi realizada uma breve reunião comigo e com dois anciãos, antes mesmo de eu me batizar, pelo simples fato de eu ter falado com alguns irmãos que achava a teoria do Big Bang coerente com o criacionismo. Quase me disciplinam por isso! O mais interessante é que, dois anos depois, foi lançado o livro “Existe um Criador que se Importa com Você?”, no qual o Corpo Governante diz ser possível imaginar o Big Bang como uma forma de Deus ter criado o Universo...

Pois voltando ao nosso foco, fica uma pergunta no ar: será que, se você tem a verdade, está convicto disso, sabe que nada a pode abalar, que não você mesmo enquanto pessoa, mas as convicções que possui, o que, então, pode te desviar do caminho? Há uma frase muito que diz que “a verdade não teme a mentira”. Além disso, em 2 Coríntios 13:8, diz Paulo: “Pois, não podemos fazer nada contra a verdade, mas somente a favor da verdade” (NM), ou, conforme a ARC: “Porque nada podemos contra a verdade, a não ser em favor da verdade”. Então, por que esse medo todo? A fim de dizer que ninguém deve entrar em contato com pensamentos contrários ao da Sociedade, o Corpo Governante usa o texto de 1 Coríntios 10:12: “[...] quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia”. Mais uma vez, usa-se um texto isolado, pois Paulo fala neste capítulo sobre as tentações mundanas, carnais, idolatrias, etc., o contexto não tem nada a ver com o aspecto espiritual ou intelectual, o debate sadio sobre crenças e valores cristãos.
Para redarguir esse texto, eu utilizo duas passagens significativas escritas pelo apóstolo Paulo. A primeira está em 2 Coríntios 10:4, 5 (NM):

“Porque as armas de nosso combate não são carnais, mas poderosas em Deus para demolir as coisas fortemente entrincheiradas. Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus; e trazemos todo pensamento ao cativeiro, para fazê-lo obediente ao Cristo”.

Ora, aqui estamos vendo a verdadeira posição do cristão que tem convicção de sua fé diante da apostasia: realizar um verdadeiro combate espiritual. Demolir os raciocínios contrários ao Cristo. Isso exige conhecimento de causa. Pesquisa. Análise do inimigo. Embate frontal. Experiência espiritual. Nada de medo! Nada de fraqueza, nem covardia!“Porque Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de poder, e de amor, e de bom juízo. Portanto, não te envergonhes do testemunho a respeito de nosso Senhor, nem de mim, prisioneiro pela causa dele, mas participa em sofrer o mal pelas boas novas, segundo o poder de Deus” (2 Timóteo 1:7-8). “Mas, quanto aos covardes [...] terão o seu quinhão no lago que queima com fogo e enxofre. Este significa a segunda morte.” (Apocalipse 21:8). Que poderosa ilustração! Reduzir o pensamento apóstata, isto é, que se desviou do conhecimento de Deus, do amor de Cristo, à condição de cativo. Esmiuçá-lo, destruí-lo, destroçá-lo!

O próximo texto é o de Romanos 8:31-37. Nele, Paulo fala que, não importa o tipo de provação que os cristãos passem, eles podem estar certos de que, no final, seremos “mais que vencedores” (ARC) ou “[...] em todas estas coisas estamos sendo completamente vitoriosos, por intermédio daquele que nos amou”. Veja só, que certeza espiritual fortíssima! Então, para que o medo? Para que o desespero?

O Corpo Governante diz que as TJ’s devem confiar em absoluto apenas em seu “alimento no tempo apropriado”, que muitas vezes, ao longo da história, teve o cardápio substancialmente modificado. Dizem que, se houver dúvidas, devem pesquisar apenas as publicações da Sociedade. Pois bem. Na categoria de educador, desafio qualquer pessoa a dizer que conseguiu aprender algo sobre um assunto desafiador e vital apenas por ouvir falar, pela boca de terceiros, sem ir diretamente à fonte, caso esteja disponível. É como dizer que sabe tudo sobre Paulo Freire lendo apenas os livros de Moacir Gadotti, sem nunca ter saboreado a “Pedagogia da Autonomia”, ou que conhece o pensamento filosófico de Nietzsche apenas através das aulas de Oswaldo Giacóia Júnior, sem, contudo, ter tido acesso ao “Assim falou Zaratustra” ou ao delicioso “Humano, Demasiado Humano”... Isso seria, no mínimo, desonestidade intelectual. Além do mais, a própria Palavra de Deus diz:

“Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação” (Provérbios 18:13, NM).

“Pleiteia a tua própria causa com o teu próximo e não reveles a palestra confidencial de outrem; para que não te envergonhe aquele que escuta e não se possa revogar o relato mau da tua parte” (Provérbios 25:9-10, NM).

Portanto, se você está lendo agora este texto e ainda é Testemunha de Jeová, saiba que já está em contato com o que a Sociedade considera “apostasia”, mas que, na realidade, não é nada mais, nada menos, que uma forma diferente de ver os pontos de vista da religião da Torre de Vigia. Lembre-se de que está provado, sem sombra de dúvidas, de que as Testemunhas não possuem dogmas, no sentido de serem “verdades absolutas, definitivas, imutáveis, infalíveis, inquestionáveis e absolutamente seguras sobre a qual não pode pairar nenhuma dúvida”. A “verdade” da Organização da Torre de Vigia muda a todo o tempo. O que hoje é aceito, amanhã pode ser totalmente modificado. Assim, você pode, sim, questionar, debater, perguntar, duvidar e, principalmente, orar a Deus pedindo ajuda para resolver suas questões mais íntimas quanto ao que crê como sendo certo.

Não tenha medo de consultar outras fontes, sejam elas no Índice das Publicações da Torre de Vigia, no CD-Rom da WatchTower Library, ou mesmo no Google. Seja honesto com você mesmo. Aprenda por si mesmo. Deixe Deus te direcionar, e não uma classe de homens velhos que nem sabem direito o que é o dia-a-dia de lutas que você enfrenta para servir ao Deus Verdadeiro, pois passam o tempo todo viajando pelo mundo ou em seus gabinetes refrigerados resolvendo assuntos que não têm a mínima ideia do que significa e modificando a existência de pessoas que eles nunca viram na vida. Acima de tudo, siga o conselho de 1 João 4:1 (NM): “Amados, não acrediteis em toda expressão inspirada, mas provai as expressões inspiradas para ver se se originam de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora”.

E se você ainda tem medo da “apostasia”, tome para si a seguinte determinação:

“Tenho posto a minha confiança em Deus. Não temerei. Que me pode fazer o homem terreno?” (Salmos 56:11, NM).




Cleber Tourinho

ex-testemunha-de-jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Cientifica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia


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Novas Luzes ou pisca - pisca? (II)

O que entendemos? Primeiro, que o Corpo Governante está indo além das coisas escritas na Bíblia (1 Coríntios 4:6). Segundo, que está torcendo as Escrituras para justificar uma falha grave deles: quando determinado ensino não cabe mais na realidade cotidiana, ou incomoda a maioria dos irmãos, ou mesmo está insustentável, como a mudança do termo “geração” ou a limitação à “chamada celestial”, muda-se tudo! Vejamos o que diz Atos 1:6: “Tendo-se eles então reunido, perguntavam-lhe: ‘Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?’” Quanto a esse texto, diz o livro Raciocínios, p. 162:

“As Testemunhas de Jeová não professam ser profetas inspirados. Cometeram enganos. Como no caso dos apóstolos de Jesus Cristo, tiveram às vezes expectativas erradas”.

É verdade que os apóstolos de Cristo estavam com expectativas erradas. Mas nos tratos com Seu povo, desde os tempos de Noé, Deus tem acrescentado entendimento progressivo, e não modificado o tempo todo o conhecimento deles com “novas verdades”. Ninguém sabia quem era a semente de Gênesis 3:15. Pensava-se que fosse Caim. Depois, o Israel carnal. Depois que seria Davi. E por aí vai. Com a vinda de Jesus, porém, tudo ficou esclarecido! O conhecimento CRESCEU, não se modificou, mesmo que muitos conjecturassem várias coisas. Da mesma forma, com a ascensão de Jesus aos céus, os apóstolos pensavam que o Reino seria estabelecido politicamente, mas eles estavam enganados. Desafio qualquer Testemunha de Jeová a me provar que esse engano dos apóstolos foi ensinado para os outros cristãos, ou que eles escreveram cartas incentivando as igrejas do primeiro século a pensar assim. Nunca! Eles apenas pensavam erroneamente, mas não distribuíram esse ensino como verdade absoluta e depois quiseram modificar as coisas.

Daí eu pergunto: O que os leitores achariam de um Deus que muda o tempo todo? Sim, o Deus das TJ’s muda o tempo todo de opinião, pois se a Bíblia diz que todas a luzes vêm dele, logicamente, as luzes da Sociedade Torre de Vigia devem vir de alguém... E não me venha com esse papo de que não são “mudanças de ensino” e sim “ajustes de pensamento”, e que os antigos apóstolos passaram pela mesma situação. A Bíblia mostra, sem sombra de dúvida, que o ensino sobre o Messias e sobre os propósitos de Deus foram expostos progressivamente para seu povo Israel. Não foi mudança de ensino ou ajuste de entendimento. Foram reais ACRÉSCIMOS AO CONHECIMENTO e não modificações. Uma coisa é você aumentar a sua conta no banco, se tiver 1.000 reais colocar mais 500. Outra, bem diferente, é você ter 1.000 reais, depositar 500 Pesos Argentinos e querer que dê um saldo de 1500 reais! Impossível! São moedas (ensinos), mas não tem nada a ver uma com a outra... Sempre haverá diferença, pois você não acrescentou a mesma substância ao seu saldo.

Quanto a esse aspecto do assunto tratado nessa crônica, eu creio que os cristãos verdadeiros, em qualquer tempo, têm de crer em uma Igreja Única, Santa, Universal, dirigida pelo Espírito Santo e que é Inabalável, Eterna, a Noiva de Cristo pura e imaculada. Essa Igreja não tem placas, não tem um “Corpo Governante”, pois cada um de nós renascidos em Cristo Jesus somos pedras vivas desse prédio, responsável pela sua edificação, tendo Cristo como a Pedra Angular (1 Pedro 2:5). Somos “‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz”. (1 Pedro 2:9). Se a Igreja de Cristo já está na luz, para que precisamos de mais iluminação gradativa? Para que estarmos o tempo todo à espera de “novas luzes”? Isso não existe!


Cleber Tourinho

ex-testemunha de Jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Cientifica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia


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Quem tem medo da apostasia? (II)

Outro exemplo é retirado da Sentinela de 1º de maio de 2000, p. 9-10:

"Alguns apóstatas usam cada vez mais alguma forma de comunicação em massa, inclusive a Internet, para divulgar informações falsas sobre as Testemunhas de Jeová. Em resultado disso, quando pessoas sinceras pesquisam nossas crenças, elas podem encontrar casualmente propaganda apóstata. Até mesmo algumas Testemunhas inadvertidamente se expuseram a esta matéria prejudicial. Além disso, os apóstatas participam ocasionalmente em programas de televisão ou de rádio. Qual é o proceder sábio a seguir nestes casos?

O apóstolo João orientou os cristãos a não acolherem apóstatas na sua casa. Ele escreveu: “Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois, quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iníquas.” (2 João 10, 11) Evitarmos todo o contato com esses opositores nos protegerá do seu modo corrupto de pensar. Expor-nos aos ensinos apóstatas divulgados pelos diversos meios de comunicação moderna é tão prejudicial como acolher o próprio apóstata na nossa casa. Nunca devemos permitir que a curiosidade nos leve a tal rumo calamitoso! — Provérbios 22:3"

Pois bem, diante de tais exemplos, torna-se claro que as testemunhas são desestimuladas peremptoriamente a sequer abrir o Google e colocar a frase “Testemunhas de Jeová”. Não devem nem mesmo ter blogs defendendo sua fé, sabia? Basta ver o caso recente da desassociação do irmão Sebastião Ramos... pesquisem e verão!
No jornal interno “Nosso Ministério do Reino” de setembro de 2007, p. 3, pergunta-se à Sociedade:

"Será que o “escravo fiel e discreto” aprova que grupos de Testemunhas de Jeová se reúnam à parte da congregação para realizar pesquisas ou debates sobre a Bíblia?A resposta do Corpo Governante? Leiam:

Não. Mesmo assim, em várias partes do mundo, alguns dos que se associam com a nossa organização formaram grupos para realizar pesquisas independentes sobre assuntos bíblicos. Alguns fazem parte de grupos que pesquisam o hebraico e o grego usados na Bíblia a fim de analisar a exatidão da Tradução do Novo Mundo. Outros pesquisam assuntos científicos relacionados à Bíblia. Esses grupos criam páginas na internet e salas de bate-papo que têm por objetivo trocar idéias e debater seus pontos de vista. Também organizam palestras e produzem publicações para divulgar suas conclusões e complementar o que é transmitido em nossas reuniões cristãs e publicações.

[...] Certamente somos gratos pelas provisões espirituais de Jeová nestes últimos dias. Assim, “o escravo fiel e discreto” não apóia quaisquer publicações, reuniões ou páginas na internet que não sejam produzidas ou organizadas sob a supervisão dele. — Mat. 24:45-47." (grifos nossos)

Revoltante, não é? Como pode uma organização que diz possuir “o maior programa de educação bíblica de todos os tempos”, com representantes em mais de 200 países, desencorajar que pessoas sinceras se reúnam para compartilhar entre si das preciosas verdades bíblicas e aumentar seus conhecimentos sobre Deus e seu Reino?


Cleber Tourinho

ex-testemunha-de-jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Cientifica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia


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O que é o Santo Daime

O Santo Daime é a religião fundada em 1930 pelo seringueiro Raimundo Irineu Serra. Ele fundou o Santo Daime após conhecer os efeitos alucinógenos da bebida indígena ayahuasca, que é uma combinação de dois vegetais da Floresta Amazônica: o cipó Jagube e a folha chcrona.

Segundo Irineu, o chá de ayahuasca possibilitou a ele ter visões, numa das quais “apareceu” a ele uma mulher chamada Clara, que se dizia Nossa Senhora da Conceição, a “Rainha” da floresta. Teria sido ela que deu o nome à bebida e a religião que posteriormente Irineu iria fundar.

Ramificações

Após o Santo Daime – que ganhou fama internacional -, surgiram outras comunidades que também fizeram do chá ayahuasca a base principal do seu culto. São elas:
  • Barquinha
  • União do Vegetal
  • Céu de Maria
Esta última ganhou os holofotes da imprensa com o assassinato do cartunista Glauco, fundador da referida comunidade e um dos principais responsáveis pela divulgação da doutrina no sul e sudeste do Brasil.


Johnny Bernardo
do INPR Brasil






Revista Povos

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