As raízes do neopentecostalismo brasileiro

Em maio de 2010 surgia a mais nova denominação neopentecostal brasileira: a Igreja Mundial Renovada. Também conhecida como Igreja Renovada da Fé em Jesus Cristo, a IMR surgiu um mês após a saída do Bispo Roberto Damásio da Igreja Mundial do Poder de Deus. Membro da cúpula da IMPD (à época, terceiro no poder após o Bispo Josivaldo Batista), Roberto Damásio anunciou a sua saída no dia 20 de abril, sem revelar os reais motivos. No mês seguinte, a IMR estreia seu primeiro programa na NGT. Passados quase dois anos (completará no próximo mês, 29), a Igreja Mundial Renovada já possui diversas filiais pelo Brasil e chegou à África. Sua presença nos meios de comunicação continua ativa e em fase de crescimento, com participação nas tardes e madrugadas da Rede TV, além de diversos programas radiofônicos. 

O rápido crescimento da IMR e de outras denominações neopentecostais se explica em parte pela ofensiva de sua liderança e pelo espírito mercantilista que caracteriza suas atividades. O poder da comunicação e a ênfase nas campanhas de cura e libertação são características comuns do Neopentecostalismo. Quando falamos por Neopentecostalismo, estamos nos referindo aos grupos cuja origem remonta aos movimentos de confissão positiva dos EUA, através de líderes como Essek William Kenyon e Kenneth Hagin. No Brasil, apesar de estabelecida a década de 70 como o período em que começa a se desenvolver o que Paul Freston chama de “terceira onda pentecostal”, o Neopentecostalismo surge a partir de um conjunto de elementos característicos da “segunda onda pentecostal”, como o uso da mídia audiovisual na difusão doutrinária, o liberalismo, o combate às religiões de possessão e as campanhas de prosperidade.

A Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Cristã de Nova Vida foram os celeiros de onde o atual movimento neopentecostal surgiu e se estruturou. Harold William e Raymond Boatrigtht, atores e missionários enviados ao Brasil pela Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular, romperam com o tradicionalismo pentecostal brasileiro ao introduzir no país o pentecostalismo de costumes liberais. Começando por São João da Boa Vista (SP), em 1951, a IIEQ alcançou a capital do Estado em 1954, daí se espalhando por todo o país. À IIEQ se aliaram diversos lideres e membros das igrejas pentecostais e das igrejas históricas, atraídos pela mensagem de cura divina, propagadas a partir de São Paulo e tendo como ponto de apoio os programas radiofônicos.

Do Canadá, veio o Bispo Walter Robert MacAlister, que, a convite da IIEQ, pregou no Rio de Janeiro e em outros estados do Brasil, atraindo um grande número de seguidores. Depois de passar pelas Filipinas, Taiwan, Hong Kong e Paris, MacAlister decidiu se estabelecer no Brasil, morando primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro. Era o ano de 1959 quando MacAlister, sua esposa e filhos decidem se mudar para o Brasil. Dos filhos do casal (eles tiveram dois), Walter Robert MacAlister Jr. sucederia o pai na direção da Igreja Cristã de Nova Vida, algumas décadas depois. Estabelecido no bairro do Bonsucesso, em 1964, o primeiro templo da ICNV serviu de base para a inauguração, em 1971, do templo sede em Botafogo. A existência da ICNV está associada às campanhas de cura e libertação, promovidas pelo Bispo MacAlister, primeiro na Rádio Copacabana, em 1960, e depois com o programa Coisas da Vida, na extinta TV Tupi, a partir de 1978. No começo da década de 80, MacAlister abdica da pregação televisiva ao afirmar que a “televisão cria monstros” - talvez em referência ao Bispo Edir Macedo, que, à época, dava seus primeiros passos na telinha, em um programa intitulado “O Despertar da Fé”, também veiculado pela TV Tupi, canal 6.

O pai do neopentecostalismo brasileiro

Natural do Rio de Janeiro, Edir Macedo abandonou o curso universitário sem o concluir. Dizia ser uma pessoa deprimida. Procurou alívio no Catolicismo, não encontrando. Fez-se então adepto do espiritismo, sofrendo nova decepção. Depois de algum tempo se converteu ao pentecostalismo, ingressando na Igreja Cristã de Nova Vida. Da convivência com os irmãos, conhece seu futuro genro e parceiro de ministério, Romildo Soares – mais tarde Missionário R.R. Soares. Era 1968. Quatro anos depois deixam, juntamente com Roberto Augusto Alves e os irmãos Samuel e Fidelis Coutinho, a ICNV, quando, no mesmo ano, fundam a Igreja Cruzada do Caminho Eterno. Em 1977, após a saída dos irmãos Coutinho da ICCE, Edir Macedo, Romildo Soares e Roberto Augusto mudam o nome da denominação para Igreja Universal do Reino de Deus, começando na Abolição (zona norte do Rio de Janeiro) - Roberto Alves, que sagrou Edir Macedo como pastor e recebeu deste também o ordenamento, regressou à ICNV. Descontente com a prepotência e o espírito mercantilista de Edir Macedo, Romildo Soares deixa também a IURD para fundar, em 1980, a Igreja Internacional da Graça de Deus.

Único no poder, Edir Macedo coloca em prática parte de sua experiência e aprendizagem na Igreja Cristã de Nova Vida e associa está ao liberalismo da Quadrangular, criando em pouco tempo um império que, três anos depois, alcança os EUA, ao fundar a primeira IURD no exterior, na cidade de Monte Vermont, Nova York. Nove anos depois chega a Portugal, e em 1996 funda a primeira IURD no Japão. Segundo Campos, o sucesso da Igreja Universal pode ser medido ainda pelo número de templos abertos até 1995: 2.014 no Brasil e 236 em 65 países, nos quais são atendidos cerca de quatro milhões de pessoas, que participam dos “cultos”, “correntes de fé” e “campanhas de fé”. (Lusotopie, 1999, p. 355)

Embora discordante de alguns pontos defendidos por MacAlister, Edir Macedo se apropria de parte de sua mensagem, que envolvia cura divina e prosperidade por meio da fé. Deu prosseguimento, também, ao trabalho nos meios de comunicação, elegendo a televisão como seu cavalo de Tróia. Até então explorada por pentecostais, como a Assembleia de Deus, e igrejas históricas, como a Batista e a Presbiteriana, a televisão passa a ser palco, nos anos seguintes, do trabalho de convencimento e propaganda da Igreja Universal e da Igreja Internacional da Graça de Deus e, futuramente, da Igreja Mundial do Poder de Deus. As pentecostais e históricas ocupariam uma pequena parcela de horários, com exceção do programa “Vitória em Cristo”, antes sem denominação oficial, mas a partir de 2010 ancorada na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, sendo Silas Malafaia o presidente eleito.

Da IURD à Mundial Renovada


Da Igreja Universal do Reino de Deus surgiriam inúmeras outras igrejas neopentecostais, com exceção da Renascer em Cristo (de origem pentecostal – seus fundadores eram membros da Igreja Pentecostal da Bíblia, Jabaquara, SP), da Igreja Evangélica Cristo Vive (fundada pelo ex-pastor da Igreja Cristã de Nova Vida, o angolano Miguel Ângelo) e de grupos minoritários, como a Bola de Neve (fundada pelo Apóstolo Rina, ex-pastor da Renascer em Cristo) e Sara Nossa Terra (fundada pelos bispos Robson e Maria Rodovalho, de origem presbiteriana). Da Igreja Universal surgiria, ainda por fins da década de 70, uma dissidência organizada pelos irmãos Coutinho. As duas maiores dissidências da IURD, entretanto, surgiriam nas décadas seguintes: a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980) e a Igreja Mundial do Poder de Deus, do Apóstolo Valdomiro Santiago (1998).

Da IIGD não se conhece nenhuma dissidência, mas da IMPD surgiriam, entre 2010 e 2011, quatro igrejas: a Igreja Mundial Renovada (05/2010), Igreja Missionária do Amor (08/2010), o Templo Mundial Resgate da Fé (09/2010) e a Igreja Evangélica Celeiro de Deus (10/2011). Das igrejas dissidentes, três foram fundadas por aliados de Valdomiro Santiago: Givanildo de Souza (segundo na cúpula da IMPD e fundador da IMA), Roberto Damásio (terceiro na ordem e fundador da IMR) e Sebastian de Almeida (homem de confiança da IMPD e fundador do TMRF). Do quadro original de dirigentes e apresentados em matéria publicada pela revista Época, apenas Francileia de Oliveira (esposa de Valdomiro Santiago) e Ronaldo Didini (ex-homem de confiança de Edir Macedo, e consultor de mídia da IMPD) permanecem ao lado do fundador. Para às igrejas dissidentes também seguiriam, em grande número, outros bispos da IMPD. Novos líderes e igrejas dissidentes surgirão nos próximos anos. Aguarde!





Johnny Bernardo

é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões, seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.

É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.

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O consultório da Vovó Júlia

Certo dia, ao passar pelo centro de São Paulo, recebi de uma jovem um panfleto que trazia a seguinte informação:

"Abra seus caminhos. Vovó Julia. Se você esta com problemas na sua vida com desânimo, doença, impotência sexual, frieza, problemas amorosos, casamento em decadência, filhos problemáticos, má condição financeira, problemas com sócio e no comércio, desempregado, inimigos ocultos, trabalhos feitos, dou garantia com seriedade dos meus trabalhos e soluções para todos os seus problemas. Simpatias para todos os fins com a força da Vovó Julia, ela irá resolver todos os seus problemas. Às 2ª feiras correntes positivas pelas 21 linhas brancas com passes e defumações, rezas e benzimentos para abrir caminhos, corta olho grande, curas espirituais. Nervosismo e insônia. Faz simpatia para o amor na sua presença com total garantia e seriedade. Fazemos o que os outros só prometem". [1]

A jovem disputava o espaço com outros panfleteiros, que distribuíam anúncios de agências de emprego, empréstimo consignado, consulta odontológica, convênio médico etc. O fato despertou minha atenção para uma verdade incontestável: o aspecto materialista e pouco espiritualizado das religiões.

Entrei em contato com a vovó Julia e perguntei sobre preços. Para minha surpresa e espanto, o preço de "consulta" cobrado por ela era superior ao de uma consulta odontológica ou psicológica em clinica especializada. Como parte do "pacote espiritual", ela disse ser capaz de fazer "o que os outros só prometem". Perguntei quem seriam "os outros", e ela me disse que são os "picaretas", os "malandros da praça" os "falsos cartomantes". É natural que exista disputa entre empresas e comércios de um mesmo seguimento, mas poucos esperariam que entre os cartomantes houvesse tal disputa comercial. Mas de fato há. E ela é acirrada.

Mexer com a fé de uma pessoa é algo extremamente lucrativo, principalmente quando a tal pessoa se encontra em um momento frágil, de perda de filho, marido ou crise financeira ou conjugal. Aí qualquer palavra que o cartomante diga, por mais banal e supérflua que seja, pode despertar no ouvinte uma crença cega e muitas vezes destrutiva. Vejamos o que diz Paulo Sérgio Batista.

"O fato de alguém ter algumas coisas de sua vida supostamente "reveladas" através da astrologia não deve ser suficiente para acreditar que a astrologia é verdadeira ou algo divino. A Bíblia declara que pessoas faziam pedidos a pedaços de madeira e estes pedidos eram respondidos por um espírito maligno que usava aquele objeto como um meio de engano (Oséias 4.12), e também a mesma Escritura condena toda forma de adivinhação ou predição do futuro (Deuteronômio 18.14). Algumas coisas podem ocorrer por alta sugestão ou por influências malignas, visto que o Senhor Deus não descarta a possibilidade de uma predição futura que seja de origem maligna se cumprir para enganar aos incautos (Deuteronômio 13.1-3)". [2]

É preciso muito cuidado quando lidamos com pessoas que dizem poder "revelar" nosso futuro, prever encontros amorosos ou oportunidades de negócio. Não são poucos os casos de pessoas que se suicidam ou cometem atrocidades ao dar ouvidos a espíritos enganadores. A solução para nossos problemas esta em Jesus, e em nenhum outro meio humano ou "sobrenatural".

Referências Bibliográficas

1.
Abra seus caminhos, panfleto explicativo
2. Manual de Respostas Bíblicas, p. 73, Paulo S. Batista, editora Betesda


Johnny Bernardo


é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões, seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.

É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.

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As Testemunhas de Jeová e as frações de sangue

É fato conhecido que o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová proíbe seus seguidores de doar ou receber sangue através de transfusão. Várias TJs já faleceram por serem fieis a essa liderança, que desde 1945 as proíbe de salvar vidas através do sangue. Todavia, muitas pessoas não sabem que as TJs proíbem o sangue transfundido, mas deixam a critério de cada seguidor de aceitar ou não remédios feitos com frações do sangue, derivadas tanto dos componentes primários como secundários. Vejamos isso nas seguintes revistas A Sentinela:

"Alguns recusam qualquer produto derivado de sangue (mesmo frações destinadas a fornecer imunidade passiva temporária). É assim que entendem a ordem de Deus de ‘abster-se de sangue’. Eles raciocinam que a lei de Deus à nação de Israel exigia que o sangue removido de uma criatura fosse ‘derramado na terra’. (Deuteronômio 12:22-24) Por que isso é relevante? Bem, a preparação de gamaglobulina, fatores de coagulação baseados no sangue, e assim por diante, exige que o sangue seja coletado e processado. Por isso, alguns cristãos rejeitam tais produtos, assim como rejeitam transfusões de sangue total ou de seus quatro componentes primários. Sua posição sincera, baseada em sua consciência, deve ser respeitada. Outros cristãos tomam uma decisão diferente.

Também recusam transfusões de sangue total, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas ou plasma. Contudo, talvez permitam que um médico lhes administre um tratamento que contenha uma fração derivada dos componentes primários. Mesmo aqui pode haver diferenças. Um cristão talvez aceite uma injeção de gamaglobulina, mas pode ou não aceitar uma injeção contendo algo extraído de glóbulos brancos ou vermelhos." - A SENTINELA 15 DE JUNHO DE 2004, página 30.

"Será que o fato de haver diferentes opiniões e decisões, baseadas na consciência, indica que a questão é de pouca importância? Não. O assunto é sério. Contudo, há uma simplicidade básica. A matéria acima mostra que as Testemunhas de Jeová recusam transfusões tanto do sangue total quanto dos componentes primários do sangue. A Bíblia ordena aos cristãos que se ‘abstenham de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue e de fornicação’. (Atos 15:29) Fora isso, quando a questão envolve frações de quaisquer componentes primários, cada cristão deve conscienciosamente decidir o que fazer, após cuidadosa meditação com oração." - A SENTINELA 15 DE JUNHO DE 2000, PÁGINA 31.

Incrível como o Corpo Governante é contraditório! Acha-se comissionado por Jeová, para decidir pela consciência das TJs. Proibir sangue transfundido e afirmar que é questão de consciência o uso de frações sanguineas derivadas de componentes primários ou secundários do sangue de outras pessoas é uma verdadeira PIADA de humor negro! A Bíblia proíbe sangue animal e humano, ingerido como alimento ou bebida. O animal morto para alimento deveria ter seu sangue derramado no chão (Gênesis 9:3, 4) Isso simbolizava que a pessoa que matou o animal estaria devolvendo a vida a Deus, a qual foi tirada para se alimentar do animal.

No caso do sangue humano, jamais, por exemplo, conforme Tertuliano escreveu, um cristão beberia o sangue de um gladiador morto. Assim, o sangue que se condena a fazer uso é daquilo que se matou para comer ou até para se satisfazer desse sangue como alimento. E no caso das frações? A Bíblia nada diz disso, tanto que quando se come o animal morto, cercade 30 a 40% do sangue ficou nele. Quanto à mãe, que amamenta o filho, Deus pôs sangue e seus componentes no leite materno.É doação para a vida!

Lamentavelmente, as crianças morreram "fieis a Jeová", estão entre as centenas de pessoas, se não já milhares, que morreram vítimas de quem não merece crédito para decidir a fé dos outros. Veja como eles mudaram de ponto de vista sobre se seria correto ou não um cristão usar medicamentos feitos de frações de sangue. Cada mudançã, conforme a seita, é a luz de Jeová brilhando mais para o Corpo Governante:

Primeira luz – É correto aceitar remédios com frações de sangue - “... A injeção de anticorpos no sangue tendo como veículo o soro de sangue ou o uso de frações de sangue para criar tais anticorpos não é o mesmo que tomar sangue, ...fazê-lo não parece estar incluído na expressa vontade de Deus ao proibir o sangue como alimento. Seria, portanto, assunto de decisão individual quanto a aceitar ou não tais tipos de medicação.” - A Sentinela 1.º de fevereiro de 1959, págs. 95 e 96.

Segunda luz – É errado aceitar remédios feitos com frações de sangue - “É errado suster a vida mediante infusões de sangue, plasma, glóbulos vermelhos ou várias frações de sangue? Sim! ... Quer seja sangue integral quer fração de sangue ... a lei divina se aplica”. A Sentinela de 15 de março de 1962, página. 174.



Fernando Galli
do IACS para o INPR Brasil





Religiões do México

Um dos cultos mais difundidos no México é a Testemunha de Jeová. Organizada por volta de 1969 seu método de ganhar novos convertidos - a pregação de casa em casa - lhes permitiu recrutar 600.000 fieis, todos dedicados a espalhar a sua fé. Eles se recusam a obedecer a determinadas regras civis (como jurar a bandeira) e receber transfusões. Eles acreditam que Jesus Cristo não é Deus. Em Texcoco, a leste da Cidade do México, a seita construiu uma espécie de cidadela chamada Betel, que serve como escritório ou um centro de doutrinação universitária. Seus 1.000 moradores se alimentam em um horário definido, oram e, em seguida, iniciam o estudo da Bíblia. Às 5 horas, o jantar é servido. Todos são dedicados a vários serviços para o grupo, principalmente a impressão e distribuição de a Sentinela e Despertai!, duas revistas de proselitismo.

Eles são seguidos, em ordem de importância, pelos mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), cuja primeira igreja foi organizada por sete pregadores que chegaram no México em 1875, oriundos do Arizona (EUA). Eles se juntaram, uma década depois, a outros 400 que vieram de Utah para escapar à perseguição das autoridades por seu hábito de praticar a poligamia. Eles se estabeleceram em Casas Grandes, Chihuahua. Em 1993 recebeu o registo como uma associação religiosa e agora o número de um milhão de fieis.

A Igreja dos Irmãos da Luz foi fundada em 1926 pelo ex-soldado Eusebio González (nascido em Colotlan), que adotou o nome de Aaron. A seita assente em Guadalajara, em 1955, onde adquiriu um lote de 14 hectares para criar a bela província da colônia religiosa. Os seguidores desta seita são batizados aos 14 anos de idade e apenas creem em Jesus Cristo, o casamento é imposto pelo líder, e não há divórcio. Ministros devem ser casados.

Todos os anos, no dia 14 de agosto celebram a santa ceia em honra ao fundador (falecido em 9 de junho de 1964). Segundo algumas estimativas, a Igreja Luz do Mundo possue perto de cinco milhões de adeptos, dos quais 50% estão em Guadalajara e os demais estão espalhados na América Central e do Sul. Seu principal objetivo é treinar e monitorar comunidades remotas. Sua igreja tem capacidade para 12.000 pessoas.

A Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 no Brasil, chegou ao México em 1981 e é conhecida pelo slogan “Pare de sofrer”. A IURD baseia-se na “teologia da prosperidade”, em que o crente pode “reclamar bênçãos de prosperidade ao Deus Todo-Poderoso, que possui todo ouro e a prata.” Eles acreditam que dízimo dado à Igreja é uma demonstração de fé, segundo o fundador, o brasileiro


Rachel Cabellero Membrilla
do Instituto Cristiano do México






As religiões em crise

O mundo nunca esteve tão fragmentado religiosamente como hoje. Alguém disse que a religião – referindo-se ao cristianismo e as diversas ramificações das religiões mundiais – são "reformulações" de doutrinas e religiões antigas. Das religiões primais vieram às nacionais, e destas todas as religiões mundiais. Trocando em miúdos, a religião é fruto de um processo evolutivo e sincrético. É preciso avaliar até que ponto isso é verdade, ou seja, se todas as religiões são frutos de uma miscigenação religiosa.

Geralmente quem olha para o mundo islâmico vê nele um povo unido, sem divisões dogmáticas ou administrativas. No entanto, o islamismo é uma das religiões mais fragmentadas do mundo. Além de xiitas e sunitas, existem pelo menos 70 seitas dentro do islamismo. Há quem sugira que quanto mais distante fica de Meca, mais sincrética e oculta se torna a fé islâmica. É o que acontece no norte da África e países abaixo do Saara, onde o islamismo muitas vezes se confunde com o ocultismo pagão, ou seja, é difícil saber onde termina a devoção islâmica e começa o culto pagão.

A Igreja Católica é outro exemplo de desfragmentação. O primeiro grande cisma ocorreu em 1054 quando a Igreja Ortodoxa de Constantinopla – por questões dogmáticas e administrativas – separou-se da Igreja Católica com sede em Roma. Atualmente existem cerca de 175 milhões de ortodoxos no mundo, presentes em sua maioria na Grécia, Turquia, Rússia e norte da África. Em 1517 ocorreria o maior cisma que a Igreja Católica jamais conseguiria reverter - Martinho Lutero rompe com Roma e abre caminho para inúmeros outros reformadores. Resultado: surgem diversas denominações protestantes, tanto na Europa como no Novo Mundo (Américas).


Johnny Bernardo

é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões, seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.

É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.

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A seita do sexo

Tempos atrás uma mãe desesperada me ligou para pedir informações sobre a seita meninos de Deus, conhecida hoje como A Família Internacional. Sua preocução residia no fato de que sua filha, ainda com seus 17 anos, em plena fase de preparação para o vestibular, frequentava as reuniões dessa seita, mas apresentava comportamentos estranhos, como passar pouco tempo em casa, evitar conversa com os pais, trancafiando-se no quarto. Então, procurei alertar essa senhora: David Berg, o fundador desse movimento, pregava o sexo como meio de evangelismo, e a literatura dos jovens ali contém cenas absurdas.

O sexo como pano de fundo para Jesus

O fundador dessa seita, David Berg, já é falecido (1994), e segundo as publicações da seita, encontra-se no céu, na colônia. Enquanto vivo, este sujeito sofreu processos por abusos sexuais. A Wikipedia declara:

"Pelo menos seis mulheres, inclusive suas duas filhas e duas de suas netas, alegaram publicamente terem sido sexualmente abusados por Berg quando crianças. A filha mais velha de Berg, Deborah Davis, escreveu um livro no qual ela acusa o pai de molestar sexualmente tanto dela, quanto de sua irmã, quando eram crianças, e de ter tentado fazer sexo com ela quando adulta. Sua irmã, Faith Berg, corroborou essas acusações, no entato as descreveu de maneira positiva." - http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Berg

Mas como essa seita conseguiu recrutar jovens e adultos? Sempre de forma velada, o sexo foi usado como "ponte", mas com uma mensagem muito amorosa sobre Jesus. Um dos folhetos dessa seita afirma:

"Mas você não pode salvar-se a si mesmo. [...] Jesus promete que se abrir o seu coração, ele entrará mesmo. [...] Você pode receber Jesus agora mesmo, fazendo esta simples oração: Querido Jesus, por favor me perdoe todos os meus pecados. Eu acredito que você é o FIlho de Deus e que morreu por mim, e agora O convido a entrar no meu coração. Jesus, por favor, entre e me ajude a amar os outros e a lhes falar sobre Você para que também possam encontrá-Lo. Peço em nome de Jesus, amém." - O Amor Sempre Dá um Jeito.

Todavia, conforme relatos de seus próprios filhos e de ex-adeptos, o movimento realmente usa o sexo como forma de "evangelismo", pois Deus é amor. Temos emprestado uma xérox do livro Meninos do Céu, que dão provas convincentes disso. Por exemplo, observe o que esse livro afirma sobre o que DAVID BERG anda aprontando lá no céu:

"36 [...] Agora, só preciso de espaço para Phoebe e India Joy nesta enorme cama boa e confortável! Glória ao Senhor! O que é melhor do que uma linda mulher? - Duas mulheres! Aleluia! 37. VAMOS LÁ, VAMOS DIVERTIR-NOS UM POUCO E AUMENTAR A POPULAÇÃO - afinal não existe enjoos matinais, sensação de peso ou dores de parto Aqui em cima! (Apoc. 21:4) [...] Por isso, vamos nessa, vamos lá, garotas! Temos muito pela frente! - Que dizem a isso, rapazes? - Vamos começar já! - Amém! Aleluia! Obrigado Jesus! Glória ao Senhor! - Não é mesmo maravilhoso? - Que lugar! - Como estamos nos divertindo aqui no ceu! - Os Meninos do Ceu, [capítulo 14 - A Cidade do Futuro], página 300, item 36 e 37.

Conforme podemos observar na foto em anexo, tais cenas são uma afronta contra os ensinos de Jesus. Nem na ressurreição haverá casamento e sexo, quanto mais antes dela. (Mateus 22:30) Pior do que isso: Se lá no ceu, o conhecido como "Vovô" Berg pode ter esposas adolescentes, com direito à charge com ela na cama, que exemplo negativo para os jovens que o seguem! Nessa imagem do lado, precisamos censurar a imagem dos seios dessa jovem, que parece ser adolescente, e mesmo que não seja, que espécie de literatura cristã é esta? Segundo vários sites, David Berg teria dito que "o orgasmo é o melhor meio de se chegar a Deus". A Bíblia ensina a fugir da fornicação, conforme 1 Coríntios 6:18.

Na mesma literatura já referida há outra foto intrigante, que precisamos censurar as partes picantes. Ao lado da foto, lemos:

"Elas então ficam muito emocionadas e excitas e parecem sentir que existe algo muito especial a esse respeito, que sentem a presença do Vovô bem ali perto, e de maneira muito querida, para as duas como sempre! Elas então caem no sono novamente abraçadas e eu fico emocionado e satisfeito com minha primeira visita à minha familiazinha na Terra novamente! Obrigado Jesus! Louvado seja o Senhor!" - Os Meninos do Céu, página 392.

Apelo aos pais

Caso você, pai ou mãe, saiba que seu filho ou filha estejam enveredando por esse caminho contrário à Palavra de Deus, que segue ensinos de um líder maníaco sexual, não hesite em procurar ajuda, tanto das autoridades, quanto de familiares e amigos religiosos. Certo empresário comentou que embora fosse casado, foi assediado por uma dessas jovens, que buscaram falar-lhe sobre Jesus, com a promessa de "curtirem muito sexo", pois Deus é amor. Essa organização separa os filhos dos pais, conforme relatos de ex-membros. Se você é ex-membro, ou tem filhos ali, colocamo-nos à disposição para ajudar você.



Fernando Galli
do IACS para o INPR Brasil




Letreiro causa polêmica entre ateus e cristãos

A Igreja Metodista Unida, localizada na cidade de Portland, Oregon, EUA, causou polêmica nesta semana ao colocar em seu letreiro a frase “Deus prefere ateus amáveis a cristãos com ódio”.

A resposta entre os americanos foi imediata, o administrador da igreja Kay Pettygrove disse que recebeu centenas de e-mails sobre o letreiro assim que ele foi instalado. Ele afirma ainda que se surpreendeu por ter cerca de 30 respostas positivas, para cada negativa.

"Eu recebi um email de um homem Mórmon jovem dizendo: ‘Muito obrigado. Isso me fez repensar a forma como eu trato as pessoas'", ele explicou ao jornal americano The Blaze. "Muitos ateus disseram: 'Se houvesse mais igrejas como a sua, provavelmente reconsideraria."

Para ele, o objetivo de fazer as pessoas refletirem foi atingido para além dos 385 membros da igreja, e que o letreiro mostra uma hospitalidade radical para quem já se sentia alienado sobre o sistema de fé da religião.

Entre alguns líderes religiosos opiniões divergiram sobre a mensagem. O jornalista e pesquisador Johnny Bernardo e o Reverendo Augustus Nicodemus comentaram o fato com exclusividade ao The Christian Post.

Para Johnny a mensagem mostra uma realidade que afeta as igrejas em todo mundo com relação aos “cristãos com ódio”: “há falta de amor, compromisso e vivência cristã em sua plenitude”.

Ele justificou dizendo que devido ao rápido crescimento da igreja nos últimos anos o “espírito de unidade que caracterizava os cristãos primitivos tem sido perdido ao longo dos séculos”.

“Somos hoje uma igreja de templos, uma igreja cuja realidade gira em torno de liturgias, reuniões e Teologia da Prosperidade. Precisamos de menos igrejas e mais cristianismo puro e simples”, afirmou.

Johnny acredita que “ateus, católicos e espíritas são, sim, exemplos de que mesmo diante da ausência de uma religiosidade contínua ou profunda, o amor pode ser demonstrado e vivido no dia-a-dia”.

Já Nicodemus pensa que a igreja se equivocou em sua afirmativa. O reverendo considera que a igreja está equivocada ao assumir que “diante de Deus, o ódio é pior que a incredulidade”.

“O ódio e a incredulidade são igualmente desagradáveis diante de Deus, não importa se da parte de ateus ou cristãos”.

Para explicar, ele citou ao CP o trecho da Bíblia Apocalipse 21.8, que diz que “quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. Nesta passagem, explica Augustus Nicodemus, os incrédulos e assassinos aparecem na mesmíssima lista dos que não entrarão no Reino de Deus.

O letreiro da igreja de Oregon continua causando polêmica e a imagem de seu letreiro se espalhou mundialmente por meio de mídias sociais online. Mesmo com tanta discussão, o Reverendo Tom Tate, responsável pelo templo, diz que não se arrepende e que gostou da reflexão gerada pela sua iniciativa.


Fonte: The Christian Post




Porque não é bíblica a desassociação (I)

Infelizmente, faltou à Associação Torre de Vigia (ATV) esclarecer às pessoas que o instituto da desassociação não vem de Jeová, mas do Corpo Governante. Se você conjugar todos os paralelos bíblicos em relação ao assunto verá que Jeová está sempre de braços abertos para acolher imediatamente um pecador genuinamente arrependido. Não há nas Escrituras qualquer paralelo que mostre que Ele deu seis meses ou um ano ou vários anos de prova, com a boquinha calada, sentado no banco, sendo ignorada pela família e pelos “amigos”, até que a pessoa fosse julgada por um corpo de anciãos como digna de fazer parte de seu povo novamente.

Ao contrário, uma leitura básica da Bíblia te mostrará que primeiro Jeová acolhe o pecador depois ele é ajudado a abandonar seu estado lastimável. Basta a pessoa arrependida se voltar para Deus. Sem provas. Sem chibatadas sociais. Sem vergonha ou humilhação. É tão simples! Vejamos um exemplo: uma jovem tem relações sexuais com seu namorado, contudo, não vê nada demais nisso. Os anciãos a chamam em uma comissão judicativa e a desassociam. Logo após ela se arrepende, pois vê que estava errada. O que fazer?

Bom, Jeová, por meio de Jesus, proveu a resposta. Veja sua reação na parábola do filho pródigo: “Enquanto [o filho] ainda estava longe, seu pai o avistou e teve pena, e correu e lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou ternamente” (Lucas 15:20).

Mesmo com esse paralelo claríssimo, os anciãos dizem que a pessoa deve passar um tempo no banco, sendo ignorado, apontado como pecador, evitado até pela família... que deve se casar, ou então dissolver esse namoro... que não poderá comentar na reunião, ir no ônibus da congregação para a Assembleia de Circuito, não poderá pegar uma carona no carro de um irmão, muito menos que se deve orar por essa pessoa. Para não falar que durante esse tempo, a pessoa que “ se lixe”, se ela precisar de uma ajuda qualquer, seja em relação a um trabalho, dificuldade na família, doença, emprego, e tantas outras que apenas temos em associação íntima com alguém ou em uma comunidade unida, que ela fique por si só, dê seu jeito... foi ela quem escolheu o caminho da desassociação, não foi? Que amor é esse, hein? Que não pode acolher uma pessoa que está querendo voltar ao seu meio? Que não pode dar um abraço a uma pessoa que precisa? Que não pode perguntar nem mesmo “como vai, como foi seu fim de semana”? Isso é disciplina? Lamento, mas se você é um bom leitor da Bíblia, verá que isso é heresia.

Quanto aos “fundamentos bíblicos” para tal ação da ATV, são todos fraquíssimos e não se sustentam ante o peso da evidência. A Associação usa o texto de 2 João 10, 11 como base de seu tratamento em relação aos desassociados e dissociados. Contudo, empregam tal passagem totalmente fora de seu contexto original. Convido-o a ler o texto integralmente, a carta inteira de 2 João. No versículo 7, o apóstolo diz: “Pois, muitos enganadores saíram pelo mundo afora, pessoas que não confessam Jesus Cristo vindo na carne. Este é o enganador e o anticristo".

Depois, do versículo 8 ao 11, o apóstolo dá um conselho aos leitores em relação à situação de perigo espiritual quanto a esses tipos de pessoas que rejeitam a Cristo e pregam o engano, dizendo que Cristo não veio na carne. Contra esse tipo de pessoa é que os cristãos devem se guardar, “nem o recebendo em seus lares, nem os cumprimentando”, pessoas que “se adiantaram”, “não permaneceram no ensino de Cristo” e agora defendem outro ensino diabólico. Ou seja, anticristos ativos e atuantes. Não se fala em lugar algum de crentes quepecaram. Nem em desassociação, palavra que nem na Bíblia está.

Agora, caro leitor, em momento nenhum dizemos ser contra a exclusão ou afastamento de um membro que seja um pecador empedernido do meio da congregação, ou de uma igreja. Isso aí é coisa que se faz até no mundo, nas esferas seculares. Caso você faça parte de uma associação qualquer, um conselho, um clube, uma escola, etc., ou mesmo no trabalho normal, há normas internas que devem ser respeitadas sob pena de (a) repreensão verbal ou escrita, (b) afastamento temporário ou (c) desligamento total.

Isso é diferente das organizações religiosas? Não, de forma alguma.

Ao contrário do que pregam as Testemunhas de Jeová em várias publicações, existem expulsões e desligamentos nas igrejas evangélicas, mas sempre depois de um longo processo de ajuda espiritual à pessoa, antes de serem tomadas as providências cabíveis.

Quando você aceita se tornar membro de uma igreja qualquer, ou de associações filosóficas ou políticas, deve ter em mente suas normas, seus estatutos, entre eles os que podem demandar sua exclusão como membro. Nesse caso, o texto citado pelas Testemunhas, 1 Coríntios 5:9-13, está devidamente aplicado. Paulo escrevia aos crentes em Corinto que não faziam nada para que aquele homem imoral se consertasse, logo, havia negligência espiritual por parte deles. Contudo, lendo com atenção os versículos circundantes (coisa que raramente as Testemunhas fazem), vemos que a grande preocupação era com a ação da própria congregação ante o pecado, não necessariamente com o pecador em si. Não se esqueça de que esta carta que Paulo escreveu tinha objetivos claros: exortar toda a congregação coríntia a um reavivamento espiritual, o que é claramente visível na quantidade enorme de problemas que o apóstolo discute ao longo de sua epístola.

Prova de que está errada a metodologia da desassociação conforme o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová prega pode ser vista no modo como a aplicação deste texto é feita na segunda carta de Paulo aos Coríntios. Conforme uma publicação da própria ATV, o Estudo Perspicaz, volume l, p. 563 e 564, “Paulo escreveu esta primeira carta à congregação cristã em Corinto, por volta de 55 EC [...] Paulo escreveu a sua segunda carta aos coríntios provavelmente durante o fim do verão ou começo do outono setentrionais de 55 EC”. Assim, no intervalo de meses, não de anos, nem de décadas, mais em poucos meses, de acordo com o arrependimento daquele “homem iníquo”, “Paulo respondeu na sua segunda carta elogiando-os por sua aceitação favorável e aplicação do conselho, exortando-os a ‘perdoar bondosamente e a consolar’ o homem arrependido, ao qual evidentemente haviam expulsado da congregação” (Perspicaz, v. 1, p. 564).



Cleber Tourinho de Santana

ex-testemunha-de-jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Cientifica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia



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Entrevista com João Rodrigo Weronka, do NAPEC

João Rodrigo Weronka é Bacharel em Ciências Econômicas pela PUCPR, teólogo e fundador do NAPEC (Núcleo Apologético de Pesquisa e Ensino Cristão). Atuando com pesquisas no campo de apologética cristã e religiões comparadas desde 2002, colabora com sites como Irmãos.com e a revista Apologética Cristã. Congrega na Igreja Batista Vida Nova, de São José dos Pinhais – PR, atuando no IVTN – Instituto Vida Nova de Teologia. É casado com Cristiane F. Weronka, com quem tem uma filha. Nesta entrevista, Weronka fala sobre o seu trabalho no NAPEC e assuntos ligados ao ministério.

INPR Brasil - Como você se define?

João Rodrigo Weronka - Falar sobre si sempre é difícil, mas vamos lá! Considero-me uma pessoa simples em tudo. Amo as coisas simples e um jeito simples de vida. Amo a forma simples como o Evangelho é e por isso procuro levar a vida realmente pautada nos ensinos do Senhor. Sou reservado Johnny, e isso às vezes leva as pessoas a acharem que sou mal-humorado, mas quem me conhece sabe que sou “normal” (risos). Não sou positivista-triunfalista, mas sou muito otimista! Deve ser o motivo de eu ser torcedor do Atlético-PR, o melhor time do mundo!

Em breve: entrevista com Joaquim de Andrade, do CREIA

INPR Brasil - Quem é Jesus?

Weronka - Jesus não é um médium, um avatar, um moralista, um banqueiro, um mero profeta, um moralista simplista ou um revolucionário. Jesus é o Unigênito de Deus, o Princípio e o Fim, o Sustentador de todas as coisas, feitas dEle, por Ele e pra Ele. Jesus é Deus filho, o Verbo encarnado, cheio de graça e de verdade. Ele é o que é, e ponto final. Sem Ele nada somos. Não há palavras que possa usar para demonstrar a gratidão que tenho por tamanha salvação.

INPR Brasil - Quando começou o seu interesse por apologética?

Weronka - Ano de 2002. Ainda namorava a Cris [hoje somos casados] e ela, sabendo de minha simpatia por apologética, me presenteou com um livro sobre seitas e heresias, e desde então não parei mais. Assim como a maioria dos que se interessam pela área, comecei os estudos com muita ênfase em heresiologia, mas com o tempo passei mais para área apologética em si e dando ênfase ao estudo sistemático das Escrituras. Hoje meus estudos e pesquisas tratam não apenas de heresiologia em si, mas tenho dado ênfase em apologética geral. Continuo pesquisando e refutando movimentos heréticos que estão à margem do cristianismo, mas também combato problemas internos e me debruço muito na apologética. Trabalhos de nomes como Francis Schaeffer, John Frame, Augustus Nicodemus, John MacArtur, Norman Geisler, Michael Horton, Albert Mohler, Alister McGrath e William Craig me inspiram.

INPR Brasil - Em algum momento você pensou em desistir?

Weronka - Sim, já pensei. Mas na mesma hora o próprio fruto que a apologética gera surgiu. Uma fé bem fundamentada nos impede de voltar atrás. É por isso que sempre repito aos meus alunos: a fé é algo que vai além de meras emoções ou um estado momentâneo. A fé é convicção, e tenho plena convicção daquilo para qual o Mestre me chamou. Ele continua cumprindo Sua perfeita obra em minha vida, e por isso sou muito grato. E antes que me chamem de racionalista, o maior motivador é o próprio Espírito Santo, que nos conduz a andar na Verdade.

INPR Brasil - Até pouco tempo o ministério apologético restringia-se ao eixo São Paulo - Rio, com institutos como o ICP, CACP, AGIR, CPR e INPR. Ao criar o NAPEC, qual era o seu objetivo?

Weronka - Desenvolver uma base apologética na região de Curitiba. O projeto ainda está engatinhando. Ainda é um embrião (risos). A igreja onde congrego – através da pessoa do pastor – tem apoiado o NAPEC e isso por si só é uma grande vitória. Poucos são os que estão na nesta área e tem um real apoio da igreja onde congregam. Em segundo plano, ampliar a rede de ministérios apologéticos. Infelizmente percebemos a desunião entre os apologistas do Brasil, e isso não é nada bom. Às vezes penso que o próprio surgimento de diversas micro - instituições apologéticas é o próprio resultado da falta de interesse dos “medalhões” em abrir o caminho para uma nova geração apologética. Parece que cada um quer defender o seu, abdicando do todo. No momento a grande frente ainda tem sido o próprio site, reunindo artigos, estudos, podcasts relacionados ao tema (www.napec.net).

INPR Brasil - Você pretende se dedicar de forma integral ao ministério?

Weronka - Por enquanto não, embora todos nós tenhamos tal desejo. Sou formado em Economia e atuo na área, ocupando grande parte de meu tempo. Meu sonho é dedicar mais tempo ao ensino. Meu projeto pessoal ainda é lecionar no seminário. Mas vamos com uma coisa por vez.

INPR Brasil - Que religiões estão presentes com maior intensidade na grande Curitiba?

Weronka - Falo daquilo que conheço e vejo. É impressionante o número de salões do Reino das Testemunhas de Jeová espalhados em nossa região. O Paraná em si é uma região onde a Congregação Cristã no Brasil é muito presente e Curitiba é uma das poucas cidades no Brasil com um templo Mórmon. Há um número significativo de instituições ligadas ao espiritismo e ao esoterismo, como, por exemplo, o museu/templo AMORC/Rosacruz. Se não bastasse, somos o berço das Testemunhas de Yehoshua. Mas louvamos a Deus, pois mesmo nessa Babel existe um contingente cristão grande.

INPR Brasil - Um apologista é alguém que defende opiniões pessoais, a instituição religiosa a que pertence ou a Palavra de Deus? Por quê?

Weronka - Sem dúvida a Verdade da Palavra de Deus. Diante da maravilhosa revelação das Escrituras, opiniões pessoais e a instituição perdem o foco não havendo espaço para elas. Nossa missão é defender a fé. Quem leva a vida defendendo apenas convicções pessoais e instituições/denominações está edificado sobre a areia.

INPR Brasil - Você acredita que é possível haver unidade apologética no Brasil? Qual é o caminho?

Weronka - Acredito, pois tenho vivenciado isso. O caminho? Simplicidade, amor, generosidade e desejo de compartilhar. Deus tem colocado pessoas de diversas partes do Brasil (e até de fora) em meu caminho que são maravilhosas e pensam assim. Unidos seremos mais fortes. Isso não é lema sindical, é propósito de Reino de Deus.

INPR Brasil - Últimas considerações

Weronka - Este tempo pós-moderno, visto por muitos como um grande problema [e de fato a mente pós-moderna ultra relativista é um problema a lidar] podemos ter uma solução. A ideia espiritualista New Age busca levar o homem a voltar ao lado transcendente. Isso pode ser uma porta para levarmos aqueles que se interessam pelO espiritual ao Senhor. Espero que os cristãos possam ser mais que nominais em sua fé e se engajar na defesa da Verdade, fazendo isso mais que palavras, mas no dia-a-dia. Não de modo forçado, mecânico, religioso apenas, mas deixando-se ser usado pelo Mestre.

Aos apologistas, que abracem a vocação e se engajem na defesa da fé. São poucos os que se dispõem a esta tarefa. Minha esperança é que os apologistas mais experientes, com mais tempo na labuta, possam abrir caminho nesta trincheira para uma nova geração.

Eis nossa luta!



Johnny Bernardo
do INPR Brasil



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Uma metrópole e várias religiões

Em recente artigo sobre as religiões de Nova York, oferecemos uma breve introdução ao que chamamos de “fenômeno religioso globalizado” ou “as religiões das cidades globais”. Na ocasião, fizemos referência a São Paulo como uma das cidades – alvo das grandes religiões, a partir de onde milhares de grupos se difundem pelo país e controlam seus rebanhos. É o caso, por exemplo, da Perfect Liberty (com 14 representações, dentre as quais uma clínica de Assistência Médica na vila Mariana), da Messiânica Mundial (com sede em SP e que possui uma área de 327.500 às margens da Guarapiranga onde funciona o “Solo Sagrado”), da Seicho – no – iê (com sede no Jabaquara) da Congregação Cristã no Brasil (Brás), da Catedral Metropolitana Ortodoxa (uma espécie de Sé da Igreja Ortodoxa Antioquia) etc.

Nos últimos anos São Paulo tem experimentado também o crescimento das religiões esotéricas, como o Círculo Esotérico Comunhão do Pensamento, o Templo do Poder Espiritual e Cura Interior e grupos católicos exóticos, como a Igreja Católica das Santas Missões que promove campanhas de cura, libertação e exorcismo dirigidas pelo Pe. Zezinho e equipe de videntes (Brás).

A rádio Mundial é o front de batalha e marketing do esoterismo em São Paulo. Esotéricos, como a profetisa Lucia de Luca (do Templo do Poder Espiritual e Cura Interior) utiliza o espaço para divulgar suas campanhas de queima de espinhos, consultas de espiritualidade, o que são espíritos obsessores etc. Há ainda outros, como o médium Luiz Antonio Gaspareto (que afirma incorporar espíritos de pintores famosos), Primaz Aldo Bertoni (atual presidente da Igreja Apostólica Santa Vó Rosa, com sede no Tatuapé e apresentador da Hora Milagrosa) e o Pai Valdir de Oyá (sacerdote e Babalorixá do Culto dos Orixás e que mantém um instituto que leva seu nome).

Também encontramos em São Paulo grupos terapêuticos e de cura interior, como as palestras de regressão psicológica promovidas pelo terapeuta Amadeu Wolf em sua sede em SP e em hoteis do Estado. Mas o destaque recai mesmo sobre as igrejas neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus (Brás), Igreja Apostólica Renascer em Cristo (Vila Mariana), Internacional da Graça de Deus (Centro), Igreja Mundial do Poder de Deus (do bispo Valdomiro Santiago e que funciona no galpão de uma antiga fábrica da Rua Carneiro Leão, no Brás) e a mais recente, a Igreja Mundial Renovada (uma dissidência da IMPD e que funciona a poucos metros da Igreja Mãe).

Das igrejas neopentecostais, a IURD é a de maior destaque. É dela o projeto de maior ambição - pretende construir uma réplica do Templo de Salomão no coração de São Paulo. Há ainda outras mega – igrejas, como a sede da Deus é Amor na Baixada do Glicério que é cinco vezes maior que a Catedral da Sé, há poucas quadras de distância.

São Paulo é mesmo uma cidade multifacetada. Segundo uma reportagem feita em 2009 pelo jornal O Globo, a cidade de São Paulo ganhou, em média, um novo templo religioso a cada dois dias nos últimos quatro anos anteriores a matéria. Dados da Prefeitura mostram que somente em 2009 haviam 3.584 imóveis registrados como templos ou igrejas. O jornal chama atenção também para a diversidade.

“Entre as igrejas, há locais que abrigam punks, gays, judeus, católicos, evangélicos e mórmons. Em muitos casos, são imóveis adaptados para receber os fiéis. A igreja Renascer, cujo teto desabou no Cambuci, matando nove pessoas e ferindo mais de cem, era um cinema e também já foi uma concessionária de automóveis. O local está sendo demolido. Na zona leste, uma lanchonete do Mc Donald's foi adaptada para se tornar um templo da Universal.

A Avenida Celso Garcia, na zona leste, transformou-se numa espécie de 'avenida da fé'. Pelo menos oito templos com credos diferentes foram abertos quase vizinhos uns aos outros. Os templos estão a menos de 400 metros uns dos outros.”


Johnny Bernardo

é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões, seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.

É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.

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O sexo no Islamismo

O conceito de adoração no Islã destoa da maioria das religiões cristãs e até mesmo das religiões orientais. No Islã, adorar a Deus (Alá) envolve algo além do que uma simples mortificação carnal, culto ou ritual. Segundo eles, a palavra adoração é um termo abrangente, que inclui tudo aquilo que Deus ama relativo às ações e aos dizeres externos e internos de uma pessoa. Em outras palavras, adoração é tudo aquilo que um sujeito diz ou faz para agradar a Deus. Isso inclui, segundo eles, tanto os rituais como as crenças, as atividades sociais e as contribuições pessoais para o bem - estar de uma pessoa. Até aí tudo bem. A questão toma um novo rumo quando associam a adoração à prática sexual. Vejamos o que diz um panfleto distribuído pela Assembleia Mundial de Juventude Islâmica (WAMY), relativo ao conceito de adoração no Islã.

"Vale apena notar que ate mesmo quando uma pessoa cumpre com suas obrigações, isso é considerado uma forma de adoração (...) O profeta informou que seus companheiros seriam recompensados até mesmo por terem mantido relações sexuais com suas esposas. Os companheiros ficaram abismados e perguntaram: Como poderemos ser recompensados pro fazermos algo que nos proporciona prazer? O profeta lhes perguntou: Suponhamos que satisfizésseis vossos desejos ilicitamente, vós não seríeis punidos por isso? Responderam: Sim. Portanto, ele disse, com vossas esposas sereis recompensados".

Isso significa, segundo a WAMY, que o sexo não é uma coisa imunda, que deva ser evitado, mas um ato de adoração. Mas será que existem mesmo padrões de moralidade sexual no Islã? Que tipo de conceito eles possuem sobre o casamento, por exemplo? Maomé foi um exemplo a ser seguido? O que o Alcorão tem a dizer sobre o assunto? Essas são questões que causam dúvidas até mesmo entre alguns muçulmanos, principalmente os de origem americana e europeia.

O Islamismo é muitas vezes descrito como uma religião pura, que surgiu de uma gama de cultos e rituais e que promove um estilo de vida simples e muitas vezes obcecado na observância de normas de conduta social. Refere-se ao ocidente como difusor de uma sociedade libertina e contrária aos princípios normativos do Alcorão. Na prática, o que vemos na sociedade islâmica é uma restrição total aos direitos da mulher, descrita como um objeto de satisfação sexual e passível de punições severas. A poligamia é outra prática comum no mundo islâmico. Ao muçulmano é dado o direito de ter até quatro mulheres (Suna 4.3).

Era comum, na época de Maomé, o casamento com crianças, mas ele nada fez para mudar tal prática. Pelo contrário, ele mesmo tomou para si uma criança. Era a pequena Aisha, a favorita do profeta (ele teve treze mulheres). No livro “A Jóia de Medina”, de Sherry Jones, o relacionamento de Maomé com Aisha é descrito aos detalhes.

“Aisha bint Abu Bakr tinha 6 anos e estava se divertindo num balanço, no quintal, quando soube que ia se casar. A mãe da menina deu a notícia e avisou que, a partir daquele dia, estava proibido "brincar fora de casa". O futuro marido era o melhor amigo do seu pai e tinha 51 anos. Em uma cerimônia sóbria, na casa da família da noiva, em Medina, Arábia Saudita, a união foi oficializada em 623 d.C. Ela tinha nove anos e se tornava a terceira mulher de Maomé, o criador do islamismo. Foi, para sempre, a preferida do seu harém. Quando perguntaram ao profeta a quem mais amava no mundo, ele foi direto: Aisha. Nos braços dela, morreu nove anos depois, e no quarto da favorita foi enterrado.”

A Jóia de Medina causou protestos e gerou debates em vários países e é uma prova de que, realmente, o islamismo não é uma religião pura ou não tão perigosa como alguns querem fazer acreditar.

O Alcorão possui inúmeras referências à prática sexual, com detalhes que fazem corar até mesmo o mais fanático adepto do Islã. É ao mesmo tempo um manual e uma fonte para inúmeras obras islâmicas de teor exótico, como “O Jardim Perfumado” que acabou sendo proibido em alguns países árabes, mas que por décadas foi um dos livros mais lidos entre os muçulmanos.

Para os muçulmanos que conseguirem chegar ao paraíso – quer pelo cumprimento das leis e pilares da religião, quer pelo martírio – receberão como recompensa comida, bebida e ainda 72 virgens para seus deleites sexuais. Tal é a promessa feita nos centros de recrutamento do Talibã, como vemos em um trecho extraído de um vídeo do clérigo Omar Al – Sweilem.

“Harith Ibn Al-Muhasibi disse-nos o que aconteceria quando nos encontrássemos com as virgens com olhos negros, pele branca e cabelo preto - louvado seja Aquele que criou o dia e a noite. Que cabelo! Que seios! Que coxas! Que pernas! Que brancura! Que suavidade!

Ele disse que as suas faces seriam suaves nesse dia. Mesmo a tua cara será macia mesmo sem se usar maquiagem ou algum tipo de pó. Tu mesmo serás macio, portanto quão macias serão as virgens de olhos negros, quando ela vier a ti, tão alta e com a sua bonita cara, o seu cabelo negro e a sua cara branca - louvado seja Aquele que criou a noite e o dia.

Sente a palma da sua mão, sheik! Ele disse: Quão suaves serão as pontas dos seus dedos depois de terem sido suavizados durante milhares de anos no paraíso!

Não há nenhum deus sem ser Allah. Ele disse-nos que se nós entrássemos num dos palácios, encontraríamos dez virgens com olhos negros deitadas em travesseiros de almiscareiro. Onde está Abu Khaled? Aqui! Ele chegou!

Quando elas te virem, elas vão-se levantar e correr para ti. Sortuda daquela que põe um polegar na tua mão. Quando elas te agarrarem, elas vão-te deitar de costas nos travesseiros de almiscareiro.

Elas vão-te deitar de costas, Jamal! Allah Akbar! Desejo isto a todos os que se encontram aqui.

Ele disse que uma delas vai por a sua boca na tua. Faz o que quiseres. Outra vai pressionar a sua face contra a tua, e outra vai pressionar o seu peito contra o teu e outra vai esperar pela sua vez.

Não há outro deus a não ser Allah. Ele disse que uma das virgens de olhos negros vai-te dar um copo de vinho. O vinho no paraíso é uma recompensa pelas boas ações. O vinho deste mundo é destrutivo, mas isso não acontece com o vinho do mundo que está para vir."

Esse é um exemplo do que conhecemos por Islã extremista, diferente daquele vendido para americanos e europeus. Ao mesmo tempo em que o Alcorão incentiva o pudor, abre espaço para a libertinagem na terra e cem vezes mais no paraíso islâmico. Centenas de muçulmanos se suicidam todos os dias com a vã esperança de serem honrados no paraíso com virgens de pele branca e olhos negros. Um belo exemplo de religião pura e unica!


Johnny Bernardo

é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões, seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.

É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.

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Quem tem medo da apostasia? (I)

Não obstante a grande querela que se faz em relação à apostasia, as Testemunhas de Jeová não conseguem se livrar dessa incômoda “pedra no sapato”.

Não é de hoje que se pede aos membros da religião que se afastem de qualquer um que venha a contestar seus ensinamentos e que ainda esteja com o título de irmão, ou mesmo que já tenha saído de suas fileiras. De fato, não são poucos os argumentos (com raciocínios eminentemente circulares) e textos bíblicos utilizados (a maioria isoladamente, como sempre), para validar essa prática, de evitar qualquer contato com os pensamentos divergentes da Sociedade Torre de Vigia, braço legal do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

Durante o tempo em que fui TJ, percebi que a Organização fomenta em seus membros um verdadeiro temor, um pânico doentio em relação às pessoas que saem da seita e que têm a “audácia” de utilizar sua liberdade de pensamento e questionar o que outrora fora entendido como “a verdade”. Não exagero: é um verdadeiro terror mórbido, que faz muito lembrar uma sensação de ataque terrorista iminente, como se vivêssemos na atual Palestina dos homens-bomba e carros recheados de explosivo plástico, prontos a serem detonados bem no nosso rosto, a qualquer momento.

São centenas de artigos falando sobre o assunto. Uma pesquisa breve nos Índices da Torre de Vigia de 1960-1990 e 1991-2005 e no CD-Rom Watchtower Library traz tantas entradas e referências que seria uma tarefa hercúlea enumerar a quantidade de vezes que o Corpo Governante se ocupa do tema, ou pelo menos se refere a ele em seus escritos. Mas uma coisa é certa: em nenhum lugar as Testemunhas são incentivadas ao diálogo aberto e franco sobre suas crenças nem entre si, muito menos com aqueles que não mais concordam com os ensinos cristalizados (ou mesmo fluidos) de sua Organização.
Por exemplo, A Sentinela de 15 de fevereiro de 2004, p. 28, sob o subtópico “As táticas do inimigo”, exorta:

“O inimigo talvez procure dar um golpe por atacar verdades bíblicas fundamentais para a sua fé. Apóstatas podem usar palavras suaves, lisonjas e argumentos deturpados na tentativa de derrotá-lo. Mas o apóstata não está pensando em seu bem-estar. Provérbios 11:9 diz: ‘Pela boca é que o apóstata arruína seu próximo, mas é pelo conhecimento que os justos são socorridos.’

É um engano pensar que você precisa ouvir os apóstatas ou ler as publicações deles para refutar seus argumentos. O raciocínio deturpado e venenoso deles pode causar dano espiritual e contaminar a sua fé como uma gangrena que se espalha rapidamente. (2 Timóteo 2:16, 17) Em vez disso, imite o tratamento que Deus dá aos apóstatas. Jó disse a respeito de Jeová: ‘Nenhum apóstata entrará diante dele.’ — Jó 13:16” (grifo meu).

Interessante é a versão enviesada da Tradução do Novo Mundo nos textos de Jó 13:16 e Provérbios 11:9. Nos textos originais, em hebraico, não se usa a palavra “apóstata”, com carga pejorativa de desvio espiritual, mas sim o adjetivo חָנֵף (ka-neph), quase sempre traduzido por “hipócrita” (ARC, KJV, etc.), mas que significa, literalmente, pecador, ímpio, impuro, sempre em sentido moral, nunca espiritual.


Cleber Tourinho

ex-testemunha-de-jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Cientifica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia


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Bruxaria Wicca: sua história e crenças não-cristãs

"Você sabia que eu sou bruxa, e minha religião é WICCA? Não se preocupe, pois nossos feitiços na bruxaria Wicca não visam prejudicar ninguém. Nossas varinhas usadas apenas direcionam a energia para alguém ou um objeto. A Wicca tem sido até mesma ensinada nas escolas, em horários extra-curriculares, por professores wiccanianos. Não adoramos a Satanás. Praticamos a bruxaria como uma ciência, uma arte, uma religião".

Essas são algumas das alegações dos wiccanianos para defender esse tipo de bruxaria chamada de "Light", ou "Branca", para passar a idéia de inofensiva. Mas de onde surge a Wicca e por que é perigosa? Que textos bíblicos refutariam as principais crenças wiccanianas?

Histórico da Bruxaria Wicca

A Bruxaria Wicca, ou simplesmente Wicca, é uma religião pagã de origem xamânica que pretende celebrar a natureza. De fato, o Xamanismo é descrito como filosofia que prega o reencontro do homem com os ensinamentos e o fluxo da natureza com seu próprio mundo interior. Mas sobre a origem da Wicca propriamente há muitas divergências. Há aqueles que crêem que a Wicca surgiu na pre-história com a adoração das Madonas Negras, deusas da fertilidade. Outros já creem que suas origens ocorreram entre os celtas, uma sociedade matriarcal que valorizava as mulheres por praticar a herança dos bens passados de mãe para filha. O nome Wicca pode ter sua etmologia das palavras "wit" ou "wic", significando "douto", "sábio". Também, "wicca" pode ter derivado da palavra wick, que em inglês significa "dobrar-se", dando a idéia de que os praticantes de Wicca da época dobravam-se para se adaptar às realidades da vida. Todavia, o site Morte Súbita, afirma:

"Wicca não é “A Antiga Religião”, ainda que influenciada por várias religiões antigas. Wicca como nós conhecemos atualmente é derivada da filosofia oculta do século XIX - incluindo a filosofia do Satanismo literário, entre outros - projetada em uma Deusa e um Deus (não cristãos), acrescida de um estilo descristianizado de magia cerimonial da Golden Dawn e folclore britânico sortido, e mais recentemente reformulado por estudiosos neo-pagãos, e influenciado pelo feminismo e a ecologia. De qualquer forma diversas partes da incerta árvore genealógica da Wicca podem ser traçadas ao Satanismo literário do século XIX, algumas formas têm mais em comum com a Wicca atual do que o Satanismo atual." - Diane Vera.

Crenças

Deusa-Mãe Wicca

De acordo com Paul Tuitéan e Estelle Daniels, escritores wiccanos, os praticantes da bruxaria Wicca, ao redor do mundo, possuem as seguintes crenças em comum e um requisito preenchido para ser wiccaniano:

"1. Dupla poloridade da Divindade. 2. Crença na reencarnação. 3. Respeito por todos os reinos - humano, animal, mineral, celestial e espiritual. 4. Imanência da Divindade. 5. Respeito pela Mãe Terra. 6. O Giro da Roda e as mudanças das estações assinalam os Sabás. 7. Oito Sabás Solares e 12 ou 13 Esbás Lunares. 8. A Wicca é uma religião de livre escolha - não há proselitismo. 9. Todos os iniciados são Sacerdotes e Sacerdotizas. 10. Igualdade de todos os sexos e raças. 11. Uso do Círculo Mágico para culto e celebração. 12. A educação e o aprendizado são valorizados e perseguidos continuamente. 13. A Wicca é contracultural e um tanto clandestina. [...] Para tornar-se seguidor da Wicca são necessárias algumas mudanças no modo de ser [...] O aspecto da Wicca que exige mudança maior no modo de pensar é a prática da magia.[...] A nossa magia é feita num círculo sagrado e produz mudanças pelo uso controlado da vontade pessoal ou grupal." - Wicca Essencial, página 11. São Paulo. Editora Pensamento. 2006.

Deus Cornudo Wicca

Embora em futuras matérias irei explicar melhor cada item acima, gostaria de comentar rapidamente que a dupla polaridade da Divindade refere-se ao seguinte: Um Princípio Criador sem nome teria dado origem às duas polaridades: (1) Princípio Feminino ou a Grande Mãe, representando a Energia Universal Geradora, o útero de toda a criação. Esta aparece na Wicca com três faces: A Virgem, a Mãe e a Velha Sábia. (2) Princípio Masculino ou Deus Cornudo, que nasceu da Deusa anterior, sendo complemento dela. Quando esse Deus cresce e se torna adulto, ele se apaixona pela Virgem, uma das faces da Deusa, e dessa relação a Deusa fica grávida. O Deus morre no inverno e renasce novamente. Além dessa crença, os wiccanos creem na reencarnação e na influência do mundo espiritual. O respeito à Mãe Terra é dado até mesmo através de uma oração dedicada a ela. O Giro da Roda, para os wiccanos, visa o sincronismo energético entre eles e as estações do ano, e para isso, celebram 8 Sabás (Sabbats), com os seguintes nomes e datas:

1. Yule - Solstício de Inverno (21 de Dezembro)
2. Candlemmas ou Imbolc- Festa do Fogo ou Noite de Brigit (02 de fevereiro)
3. Equinócio de Primavera - Ostara (21 de Março)
4. Beltane - A Fogueira de Belenos, Festa da Primavera (01 de Maio)
5. Litha - Solstício de Verão (21 de Junho)
6. Lammas - Lughnnasad ou Festa da Colheita (01 de Agosto)
7. Mabon - Equinócio de Outono (21 de Setembro)
8. Samhain - Halloween ou Dia das Bruxas (31 de Outubro)

Quanto aos Esbás, são celebrações dos ciclos da lua. As demais crenças envolvem o culto aos Deuses, à educação e ao modo clandestino de se reunirem e cultuarem. - LAYLAH. Desmistificando a Wicca. páginas 14, 15.

A Wicca é satânica e perigosa

Embora os wiccanos realmente afirmem não adorar a Satanás, eles certamente o fazempor suas práticas e crenças. Satanás deseja o mal às pessoas, mas o que seria o mal na ética Wicca? Depende do conceito de cada bruxo ou bruxa. Por exemplo, um ex-praticante de Wicca explica sobre isso em seu livro:

"Então, temos a "Lei do Triplo Retorno". Este é um conceito relacionado ao Karma [...] e é um dos ensinos mais difundidos e sustentados por crenças éticas na Wicca moderna. Consiste na crença de que o que você "recebe" deve ter devolvido três vezes mais. Esta Lei se aplica tanto ao bem quanto ao mal. [...] Uma mulher que acabou causando mal a uma das sacerdotizas do meu coven [...] acabou roubando todas as joias de bruxaria da sacerdotiza. Novamente, fiz um ritual e invoquei a "Lei do Triplo Retorno" e a mulher (que nem tinha ainda 18 anos) acabou caindo de um lance de escadas e ficou paralítica permanentemente - quadriplégica." - SCHNOEBELEN, William. Wicca - Por Trás da Bruxaria Branca, páginas 44, 45. Rio de Janeiro. Editora Propósito Eterno. 2007.

O mesmo autor, ex-wiccano, e outros estudiosos sobre Wicca, comentam que o conceito de fazer só o bem é deturpado. Por exemplo, se o esposo de uma wiccana esmurrá-la e ela invocar a "Lei do Triplo Retorno", e esse marido for espancado até perder os movimentos de uma perna, para a sacerdotiza isso foi um bem feito a seu esposo, que lhe ensinará algo para o resto dessa vida e em futuras existências. Quanto à adoração de outros deuses, fica evidente o envolvimento com Satanás, que não deseja de modo algum que pessoas adorem o verdadeiro Deus.

Conceito bíblico sobre a WICCA

Os cristãos não creem na reencarnação. (Hebreus 9:27) Para nós, só há um Deus, triúno, Pai, Filho e Espírito Santo. (Deuteronômio 6:4; 1 Coríntios 8:5; João 20:28; Atos 5:3, 4) A tal polaridade de Deuses criada por um Princípio Criador sem nome é um meio pelo qual Satanás faz pessoas o adorarem. É uma forma de Satanás desejar adoração para si, em lugar de as pessoas adorarem o verdadeiro Deus. (Mateus 4:8-10) A Bíblia, ensina o amor e o perdão, não fazer magia e invocar três vezes mais o mal recebido. (João 13:34, 35; 1 Coríntios 13:1-8) Como diz Romanos 12:17, "não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens". Jesus também ensina: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas." (Mateus 7:12) Quanto aos magos e seus feitiços (bruxaria), que são formas do baixo espiritismo, a Bíblia menciona magos usando seus feitiços, os quais endureceram o coração de Faraó para não libertar o povo hebreu do Egito. (Êxodo 7:22) Em 1 Samuel 15:23, feitiçaria, rebelião e idolatria estão em pé de igauldade e causaram a ira de Deus contra Saul. Em Gálatas 5:20, feitiçaria encontra-se entre as obras da carne, e aqueles que a praticam não têm nada a ver com o Reino de Deus. Apocalipse 21:8 garante que "lá fora estão os feiticeiros". Está você preparado para usar essas verdades, e outras, para evangelizar e discipular os wiccanos com amor?



Fernando Galli
do IACS para o INPR Brasil






Como as Testemunhas de Jeová tratam seus ex-membros

“Abenildo! Você não sabe que eu não POSSO falar com você?”

Essas palavras martelavam a minha cabeça enquanto eu dirigia meu carro para o supermercado. Depois de ter tido a má ideia de dar meus pêsames a uma antiga amiga, que tinha perdido o pai. Mas esperem aí! Não era o caso de que a Margarida não quisesse falar comigo, como se ela tivesse uma inimizade pessoal comigo. Não, ela não “podia”. Não tinha nenhum problema físico, ela não é muda, ou surda. O que a proíbe de ter qualquer contato comigo, até mesmo um cumprimento, é a doutrina da desassociação das Testemunhas de Jeová. Para que entendam, vou esclarecer do que se trata essa doutrina, contando um pouco da minha história dentro dessa “religião”.

Nasci numa família que tinha ligações estreitas com a seita. Minha mãe era testemunha antes de meu nascimento. Minha irmã mais velha, tinha se batizado aos treze anos. Meu pai simpatizava, mas não era frequentador. Eu vim a ter esse envolvimento quando era adolescente, batizando-me aos dezesseis. Lembro que meu pai tinha me aconselhado a ter cuidado, pois, caso eu fosse desassociado, iria perder muito. Sábios conselhos do meu velho... Mas como a maioria dos adolescentes, não dei ouvidos e segui em frente. Entrei na seita. Entrei com tudo.

Um dos dogmas mais controversos é que o resto do mundo pertence a Satanás e logo não merece a amizade dos “verdadeiros adoradores”. Assim, tratei de me desfazer das antigas amizades em nome de Deus. Meu mundo assim se tornava circunscrito a esse círculo social. Amigos, só entre as Testemunhas de Jeová.

Eu era dedicado. Logo me tornei “Pioneiro Regular”, uma espécie de missionário que se compromete a pregar diariamente, ao menos três horas, perfazendo noventa horas no mês, o que resulta mil horas por ano, com um mês de “férias”. Isso tudo era um trabalho voluntário, não remunerado. Eu trabalhava para “Jeová”, pregando a sua palavra tal como Jesus fazia. Ledo engano... Não passava de um jovem manipulado por uma gráfica multinacional travestida de religião. Meu zelo ao divino foi assim explorado por anos a fio.

Embora tivesse angariado o respeito e a amizade de muitos, também despertava a inveja, e esta a perseguição. Não demorou muito para que os anciãos (como são conhecidos os pastores da seita), colocassem seus “cabrestos” em mim. Vários foram os motivos e várias as formas. Uma vez era a inveja do irmão que tinha casado com a filha do ancião e vivia armando contra mim. Outra o ex-namorado de uma menina que eu paquerava, enfim, meu zelo e dedicação não adiantavam muito. Mudei de congregação. Retomei meu trabalho. Tudo corria bem, quando um dia, decidi entrar na faculdade.

O ensino superior é fortemente desincentivado no meio. Afinal, pra quê estudar tanto para trabalhar num mundo que poderia acabar amanhã no Armagedom, quando Deus destruirá a tudo e a todos que não eram testemunhas? Especialmente na área de saúde! Seria inútil esse conhecimento no paraíso, que se seguiria ao Armagedom, onde todos teriam saúde perfeita, garantida por Deus! Se expuser ao mundo iníquo, às más associações de mundanos!

Foi a melhor coisa que eu fiz! O ensino superior obriga o pensar, o questionamento, o embasamento científico. Passei a questionar o que eu mesmo pregava. Desta forma, os dogmas foram caindo um por um, até que um dia percebi que a única crença que eu tinha em comum com as Testemunhas de Jeová, era que Deus existia. Nada mais.

Assim fui me distanciando da seita. Depois que minha mãe morreu, já nem pensava nisso.

Até que numa tarde, no meu consultório, recebo a visita de um ancião. O pai da Margarida. Ficou nervoso e inquieto por ter de esperar sua “consulta”. Como principiava a fazer tumulto na sala de espera, fui ter com ele.

A sua intenção era que eu pedisse dissociação. No que eu respondi que não seria bode expiatório de ninguém e não iria me sujeitar a nenhum tribunal eclesiástico, Deus é meu juiz. Resultado: fui desassociado à revelia.

O que é dasassociação? Vejam o que a Torre de Vigia orienta seus seguidores...
“Como tratar uma pessoa desassociada?Poucas coisas podem nos deixar tão tristes quanto ver um parente ou um amigo achegado ser expulso da congregação por ter cometido um pecado e não ter se arrependido. O modo como encaramos a orientação da Bíblia sobre esse assunto pode revelar a profundidade de nosso amor a Deus e quanto somos leais aos seus princípios. Considere algumas perguntas que surgem sobre esse assunto.

Como devemos tratar uma pessoa desassociada? A Bíblia diz: “Cesseis de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ou ganancioso, ou idólatra, ou injuriador, ou beberrão, ou extorçor, nem sequer comendo com tal homem.” (1 Coríntios 5:11) Com respeito a qualquer pessoa que “não permanece no ensino do Cristo”, lemos: “Nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois, quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iníquas.” (2 João 9-11) Nós não nos associamos com desassociados, quer para atividades espirituais, quer sociais. A Sentinela de 15 de dezembro de 1981, página 21, disse: “Um simples ‘Oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?

É realmente necessário evitar todo e qualquer contato com a pessoa? Sim, por várias razões. Primeiro, é uma questão de lealdade a Deus e à sua Palavra. Obedecemos a Jeová não apenas quando é conveniente, mas também quando envolve grandes desafios. O amor a Deus nos motiva a obedecer todos os seus mandamentos, reconhecendo que ele é justo e amoroso, e que suas leis visam o bem dos que o servem. (Isaías 48:17; 1 João 5:3) Segundo, cortar o contato com o pecador não-arrependido evita que nós e a congregação sejamos corrompidos em sentido espiritual e moral, e preserva a boa reputação da congregação. (1 Coríntios 5:6, 7) Terceiro, nossa firme posição a favor dos princípios bíblicos pode até mesmo beneficiar o desassociado. Por apoiarmos a decisão da comissão judicativa, talvez contribuamos para tocar o coração de um pecador que até então não correspondeu aos esforços dos anciãos para ajudá-lo. Perder a preciosa associação com pessoas amadas talvez o ajude a ‘cair em si’, a ver a seriedade de seu erro e a tomar os passos necessários para retornar a Jeová. — Lucas 15:17.

E quando o desassociado é um parente? Nesse caso, os laços achegados entre familiares podem ser um verdadeiro teste à lealdade. Como devemos tratar um parente desassociado? Não podemos incluir aqui toda e qualquer situação que possa surgir nesse sentido, mas vamos nos concentrar em duas situações básicas. Em alguns casos, o parente desassociado talvez faça parte da família imediata e ainda more na mesma casa. A dasassociação não põe fim aos laços familiares, por isso as atividades e os tratos normais do dia-a-dia da família podem continuar. Contudo, pelo seu proceder, o desassociado escolheu romper o vínculo espiritual que tinha com a família. Sendo assim, os membros leais da família não podem mais ter associação espiritual com ele. Por exemplo, caso o desassociado esteja presente quando a família se reunir para estudar a Bíblia, ele não deve participar do estudo. Mas, se o desassociado é um filho menor, os pais ainda são os responsáveis pela sua instrução e disciplina. Por isso eles, como pais amorosos, podem dirigir um estudo bíblico com o filho. — Provérbios 6:20-22; 29:17.

Em outros casos, o parente desassociado talvez não faça parte da família imediata ou seja um membro da família imediata que não mora na mesma casa. Embora em raras ocasiões talvez se precise cuidar de um assunto familiar com um parente desassociado, tal contato deve restringir-se ao mínimo possível. Membros leais de uma família cristã não procuram desculpas para ter tratos com um parente desassociado que não more na mesma casa. Em vez disso, a lealdade a Jeová e à sua organização os faz seguir os princípios bíblicos relacionados com a dasassociação. Seu proceder leal visa o bem do desassociado e pode ajudá-lo a se beneficiar da disciplina recebida. — Hebreus 12:11.”

Desta forma, o desassociado perde todos os vínculos que ele formou dentro da seita. Não só os de amizade, mas também vínculos familiares. Não importa se for um menor. Não importa que fira o Estatuto da Criança e do Adolescente, não importa os Direitos Humanos, não importa nem o que Cristo disse, que devemos amar até nossos inimigos. (Mateus 5:44.) Não é por amor que se espera que um desassociado volte, mas por pressão, humilhação e constrangimento. Sim, na bíblia das Testemunhas de Jeová também se encontra a história do “Filho Pródigo”, só que é sistematicamente ignorada. Aliás, muito do que o Cristo disse é ignorado.

Não, não me arrependo de ter seguido a Margarida e ter prestado minhas condolências, essa é uma atitude cristã. Mesmo sabendo que iria ser ignorado. A culpa não é dela, e sim da loucura de homens megalomaníacos que se colocam no trono do Nosso Senhor e passam a julgar e condenar eu Seu lugar.

-“Um dia, Margarida, essa discriminação acaba.” Foi minha despedida.

Atitudes concretas para isso já estão sendo tomadas. Sebastião Ramos denunciou esse abuso no Ministério Público que acatou a denúncia. Você pode conferir tudo nesse link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=16&t=3910

Somos um grupo de ex testemunhas que unidos lutamos contra essa segregação, além de analisar os erros doutrinais absurdos da seita.

Que o amor de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo supere as injustiças cometidas em Seu Nome! Que irmãos possam se abraçar sem medo. Que a paz de Deus, que excede todo pensamento, esteja entre nós. (Filipenses 4:7).




Abenildo Galindo Florêncio
ex-testemunha de Jeová e colaborador do INPR Brasil






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